Escolas devem continuar abertas na região

Coordenador do Comitê Técnico da Amufron, epidemiologista Luiz Antônio Benvegnú, orienta municípios a manter aulas presenciais e que os pais mandem seus filhos para escola

Escolas devem continuar abertas na região
Médico epidemiologista Luiz Antônio Benvegnú e coordenador do Comitê Técnico da Amufron

Com o número de casos de Covid -19 novamente em alta na região, muitos pais têm repensando a possibilidade de mandar ou não os filhos para a escola. A orientação da Amufron (Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste) é de que as escolas continuem abertas, uma vez que a escola não é vista como um espaço de disseminação da doença. O Comitê Técnico passou a receber nesta semana, as estatísticas de contaminação dos municípios para avaliar o comportamento do vírus, inclusive no ambiente escolar.


Na tarde que quarta-feira, a associação emitiu um decreto com diversas medidas restritivas para conter a disseminação do vírus. 


Para falar sobre mandar ou não os filhos na escolas, o Jornal Semanal conversou com o médico epidemiologista Luiz Antônio Benvegnú, que coordena o Comitê Técnico da Amufron. Ele explica que a orientação é de que os municípios mantenham as aulas presenciais neste momento e que as famílias mandem seus filhos para a escola. “Vamos manter as atividades na escola porque temos evidências, até agora, de que as crianças indo para a escola, com deslocamento e o convívio com outras crianças não têm provocado a disseminação do vírus, que é a grande preocupação”.


De acordo com Benvegnú, se uma criança eventualmente pegar o vírus em casa e for para a aula, isso será identificado na escola, devido os protocolos de segurança adotados pelas instituições de ensino. ‘Por enquanto, o sistema tem funcionado bem com todos os protocolos. Até agora, o que se tem observado é que pouca gente pegou Covid, seja professor, aluno ou funcionário de escolas na região. Não temos nenhum caso, da escola toda pegar Covid”, ressaltou. 


O coordenador do Comitê Técnico lembra, ainda, que crianças fora da escola, não significa que ficam seguras dentro de casa. “O risco da criança pegar o vírus na escola existe, sim. Mas o risco da criança pegar não indo para a escola, também existe. Então, podemos dizer que hoje esse risco é semelhante. Portanto, mantemos a indicação de que continuem com todos os cuidados e revezamento as atividades escolares”, orienta o coordenador, salientando que esta é uma forma de avaliação coletiva, pensando a região como um todo. 


Decisão final é das famílias


De outro lado, há as avaliações feitas pelos pais, com os elementos específicos de cada família. Conforme  o médico, há famílias que tem condições de os filhos fazerem as atividades em casa e avaliam que não haverá perda de aprendizado. Essas famílias acreditam que é melhor manter seus filhos em casa. “É uma decisão da família que acha que o risco de se contaminar, ficando em casa é menor do que o risco de pegar na escola”, exemplifica o médico epidemiologista.


Conforme Benvegnú, no entanto, também há famílias que não têm com quem deixar os filhos. “Muitas vezes, essas crianças ficam a cada dia em um lugar, ou até mesmo sozinhas em casa, ou ainda, acabam saindo para brincar com outras crianças. Nestes casos, as famílias terão outra avaliação. Para elas, o risco de pegar Covid na escola aparentemente é menor. “Então, cada família decide qual a melhor opção para seus filhos”, detalha. 


Municípios devem apresentar estatísticas duas vezes por semana


Desde quarta-feira, dia 2 de junho, os prefeitos da região devem encaminhar, duas vezes por semana, as estatísticas de contaminação por Covid-19 ao comitê regional. A partir disso, será avaliada a disseminação do vírus, inclusive nas escolas. “Se o risco aumentar e ficar maior que o benefício, será necessário fazer uma reavaliação”, conclui Luiz Antônio Benvegnú.