Ano XVIII - EDIÇÃO 1009

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – PICUINHAS – O que são picuinhas? Miudezas. Fuxico. Coisa de boneca mimada. Odeio-as, como muitos. Mas tem (ou há) gente que se presta para fazer isso até através de jornal. Não escreveria, se não tivesse lido. Talvez, maldosamente, queiram cercear a livre expressão. Aliás, há quem goste de censurar os comunicadores, principalmente, quando manifestam opiniões ou idéias contrárias. Uma leitura atenciosa da Constituição Cidadã, aquela de 1988, capítulos 200 a 220 poderá ajudar. Denegrir a imagem de um canal de comunicação, mesmo em forma de picuinha, é dose. É preciso ter coragem para usar o verbo no tempo presente, futuro do presente, enfim. E quem não tem coragem de mostrar a cara usa o verbo no futuro do pretérito – dá idéia de hipótese e nunca certeza, afirmação – “certa emissora teria atrapalhado...”
Então, não atrapalhou. Ou seriam necessárias algumas horas de lingüística? Considero isso absoluta falta de ética. O engajamento leva a isso, entende-se. Infelizmente, há aqueles que enxergam o cisco no olho dos outros, mas não enxergam a trave nos seus. Maldade pura. Falta de ética total.

NO PEITO – Houve retranca. Houve recesso branco. Tudo conspirando contra a economia do Rio Grande do Sul. A matéria só seria apreciada, no dia 01 de julho. E teve gente apostando que a sessão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, para avaliar o empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Mundial, não teria quórum. Mas o senador intrépido Pedro Simon, do PMDB, levou no peito, abriu a sessão com a presença mínima de 17 senadores, no dia 24 de junho, e conseguiu a aprovação da matéria na amarra. E de quebra ainda conseguiu aprovar a votação em caráter de urgência. Por isso, quando há retranca e má vontade, é preciso haver alguém que meta o peito. Pedro Simon sempre teve minha admiração, por isso. O senador peemedebista olha o mapa do Rio Grande e não a sigla do partido.

MINHA TESE – Sempre defendi a tese do voto facultativo. Os que me lêem sabem disso. Agora, tramita no Senado uma proposta de emenda constitucional, cujo relator é o senador Eduardo Suplicy, do PT, propondo o voto facultativo. Pergunto de novo: por que num país democrático o voto tem que ser obrigatório? A gente nunca sabe quando esta matéria vai ser apreciada, ou se vai ser apreciada algum dia.

PRODUTIVIDADE – Neste momento de escassez de alimentos em todo o mundo e os altos preços das commodities, a busca da produtividade é uma saída. Vejam o caso do arroz gaúcho – média de sete mil quilos por hectare. Os produtores conseguiram esta média na última safra graças ao emprego de alta tecnologia. O problema é o alto preço da tecnologia.

PARAÍSO DAS LÁCTEAS – Definitivamente, o Rio Grande do Sul virou o paraíso das indústrias de laticínios. Já escrevi outro dia que o Estado é o segundo produtor de leite do Brasil, só perdendo para Minas Gerais. Agora, a uruguaia Conaprole está negociando com o governo estadual a instalação de uma planta de lácteos em território gaúcho. O investimento anunciado é de R$ 200 milhões. O município onde a empresa do vizinho país pretende se instalar é Ivoti, no Vale do Sinos. A previsão é de captar um milhão de litros por dia. Haja leite, meus amigos.

SÓ O ELEITOR HONESTO PODE MORALIZAR A POLÍTICA BRASILEIRA.

RUMORES
– Existem fortes rumores de que a legislação eleitoral será muito severa nas próximas eleições, para evitar a corrupção e a histórica imoralidade. Mas que vai correr dinheiro e vão correr promessas e favores não tenham dúvidas. Cabe à Justiça Eleitoral ficar de olho aceso. Cabe aos eleitores entregar os compradores de votos. Aliás, já existem rumores de aliciamentos. O dinheiro sujo compra votos, compra pessoas, compra tudo. Compra até a alma de pessoas que se deixam subverter pelo vil metal. Ou os eleitores querem este Brasil enlameado?

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