Após sete meses, o retorno tão esperado à sala de aula

Foi baixa a adesão ao retorno das aulas presenciais dos alunos da rede particular de ensino de Três de Maio, principalmente dos estudantes do Ensino Médio, apesar de todas as medidas de segurança adotadas pelas instituições. O Colégio Dom Hermeto voltou com as aulas presenciais no dia 13 e a Setrem no dia 14, ambos para os alunos da Educação Infantil e do Ensino Médio. Entre os pais entrevistados pelo Semanal, a maioria disse estar confiante e que a decisão ocorreu depois das famílias avaliarem os protocolos de segurança adotados pelas escolas. A volta ao ensino presencial é opcional, uma vez que aulas online continuam para quem optar pelo ensino remoto.

Após sete meses, o retorno tão esperado à sala de aula
Nem mesmo a máscara conseguiu esconder a alegria do pequeno João Augusto Foletto Grenzel, de 2 anos e 11 meses, ao retornar para o ambiente escolar | Rafael Borges Rambo, de 4 anos e 2 meses, ficou muito à vontade ao passar pelos protocolos de higienização para retornar à sala de aula, depois de sete meses

Setrem e Dom Hermeto registram baixa adesão dos alunos nos primeiros dias de aula presencial

 

O retorno é facultativo; pais ou responsáveis podem escolher se o aluno permanece nas aulas no modo virtual ou retorna para o ambiente escolar

 

O maior número de alunos que retornou às aulas presenciais no Colégio Dom Hermeto pertence à Educação Infantil

 

Nem mesmo a máscara facial conseguiu esconder o sorriso das crianças nesta semana. “Sorrindo com os olhos” os pequenos retornaram cheios de alegria e expectativa para a sala de aula, na Educação Infantil, das instituições privadas de Três de Maio. Foram quase sete meses longe das salas de aulas.


No Colégio Dom Hermeto, a volta às atividades presenciais ocorreu na terça-feira, 13, para os estudantes da Educação Infantil (no turno da tarde) e do Ensino Médio (turno da manhã); enquanto na Setrem, retornaram à escola os alunos da Educação Infantil (na unidade São Paulo) e Ensino Médio (Campus).


Aos 2 anos e 11 meses de idade, o pequeno João Augusto Foletto Grenzel, chegou feliz da vida no Colégio Dom Hermeto, acompanhado dos pais Vinícius e Cristiane. Quase nem deu tempo de se despedir dos pais, na porta da escola, tanta era a ansiedade para voltar ao ambiente escolar e ao convívio dos coleguinhas e professores. 


Na Educação Infantil da Setrem também não foi diferente. Entre sorrisos – e até algumas lágrimas –, as professoras faziam a acolhida das crianças, dando boas-vindas com muito carinho, embora sem  contato físico, sem beijos ou abraços.
O pai Adriano Rambo levou o filho Rafael Borges Rambo, de 4 anos e 2 meses, para a Creche III da Educação Infantil da instituição. Ele e a esposa Francielle decidiram levar o filho à escola por ter a confiança que a Setrem proporciona um ambiente seguro, com as devidas medidas adotadas.


“E entendemos, também, que as crianças precisam desse ambiente escolar. Claro que com os devidos cuidados; por isso nos sentimos tranquilos em mandar ele para a escola”, afirma Adriano.


Entre os pais que a reportagem do Semanal conversou, a maioria disse estar confiante neste retorno. Muitos estavam tão contentes quanto os filhos. A decisão deles ocorreu depois da família avaliar os protocolos de segurança adotados pelas escolas privadas. Outros declararam que vão observar este primeiro momento e a adaptação das crianças à essa nova realidade. Em ambas as escolas, a volta ao ensino é facultativo sendo uma decisão da família do estudante,  já que o decreto estadual prevê e permite essa condição. 

 

As crianças seguem todos os protocolos de higienização antes de entrar para a escola

 

 

40% das crianças da Educação Infantil já retornaram no Colégio Dom Hermeto

 

No Colégio Dom Hermeto, a adesão da Educação Infantil é o dobro (chega a 40%) que o retorno dos estudantes no Ensino Médio. 


Segundo o diretor Gildor Scherer, a retomada é gradual e a escola faz uma agenda semanal com a inscrição dos alunos que desejam retornar. Porém, pela capacidade das salas de aula, mais estudantes poderiam estar presentes neste momento. “Como temos aulas online, muitas famílias estão optando por continuar nesse modelo virtual/ híbrido”, destaca. 


Na Educação Infantil, até o momento as crianças podem frequentar as aulas todos os dias da semana, porque a escola tem espaço suficiente para atender a essa demanda.


Gildor reforça que é um momento delicado, único, de muito cuidado e zelo. “A cada dia fazemos uma análise do que deu certo e o que precisa ser ajustado, melhorado, para que possamos atender aos alunos com toda a segurança e aproveitamento pedagógico. A experiência dos primeiros dias de retorno foi muito significativa e importante. Mesmo diante da atual situação, as crianças estão vindo com entendimento do que está acontecendo e estão colaborando. Cada vez mais vamos ter que aprender a cuidar de si, do outro e do meio em que vivemos. É um novo processo que se forma; é o momento de agregar estes valores desde as crianças aos adultos também”, conclui o diretor.

