O dia em que Vygotsky surtou

Inovação é a ação ou efeito de inovar. Por exemplo: aquilo que é novo, coisa nova, novidade. Essa palavrinha virou moda faz um tempo e agora, devido à pandemia, todos falam de um “novo normal” inovador.

O dia em que Vygotsky surtou
Tina Carvalho é Agente de Transformação da Educação, especializada em Metodologia de Trabalho por Projetos em Redes de Comunidades de Aprendizagem. Atua com Projetos Especiais na Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes. INSTAGRAN @tinacarvalho_educadora

Gosto de ler textos que relacionam inovação ao processo educativo escolar e brinco de encontrar o “dono” da inovação.


Hoje li um texto maravilhoso sobre inovação no espaço escolar. O texto falava de espaços abertos, mais amplos e arejados. Achei incrível, mas tudo isso se tratava de inovação na arquitetura.


Gamificação é uma inovação tecnológica. Eu amo essa ideia e acho que ela demorou muito para chegar até as escolas. Creio que, se ela não for usada para estimular a memorização de conteúdos fragmentados, mas sim para desenvolver estratégias de soluções de problemas complexos, será eficiente, mas se for usada somente para estimular a decoreba de conteúdos através da repetição… Socorro!


Aula invertida virou quase uma “religião” na pandemia. Parece que ela chegou para solucionar o fracasso do sistema educacional. Mas sempre que leio sobre a aula invertida, eu penso: Uma camiseta do avesso, deixa de ser camiseta? A aula invertida carrega toda a ineficiência de uma aula com seu conteúdo planejado pelo professor. 


Sem autonomia o professor, que segue um programa fragmentado, e o aluno, que segue o que o professor pede. 


Não consigo compor uma frase usando as palavras aula e inovação, pois se há aula, não há inovação.

 

Vamos pensar em inovação na educação?


Se a aula não está na lei e nem há embasamento científico, por que a escola insiste em dar aula?


A vida real é repleta de saberes desfragmentados, por que ainda se fala em conteúdo fragmentado em disciplinas nas escolas?


Se todos somos diferentes e únicos, por que as escolas padronizam o quê se deve aprender, como, quando e em qual velocidade?


A nota de uma prova diz mais sobre a capacidade de memorização ou de burlar o sistema e colar, do que sobre aprendizagem. Uma evidência de aprendizagem pode ser demonstrada de várias formas práticas. Quando aprendi a dar o lacinho nos cadarços de meus tênis, eu não fiz uma prova e mesmo assim, até hoje sei dar lacinhos, no entanto, eu fiz muita prova sobre raiz quadrada e hoje não sei fazer. Então para quê a prova? Qual embasamento científico para a prova?


O que será que Freinet, Piaget, Rogers, Teixeira, Illich, Wallon, Oliveira Lima, Kilpatrick e Dewey diriam ao saber que em pleno ano de 2020 ainda temos aulas, séries, turmas, conteúdos fragmentados por disciplinas e provas, e maquiam tudo isso para chamar de educação inovadora do futuro?


Professores, mesmo após conhecerem os estudos de Vygotsky, parecem não entender nada do que ele disse e continuam a dar aulas. E pior, às vezes dão aula sobre Vygotsky. Você conta, ou eu conto para Vygotsky?

 

NOTA DE RETRATAÇÃO: O Jornal Semanal Três de Maio/RS, prezando pela ética, comunica que a publicação  do artigo da edição 1655, de 30 de abril de 2021, sob título “Escola e Inovação” consta com autoria e título equivocados. A autora correta é Tina Carvalho e o título é "O dia em que Vygotsky surtou". Texto publicado em 4 de outubro de 2020 no blog www.alemdasformulas.com. Pedimos desculpas por qualquer transtorno causado.