Ano XVIII - EDIÇÃO 1005

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – QUEM É O DONO? Estou perguntando quem é o dono da Amazônia. Nunca se falou tanto da Amazônia como agora. Virou matéria obrigatória lá fora e cá dentro. Lá fora querem internacionalizar a Amazônia e questiona-se a soberania do País sobre a região. Enquanto isso, Lula diz que ela tem dono. E o dono, segundo o presidente, é o povo brasileiro. Trata-se, na minha ótica, de meia-verdade. Na verdade, o governo, através do Ministério do Meio Ambiente, não consegue conter a piratagem, o desmatamento, os saques, as queimadas, o avanço da destruição ambiental. Demais disso, a região está coalhada de estrangeiros, que se infiltram na floresta, para buscar riquezas naturais e se adonar da área. Então, a questão ambiental é um desafio quase perdido para o governo brasileiro. O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que tomou posse, no dia 27 de maio, data do início da Semana do Meio Ambiente, até pensa em atribuir ao Exército a guarda da Amazônia, puxando uma velha tese de 15 anos atrás do programa Calha Norte, torpedeado, na época, pelos esquerdistas e ambientalistas radicais. É preciso dar um jeito, para proteger e tomar posse definitivamente da maior reserva florestal do planeta. Nisso é bom pensar dentro da Semana do Meio Ambiente e durante o tempo todo.

ESPECIALISTAS NORTE-AMERICANOS QUE JÁ MORARAM NO BRASIL DEFENDEM ETANOL DE CANA-DE-AÇÚCAR. Para o colunista do New York Times Roger Cohen, o etanol de cana é o substituto lógico para o petróleo. O colunista também disse que “a idéia de que a Amazônia está sendo destruída para produzir etanol é absurda”.

BALANÇO DE PAGAMENTOS – Tem déficit recorde. O que quer dizer isso? Quer dizer que o Brasil está importando mais do que exportando. Há um desequilíbrio negativo nas contas. Sucede que o valor negativo acumulado até abril é de US$ 14,1 bilhões. Foi o pior resultado para o período da história. Bem maior que a previsão do Banco Central para todo ano de 2008. Nos próximos meses, o déficit não deve manter o mesmo ritmo. Deverá haver uma regularização dos fluxos comerciais.

SEDE – De que existe sede insaciável, voracidade inatacável, não há mais a menor dúvida. Virou e mexeu, a extinta CPMF volta com outro nome e com outra alíquota. Ela foi desenterrada com o nome de Contribuição Social para a Saúde/CSS. Alíquota de 0,10%. Não bastou que a arrecadação dos cofres da União abocanhassem R$ 102 bilhões a mais do que no exercício anterior. A alíquota sairá, de novo, da movimentação financeira. Claro que isso também serve para fiscalizar a movimentação de dinheiro dos cidadãos, através do cheque. O governo, como se vê, quer fazer saúde pública à custa do dinheiro do povo, através do aumento da carga tributária. É a sede arrecadatória. O cara-de-pau do ministro José Múcio Monteiro ainda teve a coragem de afirmar que “o governo não participará da recriação da CPMF”.

O PLANETA TERRA PEDE SOCORRO. Lembre-se disso, pelo menos, hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente. Lembre-se, também, que o grande tema do momento é a preservação da floresta amazônica.

PAC ESTÁ DEVAGAR – O Programa de Aceleração do Crescimento está devagar. Está acelerando pouco. De 02 de janeiro a 30 de abril, foram empenhados apenas R$ 2,5 bilhões dos R$ 17,2 bilhões previstos para 2008. Isto representa tão-somente 14,4% do total a ser gasto, neste ano, em obras de saneamento, rodovias, terminais portuários e aeroportos, irrigação, entre outros.

SETOR LEITEIRO – Está em alta. A bacia leiteira na região tende a crescer muito nos próximos tempos. A demanda das indústrias que estão sendo implantadas deve aumentar quilometricamente. O que vai motivar os produtores, sem dúvida, vão ser os bons preços do produto. O presidente da Emater, Mário Nascimento, que esteve no dia de campo da 9ª ExpoGiruá, confirmou que serão investidos R$ 465 milhões no setor. Pelo menos, temos um sinal de diversificação rendosa e segura. Pena que o insumo caro prejudica a bacia leiteira.

ALTA DOS FERTILIZANTES – Para o presidente do Sindicato da Indústria de Adubos do Rio Grande do Sul, a alta dos fertilizantes chegou para ficar. Má notícia, sem dúvida, para os produtores primários, que tiveram alguns momentos para respirar com os bons preços das commodities. E a justificativa da continuidade da alta cotação dos insumos é que o Rio Grande do Sul importa 100% da matéria-prima e, por isso, é 100% dependente do mercado internacional na composição dos preços. Durma-se com um barulho desses. Quem pode ensinar o segredo para produzir alimentos baratos com insumos caros?

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