Sobras
que viram lixo
Maioria
dos restaurantes e bares de Três de Maio joga restos de alimentos no lixo comum.
No Brasil, não há lei específica sobre
doação de alimentos, porém a responsabilidade
para quem doar alimento e este causar prejuízos à saúde é do
estabelecimento comercial doador.
o
Brasil, calcula-se que 40% da comida produzida vai parar
no lixo. Com isso, perde, por ano, o equivalente a 1,4%
do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, R$ 15 bilhões,
o que representa mais de R$ 1 bilhão por mês,
com alimentos que deixam de ser aproveitados, ao mesmo
tempo em que mais de 54 milhões de brasileiros
sofrem de desnutrição e de doenças
causadas pela falta de alimentação adequada.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o desperdício no consumo doméstico
de alimentos chega a 20%.
Empresas do ramo de alimentos, como os restaurantes e bares,
poderiam ter um melhor aproveitamento de suas sobras. Além
da questão econômica, o uso racional, como
reaproveitamento desse alimento, poderia melhorar a qualidade
alimentar de grande parte da população. Mas
não foi isso que constatou a reportagem do Jornal
Semanal. Em um levantamento realizado em quatro restaurantes
de Três de Maio, apenas um dá o destino correto
aos alimentos que sobram dos pratos de seus clientes, ou
das panelas da cozinha.
De acordo com o diretor de Meio Ambiente do município,
Luís Inácio Kunz, é de responsabilidade
da fonte geradora o destino final das sobras, que não é o
lixo comum. Conforme a Lei Municipal n° 1455/96, capítulo
2, artigo 16, parágrafo 3, “não é considerado
de responsabilidade da municipalidade o recolhimento de
resíduos provenientes de estabelecimentos industriais,
comerciais e de prestação de serviço
(...)”. Kunz explica que a única responsabilidade
do poder público é recolher o lixo doméstico,
aquele gerado dentro das residências. “No caso
da sobra de comida de restaurantes, o próprio estabelecimento
deve dar o destino adequado”, explica Kunz.
O diretor explica que o destino correto seria depositar
em um local adequado e específico as sobras, porém
reconhece que no município não existe um
local apropriado para este fim. No entanto, ele sugere
outras soluções. “O ideal seria doar
as sobras para criadores de animais, como peixes, suínos
e aves”, explica Kunz.
De acordo com os donos de estabelecimentos alimentícios
do município, a maioria das sobras vai parar no
lixo comum, para que seja recolhido pelo caminhão
de lixo. Alguns destinam as sobras para os animais domésticos
dos próprios proprietários, como é o
caso de Roberto de Paris Dutra, que utiliza ossos, restos
de carne, arroz e feijão para os seus cachorros.
No estabelecimento, 20% dos alimentos produzidos viram
sobras. Já o sócio-proprietário de
um outro restaurante, Marcelo Burtzlaff, revela que parte
das sobras são doadas para alimentação
de cães, porém o restante vai para o lixo. “Diariamente
temos aproximadamente 15 kg de lixo orgânico, e a
maioria vai para o lixo comum”, ressalta Marcelo.
A sócia-proprietária de outro restaurante,
Elsa Maria Salazar, a Katia, é a única que
dá o destino correto. Ela conta com o apoio de um
produtor de suínos, que diariamente deixa em seu
estabelecimento baldes limpos para o depósito dos
restos. “Não jogamos nada no lixo. Toda a
sobra, bem como as cascas das frutas e verduras vão
para o balde, com o que é produzido lavagem. Ficamos
felizes por contar com um agricultor que tem responsabili-dade
e capricho”, comemora.