Com superlotação no último domingo, diretor-executivo do HSVP diz que dia foi atípico na Urgência/Emergência

61 pacientes foram atendidos no último domingo, no setor, quando a média é de 50. Alguns casos ultrapassaram quatro horas de espera, que é considerado aceitável pelos protocolos. Igor Prestes destaca que o atendimento deve passar por remodelação, inclusive com melhorias na estrutura física

Com superlotação no último  domingo, diretor-executivo do  HSVP diz que dia foi atípico na Urgência/Emergência
Setor deve passar por remodelação no atendimento, além de melhorias na estrutura física

Relatos de pacientes que aguardaram mais de seis horas pelo atendimento médico no setor de Urgência/Emergência do HSVP (Hospital São Vicente de Paulo), no último domingo, 18, chegaram até a redação do Jornal Semanal nessa semana. 


Entre os casos, o de uma paciente idosa, com histórico de cardiopatia, que chegou por volta das 10h, com fortes dores abdominais e no peito. Foi atendida pelas 11h30 na triagem, pela enfermeira. Porém, o atendimento com o médico plantonista somente ocorreu perto das 17h. Ou seja, mais de seis horas de espera. Outro caso foi de um jovem casal, com a filha, um bebê de menos de seis meses de idade, que chegou antes das 9h. A bebê apresentava febre e dor, e chorava muito. Perto das 16h, depois de quase sete horas de espera, o casal decidiu ir embora, levando a criança sem passar pela avaliação com o médico. 


Neste dia, a emergência estava praticamente lotada em todo o tempo, segundo os relatos. Questionados sobre qual a justificativa para a demora no atendimento, os pacientes eram informados pelo atendente do setor que a prioridade são os casos de Covid-19, considerados mais urgentes neste momento. 


Além da situação relatada, vale lembrar que na Emergência são atendidos pacientes com diversos sintomas e, inclusive, os quadros gripais e os já confirmados de Covid-19. Embora haja um espaço reservado para os positivados pelo coronavírus, o ambiente é compartilhado por todos os pacientes que procuram o setor; inclusive os banheiros.

 


Domingo atípico 


Em contato com o diretor-executivo do hospital, Igor Prestes, o Semanal foi informado que neste dia, em especial, atendeu 61 pacientes, sendo que a média normal aos domingos é de 50 casos. 


Ele justificou que, dentre os casos, houve dificuldade na parte da tarde, com uma sucessão de pacientes que despenderam mais tempo e cuidados por parte da equipe. “Um dos pacientes teve parada cardiorrespiratória, intubação e acesso venoso central, que exigiu mobilização maior da equipe assistencial, especialmente do médico plantonista. Houve ainda o atendimento e internação de cinco casos de Covid-19, que exigiu maior atenção e equipe específica”, informou. 


Segundo Prestes, ainda, durante a tarde, foi atendido um grave acidente, com óbito, feridos e casos que foram para cirurgia. “Simultaneamente, mais um caso que evoluiu para uma parada cardiorrespiratória, que posteriormente faleceu”. 

 


Tempo de espera 


Sobre a demora no atendimento, o diretor-executivo destacou que o tempo médio dos atendimentos de Urgência foi de uma hora e os atendimentos classificados como não urgentes (que poderiam aguardar) tiveram uma média de quatro horas. 


“Além disso, nossa Emergência é referência para Três de Maio e microrregião, temos um plantonista e sobreaviso médico nas especialidades básicas. Sempre temos um médico nas 24 horas”, explica.


Conforme Prestes, deve haver o remodelamento do atendimento para que siga os fluxos e protocolos recomendados (Protocolo de Manchester), inclusive com melhorias na estrutura física. “No último domingo, tivemos um dia atípico, onde inúmeras vidas foram salvas, mas que infelizmente nem todos os casos não graves puderam ser atendidos no tempo esperado”, conclui Prestes.


De acordo com o protocolo, o tempo de espera para um paciente não grave (cor azul) pode ser de até 240 minutos, ou seja, quatro horas. Já os casos urgentes, são classificados na cor vermelha, em que o atendimento deve ocorrer imediatamente após a chegada no setor.