Ano XVIII - EDIÇÃO 1002

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Sobras que viram lixo
Maioria dos restaurantes e bares de Três de Maio joga restos de alimentos no lixo comum. No Brasil, não há lei específica sobre doação de alimentos, porém a responsabilidade
para quem doar alimento e este causar prejuízos à saúde é do estabelecimento comercial doador.

o Brasil, calcula-se que 40% da comida produzida vai parar no lixo. Com isso, perde, por ano, o equivalente a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, R$ 15 bilhões, o que representa mais de R$ 1 bilhão por mês, com alimentos que deixam de ser aproveitados, ao mesmo tempo em que mais de 54 milhões de brasileiros sofrem de desnutrição e de doenças causadas pela falta de alimentação adequada. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desperdício no consumo doméstico de alimentos chega a 20%.
Empresas do ramo de alimentos, como os restaurantes e bares, poderiam ter um melhor aproveitamento de suas sobras. Além da questão econômica, o uso racional, como reaproveitamento desse alimento, poderia melhorar a qualidade alimentar de grande parte da população. Mas não foi isso que constatou a reportagem do Jornal Semanal. Em um levantamento realizado em quatro restaurantes de Três de Maio, apenas um dá o destino correto aos alimentos que sobram dos pratos de seus clientes, ou das panelas da cozinha.
De acordo com o diretor de Meio Ambiente do município, Luís Inácio Kunz, é de responsabilidade da fonte geradora o destino final das sobras, que não é o lixo comum. Conforme a Lei Municipal n° 1455/96, capítulo 2, artigo 16, parágrafo 3, “não é considerado de responsabilidade da municipalidade o recolhimento de resíduos provenientes de estabelecimentos industriais, comerciais e de prestação de serviço (...)”. Kunz explica que a única responsabilidade do poder público é recolher o lixo doméstico, aquele gerado dentro das residências. “No caso da sobra de comida de restaurantes, o próprio estabelecimento deve dar o destino adequado”, explica Kunz.
O diretor explica que o destino correto seria depositar em um local adequado e específico as sobras, porém reconhece que no município não existe um local apropriado para este fim. No entanto, ele sugere outras soluções. “O ideal seria doar as sobras para criadores de animais, como peixes, suínos e aves”, explica Kunz.
De acordo com os donos de estabelecimentos alimentícios do município, a maioria das sobras vai parar no lixo comum, para que seja recolhido pelo caminhão de lixo. Alguns destinam as sobras para os animais domésticos dos próprios proprietários, como é o caso de Roberto de Paris Dutra, que utiliza ossos, restos de carne, arroz e feijão para os seus cachorros. No estabelecimento, 20% dos alimentos produzidos viram sobras. Já o sócio-proprietário de um outro restaurante, Marcelo Burtzlaff, revela que parte das sobras são doadas para alimentação de cães, porém o restante vai para o lixo. “Diariamente temos aproximadamente 15 kg de lixo orgânico, e a maioria vai para o lixo comum”, ressalta Marcelo.
A sócia-proprietária de outro restaurante, Elsa Maria Salazar, a Katia, é a única que dá o destino correto. Ela conta com o apoio de um produtor de suínos, que diariamente deixa em seu estabelecimento baldes limpos para o depósito dos restos. “Não jogamos nada no lixo. Toda a sobra, bem como as cascas das frutas e verduras vão para o balde, com o que é produzido lavagem. Ficamos felizes por contar com um agricultor que tem responsabili-dade e capricho”, comemora.


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