Mercado imobiliário se mantém aquecido

Em Três de Maio, a crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus não afetou o mercado imobiliário. De acordo com os corretores de imóveis onsultados pelo Jornal Semanal, a alta no preço dos grãos, queda dos juros para financiamento e a queda nos rendimentos de aplicações financeiras são apontados como motivos para estabilidade

Mercado imobiliário se mantém aquecido
Com preços variados, os loteamentos vêm atraindo muitas famílias para a realização do sonho da casa própria, além de investidores

Mercado imobiliário se mantém estável no primeiro semestre

Juro baixo e demanda por imóveis mais espaçosos impulsionam vendas. RS tem aumento de 19,4% no financiamento imobiliário no primeiro semestre. Em Três de Maio, setor foi um dos menos impactados pela recessão econômica

O mercado imobiliário tem apresentado resultados positivos em todo o Brasil, apesar da expectativa inicial que era de queda no desempenho em 2020, em razão da pandemia do novo coronavírus. A taxa básica de juros (Selic) no patamar mais baixo da história – 2% ao ano –, somada a uma nova demanda por imóveis mais espaçosos, criada pelo confinamento, ajudaram a impulsionar as vendas.
Muita gente tem feito as contas e buscado outro imóvel para morar, atendendo às novas necessidades que foram descobertas nesse período em que as pessoas ficaram mais tempo em casa. As características nos imóveis passaram a ser diferentes daquelas que eram valorizadas antes da pandemia, como o tamanho maior das residências e a existência de espaço aberto ou área de varanda, por exemplo. Outra coisa que pode mudar o mercado imobiliário é a tendência do aumento de trabalho em regime home office, que faz com que as pessoas não sintam mais a necessidade de morar perto dos locais de trabalho e possam comprar imóveis mais afastados dos centros urbanos.
Essas tendências são confirmadas pela terceira versão da pesquisa “A influência do Coronavírus no mercado imobiliário brasileiro”, divulgada pelo Grupo ZAP. Os dados mostraram que a procura por imóvel voltou a ganhar velocidade e que atributos como vista livre, varanda e ambientes bem divididos passaram a ser mais valorizados pelo consumidor. Para 38% dos entrevistados, ter um imóvel que seja uma casa é considerado muito importante. Além disso, para 51% deles também é muito importante ter um imóvel maior.
O mercado está otimista, embora haja o receio de que a situação desande, se o desemprego seguir aumentando, e a economia não apresentar sinais de melhora nos próximos meses. Com isso, a tendência é que os preços permaneçam estáveis.
O levantamento Raio-X FipeZap, realizado com dados do primeiro trimestre deste ano, apontava para uma expectativa de queda nominal de 5,6% no preço dos imóveis ao longo dos próximos 12 meses, em contraponto à alta nominal de 0,9% esperada pelos agentes do mercado no último trimestre de 2019. 
No entanto, o que se observou nos meses seguintes foi um aumento nas vendas que surpreendeu o setor. O Índice FipeZap – indicador com abrangência nacional que acompanha os preços de venda e locação de imóveis no Brasil – apresentou alta nominal de 0,23% do preço médio de venda em maio, superando as variações observadas em abril (0,20%) e em março (0,18%).

RS financiou 18,63% unidades a mais do que 
no mesmo período de 2019

No Rio Grande do Sul, os financiamentos imobiliários cresceram 19,4% no primeiro semestre. Com isso, somaram R$ 2,56 bilhões em empréstimos para compra e construção de imóveis com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O levantamento foi realizado com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Na primeira metade de 2020, foram financiadas 11 mil unidades, 18,63% superior ao mesmo período de 2019.
O volume financiado em junho indicou o melhor resultado dos últimos três anos. Foram R$ 538,52 milhões, um crescimento de 38% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram financiados no mês passado 2,2 mil imóveis, um número de unidades 61,35% maior do que em junho de 2019. As informações são do coordenador da Comissão da Indústria Imobiliária do Sinduscon-RS, Gustavo Kosnitzer.

