Passado
o susto, fica o prejuízo
Chuva de granizo em Três
de Maio proporcionou cena
típica do inverno europeu

Pouco mais de 10 minutos de chuva de granizo foram
suficientes para deixar um saldo negativo de prejuízos
na área rural, transtornos na área urbana
e assustar a comunidade local. A queda de pequenas pedras
de gelo que atingiu Três de Maio por volta das 7h30min,
de sexta-feira, dia 20, surpreendeu e confirmou mais uma
vez que a região Noroeste é um “corredor
de temporais”, a exemplo do que ocorreu em 1º
e 13 de novembro do ano passado, quando vendavais arrasaram
Três de Maio e várias cidades da região
Noroeste.
Desta vez, o granizo também atingiu várias
residências e estabelecimentos comerciais dos municípios
de São José do Inhacorá e São
Martinho. No interior de Três de Maio, em Consolata
e Quaraim, a camada de gelo chegou a 15 cm.
Na cidade, a Avenida Pasqualini parecia estar coberta de
neve. A Secretaria Municipal de Obras utilizou uma retroescavadeira
para retirar o gelo acumulado, que interditou a via por
alguns minutos. Os bairros São Francisco, Glória,
Guaíra e Palmares também foram atingidos com
maior intensidade.
A intempérie não chegou a causar danos em
habitações, como destelhamentos, mas muitas
casas e empresas acabaram alagadas porque as pedras de gelo
trancaram as bocas-de-lobo.
Granizo
causa maiores danos na agricultura
Conforme o agrônomo da Emater local Claudemir Ames,
na produção de hortigranjeiros, dos quatro
hectares destinados ao cultivo comercial com foleosas, como
rúcula e alface, a perda é superior a 70%,
principalmente nas produções a céu
aberto, que não estão protegidas por lonas
ou estufas.
Segundo o agrônomo, nesta época do ano, boa
parte dos produtos hortigranjeiros consumidos no município
são de produção local. “Em períodos
de entressafra, mais de 70% vem de fora. E agora, não
haverá produção local por um período
de até 40 dias. Automaticamente, o supermercado e
a fruteira irão adquirir o produto fora e repassarão
a elevação do custo para o consumidor”,
aponta.
De acordo com Ames, a “sorte” foi que esse granizo
não ocorreu em época de culturas tradicionais
e na fase crítica da soja, milho e do trigo. “A
soja está na entressafra, o milho safrinha em fase
de colheita – então não é suscetível
à chuva de granizo –, e o trigo, que foi atrasado
no plantio, está germinando ou na fase inicial de
desenvolvimento”, declara.
Conforme levantamento da Emater, a bovinocultura de leite
também sofreu estragos. Dos cerca de cinco mil hectares
cultivados com aveia, – utilizada em torno de 90%
para alimentação do rebanho leiteiro –,
aproximadamente 2.500 hectares foram afetados. “Não
dizimou, mas os agricultores perderam um pastejo (corte)”,
aponta Ames. A estimativa é que cerca de 30% da produção
de leite nos próximos 30 dias fique comprometida.
Já os estragos na lavoura do trigo ainda não
podem ser calculados. Em fase inicial do desenvolvimento
vegetativo, as perdas somente serão percebidas na
fase de perfilhamento, quando o trigo começa a mostrar
seu potencial de produção. De uma área
estimada em 11 mil hectares plantados com trigo, falta implantar
o cereal em um área em torno de 400 hectares.
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