 

 

Na Setrem, investimentos para garantir retorno seguro

 

Na Setrem, o retorno dos estudantes da Educação Infantil ocorreu na última quarta-feira

 

Na Setrem, o retorno das atividades presenciais em sala de aula ocorreu na manhã de quarta-feira, 14, aos estudantes da Educação Infantil (de zero a cinco anos) e do Ensino Médio. Para os estudantes dos Cursos Técnicos e Ensino Superior, foram retomadas apenas as atividades práticas.


O diretor-geral da instituição, Sandro Ergang, classificou o momento como um marco de esperança, de “acreditar que logo ali na frente haverá uma possibilidade de retorno ao novo normal”. 


Para que a retomada fosse possível, a instituição realizou uma série de preparativos e adaptações, que demandaram investimentos na ordem de R$ 350 mil para cumprir as exigências estabelecidas pelo protocolo de segurança do governo do Estado.


O retorno é escalonado, sendo permitido 50% da capacidade da sala de aula, que é o limitador, para garantir o distanciamento social. “Esse percentual não se refere ao número de alunos, mas sim a capacidade da sala de aula. As restrições trazem um certo tipo de limitação, mas ao mesmo tempo, garantem a segurança de todos que acessam ao Campus”.


Sobre a questão do retorno escalonado, no Ensino Médio, como a adesão ainda é muito baixa, não tem a necessidade do escalonamento ainda, então todos os estudantes que optaram por vir até a escola estarão frequentando as aulas presenciais. “Na medida que esse número aumentar, aí sim, faremos uma escala. Na Educação Infantil, o escalonamento funciona da seguinte forma: a criança intercala um dia na escola e outro em casa.”


Ergang destaca a realização do ensino híbrido, ou seja, todas as atividades presenciais realizadas em sala de aula são transmitidas ao vivo para os alunos que estão em casa. “É a nova forma que encontramos de fazer com que as atividades presenciais sejam concomitantes às aulas remotas. O retorno é  facultativo, sendo uma decisão da família do estudante, pois o decreto estadual prevê e permite essa condição”. 

 

Cronograma da retomada


O Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano retorna à sala de aula em 3 de novembro; já as séries iniciais, de 1º a 5º ano, no dia 16  próximo.

 

 

Rede municipal continua sem previsão de retorno. Nas escolas estaduais, possível retomada é dia 21, porém, aguardando o envio de EPIs por parte do governo do RS

 

No caso da rede municipal, no início de novembro uma nova reunião será realizada para avaliar o retorno – ou não – das aulas presenciais no ano letivo de 2020, segundo informou a Secretaria Municipal de Educação. 


Já na rede estadual, conforme o diretor do 35º Núcleo do Cpers/Sindicato, professor Marino Simon, cada escola tem autonomia para avaliar o retorno, desde que se cumpra o protocolo  de segurança. Ele afirma que a maioria não tem condições físicas, de equipamentos e recursos humanos para “garantir que não se contaminem”. Em assembleia extraordinária do sindicato, em nível estadual, no último dia 8, ficou definido o não retorno das aulas presenciais e a continuidade do ensino remoto.


Marino ressalta que o Sindicato defende que não há condições para um retorno seguro. “Anos de descaso deixaram a escola pública despreparada para enfrentar esta guerra sanitária. Faltam profissionais, faltam recursos físicos e financeiros, faltam equipamentos de proteção, falta organização e capacidade de gestão.”


Pesquisa realizada pelo Cpers com apoio técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) demonstrou que 92% das escolas não têm recursos suficientes para investir na estrutura e EPIs adequados, 81% não dispõem de profissionais de limpeza para realizar a higienização necessária e 70% sofrem, mesmo em tempos de normalidade, com atrasos no repasse de verbas por parte do Estado.
 

 

CALENDÁRIO DE PREVISÃO DE RETORNO DAS
ESCOLAS ESTADUAIS DE TRÊS DE MAIO 


Na cidade


– Instituto Estadual de Educação Cardeal Pacelli 
Dia 21/10:
Ensino Médio, Curso Técnico e Curso Normal. 
Dia 28/10: Ensino Fundamental (séries finais)
Dia 12/11: Ensino Fundamental (séries iniciais)


Para o aluno retornar a família deverá assinar o Termo de Responsabilidade na secretaria da escola. Foram realizadas as adaptações com recursos próprios, mas a escola aguarda o recebimento de EPIs por parte do governo do RS.


– Escola Estadual de Ensino Médio Castelo Branco
Dia 21/10
: Ensino Médio, porém somente haverá retorno após o
recebimento de EPIs por parte do governo do RS.


– Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Glória Veronese - Ciep


Sem previsão de retorno. Somente haverá retorno após o recebimento de EPIs por parte do governo do RS.

 

 

No interior
– As Escolas Estaduais de Ensino Fundamental Alberto Pasqualini - de Consolata; Princesa Isabel - de Quaraim e Progresso, de Progresso, tem previsão de retorno para séries finais dia 28 de outubro e séries iniciais dia 12 de novembro. Porém, somente após o recebimento de EPIs por parte do governo do RS e a definição do transporte escolar, por serem escolas do interior do município.