Ano XVIII - EDIÇÃO 1006

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – BATE-BOCA – E continua o bate-boca do presidente Lula com o resto do mundo. Principalmente, com os governantes dos países ricos. O assunto é o dos biocombustíveis, do etanol. Querem constranger o Brasil e, talvez, não produzir biocombustíveis. Por isso, usam o argumento fajuta, digamos fajuta, de que o Brasil estaria ocupando espaço, para produzir cana-de-açúcar, onde deveriam ser produzidos alimentos. E, além disso, estaria avançando na floresta amazônica. O presidente Lula, com muita garra, tem defendido a produção de biocombustíveis pelo País e tem rechaçado as injúrias e inverdades quanto à forma de como se processa a produção de combustível limpo no Brasil. Não estão sendo usados os argumentos corretos para explicar a escassez de alimentos, alegando que os biocombustíveis estariam tomando o lugar dos alimentos. Na verdade, Lula e outros países da América do Sul defendem a tese de que a elevação dos custos dos alimentos se deve à elevação exagerada do petróleo, dos insumos e dos subsídios agrícolas. Com certeza, vai rolar muita ronha, envolvendo estes dois temas: escassez de alimentos e produção de biocombustíveis. Chegou a hora e a vez do Brasil. Não lhes parece?

BACIA LEITEIRA – Já escrevi nesta coluna que o leite está passando por um bom momento. Querem ver? O Rio Grande do Sul é, hoje, o segundo produtor de leite do País, só perdendo para Minas Gerais. E a região Noroeste do Estado tem a maior bacia leiteira do Rio Grande do Sul: cerca de 65% da produção é daqui. Existem estimativas, em face da demanda futura e das boas perspectivas de preços, de a produção gaúcha subir dos atuais sete milhões de litros diários para 12 milhões. Os preços é que vão ditar o rumo a ser tomado pelos produtores de leite.

TAXA SELIC – Apesar de ter dito o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que “a inflação está sob controle”, o Comitê de Política Monetária/Copom elevou a taxa básica Selic em mais 0,5%, passando para 12,25%. Nos primeiros cinco meses deste ano, a taxa básica já foi elevada em um por cento, com o objetivo de controlar a inflação. A previsão é de que a taxa Selic continue subindo, podendo atingir os 14% ao ano, em 2008, caso a inflação não ceda.

JUROS ALTOS – “Alimentar a taxa de juros não resolve. O Brasil precisa de investimentos, de riqueza, da geração de empregos”. Posição do presidente da Federasul, José Paulo Cairoli.

MAIS JUROS: “Juros mais altos elevarão os custos e aumentarão os preços dos produtos para os consumidores”. Assim pensa o presidente da Fiergs, Paulo Tigre.

PIZZA – E a fábrica de pizza gigante, tamanho família, funcionou de novo, na ilha da fantasia. A CPI do Cartão Corporativo perdeu 87 dias e, ao fim e ao cabo, ninguém foi indiciado. Todos foram inocentados das irregularidades cometidas com o sagrado dinheiro do povo. Os ministros envolvidos se equivocaram, usando o cartão corporativo, ao invés do seu. Acredite, se quiser.

UMA PERGUNTA que não quer calar. Com esta CPI do Detran, o PT quer apenas enfraquecer o governo Yeda Crusius – que começa a mostrar pálidos resultados – ou quer botar o vice, Paulo Afonso Feijó, no Piratini?

MAQUIAVELISMO – Os políticos todos precisavam ler O PRÍNCIPE, de Niccolo Machiavelli, para aprender como não se faz. O autor, que escreveu sua obra no século XV, ensina como os fins justificam os meios. Ele ensina como usar a astúcia. A maioria deles, dos políticos, realmente, não olham os meios que usam, mas os objetivos que querem atingir, nem que preparem uma gororoba intragável. Gororoba que os munícipes, os cidadãos, os contribuintes, os eleitores, o povo têm que engolir. (O Príncipe faz parte da minha modesta biblioteca). Tanto viram e mexem, até que os homens bons saem da vida pública.

DE QUEM O MÉRITO? – Enquanto a economia brasileira apresentava resultados faceiros, o governo federal puxava para si todos os méritos. Agora, com esta escassez de alimentos, o aumento incontrolável dos preços, a disparada da inflação, juros em alta, câmbio miseravelmente baixo, a culpa é remetida para fatos exógenos – do exterior. A culpa é da alta do petróleo, da especulação, dos subsídios agrícolas. Dois pesos e duas medidas. A equipe econômica do governo tem que assumir, também, o mau momento e tomar as providências cabíveis, ao invés de culpar os estrangeiros.

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