Alta no preço dos grãos, queda nos juros de financiamento e o baixo rendimento em aplicações financeiras são apontados como motivos para estabilidade do mercado imobiliário em Três de Maio

Em Três de Maio, a crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus não afetou o mercado imobiliário. De acordo com os corretores de imóveis consultados pelo Jornal Semanal, essa ‘blindagem’, diferentemente de grandes centros, se deve a alta no preço dos grãos, já que o município tem na agricultura o seu ponto forte, e o baixo rendimento em aplicações financeiras. Os dois fatores influenciaram a estabilidade do setor, garantem os corretores de imóveis.
Os profissionais do ramo imobiliário explicaram que logo no início da pandemia houve uma queda na procura por imóveis, devido ao medo e incertezas. “No começo da pandemia havia uma expectativa de redução na comercialização de imóveis em função do horizonte incerto. Porém, com o passar do tempo, estamos percebendo uma maior procura por imóveis. Isto se deve, também, pelo fato dos investimentos em renda fixa estarem rendendo muito pouco. As pessoas estão procurando imóveis para ter um rendimento maior que a poupança”, explica o corretor Geison Schmitz.
O fato de ser um município com raízes agrícolas também influenciou no bom desempenho. “Somos de uma região essencialmente agrícola e esse setor da economia está aquecido. Talvez este seja um dos fatores que ajudou na estabilidade do mercado imobiliário”, acredita o corretor Cristiano Massuda Grenzel.

Adilson Koscrevic

 

Evandro Scherer

 

Gerson Ceccon

 

Wagner Vianna

 

Cristiano Grenzel

 

Luís Loro

 

Geison Schmitz

 

Dorival Valdir Juchem

 

Maior procura é por terrenos
De acordo com a maioria dos corretores de imóveis de Três de Maio, nos últimos meses a maior procura no setor tem sido por terrenos. “A queda dos juros para financiamento e a queda nos rendimentos de aplicações financeiras, fizeram com que a busca por terrenos disparasse durante a pandemia”, explica o corretor Wagner Vianna.
Com uma grande oferta de terrenos, principalmente nos loteamentos que surgiram nos últimos anos, a faixa de preço varia de R$ 50 mil a R$ 120 mil. De acordo com o corretor Gerson Ceccon, a procura por terrenos em loteamentos tem tendência de aumento, pois é um investimento seguro. “Sempre existe a possibilidade de venda em caso de necessidade”, justifica.


Oferta e procura
Em sua maioria, os corretores dizem que a oferta de imóveis é maior do que a procura. Mas para Evandro Antonio Scherer e Cristiano Massuda Grenzel, neste momento, a procura é maior do que a oferta. “Nos últimos tempos temos percebido uma maior procura por casas prontas, na faixa de preço de R$ 250 mil”, destaca Grenzel.
Já, Geison Schmitz diz que tem percebido um déficit de imóveis na cidade, tanto para venda, quanto para locação. “Estamos deixando de atender o cliente, pois não encontramos imóveis para venda, nem locação”, explica. Segundo ele, a faixa de valor de maior procura é de R$ 250 mil à R$ 450 mil. Quanto a locação, Geison diz que o mercado também está aquecido, mas os corretores estão com toda a carteira locada. De acordo com ele, há clientes esperando por um padrão de casa (de alvenaria, com chapada, em boa localização) para locação, mas não há imóveis deste tipo disponíveis para alugar.
O corretor Gerson Ceccon defende que a procura por casas e terrenos está bem equilibrada. “Na minha imobiliária, a faixa de valores mais procurada para casas novas ou seminovas é entre R$ 200 mil e R$ 350 mil. Com relação aos terrenos, o valor varia entre R$ 70 mil e R$ 120 mil, que possam ser financiados”. Segundo ele, a maioria dos compradores procura imóveis que aceitem financiamento habitacional, mas há, também, investidores que usam valores guardados em aplicações para compra de imóveis.
Segundo o corretor Adilson Koscrevic, a procura maior é por imóveis de médio padrão, até a faixa de R$ 400 mil. “A procura está boa e as taxa de juros começam a ficar interessante para investimentos”, argumenta.


Melhor momento para comprar imóveis
Para quem está pensando em comprar imóveis, seja para morar, construir ou alugar, este é o período ideal, já que os preços estão estáveis, avaliam os corretores. “O momento de comprar é agora, pois quando a economia voltar a crescer, há forte tendência de alta. Devido às aplicações financeiras, especialmente a poupança, estarem com o rendimento baixíssimo, de 0,13% ao mês, o investimento no imóvel como objeto de locação é mais rentável”, explica o corretor Luís Carlos Loro.
Para o corretor Dorival Valdir Juchem, mesmo com os preços dos imóveis estáveis, é necessário uma certa flexibilização. “Quem realmente quer vender, precisa baixar um pouco o valor do imóvel”, argumenta. Segundo ele, sempre é possível achar um bom negócio, mas é preciso pesquisar bastante.