Ano XVIII - EDIÇÃO 1004

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – VILÕES, QUEM SÃO? – Afinal de contas, quem são os vilões? No momento, são os produtores rurais. Por quê? Porque não produzem alimentos abundantes e baratos para todo mundo, principalmente, os consumidores do Primeiro Mundo. Acusam os produtores do Brasil que, ao invés de plantar alimentos para consumo humano e animal, estariam produzindo matéria-prima para etanol. Mentira deslavada. Não lembram eles que produzir custa caro. Não lembram eles que os insumos aumentaram assustadoramente. Aumentaram os combustíveis, os fertilizantes, os agrotóxicos, as máquinas e os equipamentos e, também, a mão-de-obra. Depois há os impostos e as taxas, os riscos. As condições climáticas atrapalham demais os produtores Se plantar fosse tiro-e-queda, as coisas seriam bem mais fáceis. Há os contratempos do tempo inclemente. Assim é fácil achar que os produtores rurais são os vilões. Na verdade, eles são os heróis, os eternos sacrificados. Sobre eles pesam os preços baixos dos produtos e altos dos insumos e as inclemências das intempéries. Ninguém lembra disso.

VEJA SÓ – Os gastos com sementes, adubos, defensivos e outros custos operacionais para plantar um hectare de soja na próxima safra somam, hoje, R$ 581,00, ante os R$ 405,00 da safra anterior. Durma-se com um barulho desses. Querem que os produtores continuem produzindo alimentos abundantes a preços baixos. Está na cara que o custo da produção é ameaça séria à safra. O preço médio do fertilizante é o maior praticado nos últimos nove anos.

COMBUSTÍVEL DO FUTURO – Poderá ser o hidrogênio e não o etanol. Na Islândia já existem veículos movidos a hidrogênio. Nos próximos anos, todos os veículos automotores daquele país da região nórdica serão movidos a hidrogênio. Sabem vocês qual a matéria-prima do hidrogênio? É a água. Lembrem-se que a fórmula química da água é H20. Duas moléculas de oxigênio e uma de hidrogênio. Através da eletrólise se decompõe a água e resulta o hidrogênio como combustível, descartando-se o oxigênio. Fácil, né? Na prática, a teoria é outra.

VOCÊ SABIA QUE DO CAPIM-ELEFANTE É POSSÍVEL PRODUZIR-SE ETANOL?

MAIS MODELOS – Chegou-me aos ouvidos que Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, nos últimos três anos, atraiu 120 empresas. A queda do dólar e as campanhas antitabagismo – Santa Cruz do Sul é a Capital do Fumo – atingiram a economia do município. Então, a administração municipal apostou na atração de investimentos. Que vieram. Este, sem dúvida, é mais um modelo a ser imitado.

O CENÁRIO É INCERTO PARA A PRÓXIMA SAFRA. CAUSA: ALTO CUSTO DOS INSUMOS. A Assembléia Legislativa realiza a CPI dos Insumos, para investigar o aumento exagerado dos insumos agrícolas, cujos trabalhos começaram, na última segunda-feira.

LIBERDADE DOS IMPOSTOS – Vejam o que acontece todos os anos, em Novo Hamburgo, desde 2004. Algo ultra-original. Lá se comemora todos os anos o Dia da Liberdade dos Impostos. Claro, cada ano em data diferente. Neste ano, foi, no dia 27 de maio, terça-feira. A data é simbólica e representa o último dia do ano em que o contribuinte brasileiro trabalha exclusivamente para pagar tributos ao governo. Quer dizer, em 2008, eu, tu, você, todos os cidadãos temos que trabalhar quatro meses e 27 dias para pagar impostos. Três dias a mais do que em 2007. Por isso, a data do Dia da Liberdade dos Impostos é móvel, porque cada vez aumenta mais a carga tributária. A partir desta semana, cada um trabalha para si.

ATIVIDADES – Para comemorar a passagem da data, lá em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, houve várias atividades. Vejam só. Na Rua Lucas de Oliveira, foi montada uma estrutura, com toldos, palco, estandes e balcão para distribuição de senhas. Neste dia, 150 produtos foram vendidos aos consumidores com a subtração dos impostos. E um carro zero quilômetro foi sorteado sem a incidência de tributos. Em Porto Alegre, o litro de gasolina foi vendido a R$ 1,20, só no dia 27. Que tal!

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