Projeto idealizado pelo Rotary Club quer revitalizar área do Lajeado Morangueira

Idealizado pelo clube de serviço em parceria com o poder público municipal de Três de Maio, proposta inclui revitalização, preservação e tratamento paisagístico com lagoa para conter enxurradas do lajeado que tem a nascente na área urbana do município

Projeto idealizado pelo Rotary Club quer revitalizar área do Lajeado Morangueira
O Lajeado Morangueira (demarcado entre o cotorno amarelo) é o único riacho inteiramente de Três de Maio. Sua nascente fica próximo ao parque de máquinas, praticamente na área central da cidade e desagua dentro do Rio Santa Rosa, próximo à Usina da Cooperluz, entre as comunidades N. Senhora das Dores e N. Senhora de Lourdes

O projeto Parque Morangueira, idealizado pelo Rotary de Três de Maio em parceria com o Poder Público Municipal, tem o objetivo de revitalizar e preservar o Lajeado Morangueira. A ideia é construir uma lagoa de contenção de enxurradas, junto a um projeto paisagístico para embelezar o local. 


Não se trata de uma proposta nova. Consiste na construção de uma unidade de conservação ambiental, com uma lagoa de contenção das águas pluviais drenadas do perímetro urbano para a bacia do Lajeado Morangueira, incluindo tratamento paisagístico. Esse projeto foi aprovado em 1999, no 1° Fórum Ambiental de Três de Maio, porém até hoje não foi colocado em prática.

 

A construção do projeto

De acordo com o engenheiro florestal Roque Bohnen, responsável pelo projeto apresentado pelo Rotary, Três de Maio possui cerca de 450 hectares de área urbanizada dentro da bacia do Lajeado Morangueira. Destes, cerca de 350 hectares têm suas águas pluviais drenadas para o local onde se pretende construir a lagoa. “Bacias ou reservatórios de retenção são dispositivos capazes de reter e acumular parte das águas pluviais, provenientes de chuvas intensas, de modo a retardar o pico de cheias”, explica o rotariano.


O projeto prevê construção de uma lagoa de aproximadamente 1,5 hectares, com capacidade de receber uma carga de 20.000 m³, aproximadamente, com um hectare de área verde. “Esta sobrecarga será drenada lentamente pelo extravasor durante os dois ou três dias seguintes à enxurrada. Ele terá dimensionamento para dar vazão, com segurança, a todo o volume de enxurrada, principalmente nos casos em que a lagoa estiver cheia”, explica o engenheiro. Junto ao extravasor será construída uma grade (cerca de tela) para retenção e posterior coleta dos materiais sobrenadantes transportados pelas enxurradas.

 

Projeto deverá transformar a área

“Embora não possa, dentro desta área urbana ocorrer a deposição inadequada de lixos, como plásticos, papéis, garrafas, calçados, entre outros, com a construção da lagoa, o extravasor servirá como ponto de retenção e coleta destes materiais, para posterior destinação ambientalmente correta. A lagoa também permitirá a sedimentação dos sólidos transportados pelas enxurradas, o que de outra forma seria muito difícil conseguir, evitando assim o assoreamento de outras áreas ou trechos do lajeado”, destaca o engenheiro.


O Rotary de Três de Maio ressalta a importância do envolvimento de todos os segmentos da sociedade três-maiense na concretização desta obra que resultará em muitos outros desdobramentos positivos sob a ótica da conscientização e educação ambiental. Para o idealistas do projeto, as comunidades mais diretamente envolvidas - os bairros São Francisco e Guaíra -, terão sua autoestima redobrada, pois, além de terem solucionado uma grande inconveniência, passarão a ter um local de tratamento paisagístico adequado, valorizando mais a região.


O restante da área não utilizado como lagoa, será arborizada com espécies nativas adequadas, e toda a área será dotada de paisagismo. Pelo fato do projeto ser pioneiro, ele poderá ser um bom referencial e motivador para futuros projetos.

 

A história do local


A área onde o projeto deve ser executado pertence ao município de Três de Maio e foi invadida por cerca de 24 famílias entre os anos 1990 e 1992. A área é de preservação permanente quase na sua totalidade, o que tornava impossível ao poder público investir em melhoria no local.
Nos anos de 1998 a 2000, com a construção de um novo núcleo habitacional próximo ao local, começaram as tratativas de transferência daquelas famílias para esta nova área, iniciando pelo cadastramento destas. Na mesma época, surgiu a ideia de dar uso alternativa à área para que esta não viesse a ser invadida novamente. 


Com isso, foi realizado o 1° Fórum Ambiental de Três de Maio, em junho de 1999, quando foi aprovada a proposta de fazer desta área, então chamada “Vila Sapo”, uma unidade de conservação ambiental.

 

Projeto deve sair do papel ainda em 2021

Roque explica que uma nova reunião será realizada no dia 10 de junho, quando serão definidos alguns investimentos para fazer o projeto técnico definitivo. Após, entra a parte do projeto executivo, que deve levar mais uns três ou quatro meses. As comissões do Rotary e da prefeitura se reúnem semanalmente para dar andamento no projeto.


Segundo o engenheiro florestal, a previsão é de que a obra saia ainda este ano. Antes, ainda tem uma demanda de enquadramento e licenciamento ambiental.


Na coordenação e condução do projeto está uma comissão da família rotária - Rotary, Rotaract e Interact -, e de integrante do governo municipal de Três de Maio. 

 

Lei destinando a área existe desde o ano 2000


A Lei N°. 1768/2000 de 13/06/2000, encaminhado pelo Executivo Municipal e aprovado pela Câmara Municipal de Vereadores, autoriza o município de Três de Maio a destinar esta área para instalação de uma unidade de conservação ambiental, e firmar Termo de Parceria e Colaboração com entidades do município para implantação do projeto.