Volta às aulas: momento esperado por muitos pais, alunos e professores

Após idas e vindas provocadas por uma disputa judicial entre o governo do Estado e entidades – sobre o retorno ou não das aulas presenciais –, ontem, as escolas públicas e privadas de Três de Maio retornaram ao ensino presencial em todos os níveis e modalidades. A volta só foi possível com a publicação do Decreto 55.856, que altera o modelo de Distanciamento Controlado e a adoção da bandeira vermelha no Estado (até o dia 10 de maio). Em Três de Maio, na rede municipal, não havia ensino presencial desde março de 2020 e o retorno era aguardado para cerca de 2 mil alunos, como é o caso do pequeno Guilherme da Fontoura. Prestes a completar 6 anos na próxima terça-feira, o aluno da Educação Infantil 6 (que corresponde ao pré A) da Emef Germano Dockhorn não conseguia conter a alegria de estar na escola, na companhia dos colegas e da professora.

Volta às aulas: momento esperado por muitos pais, alunos e professores

Retorno em sala de aula somente foi possível após publicação de decreto que colocou RS em bandeira vermelha, alterou modelo de distanciamento controlado e suspendeu temporariamente o sistema de cogestão

 

Para uns, a notícia mais esperada nos últimos dias; para outros, uma ameaça contra a saúde. O fato é que, com a publicação de novo decreto pelo governo do Rio Grande do Sul, que altera o modelo de distanciamento controlado que coloca todo o Estado sob bandeira vermelha, a principal mudança é a permissão do retorno às aulas presenciais no Estado, o que representa um alívio para muitos pais e alunos que aguardavam ansiosos por esse retorno ao ambiente escolar de forma “real” e não virtual. 


Como é o caso das colegas do 8º Ano B, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Germano Dockhorn, Ana Laura Kinalski e Carolina Elis Naressi, ambas com 13 anos, que comemoravam na manhã de ontem, no pátio da escola, a volta às aulas presenciais, depois de um ano e um mês sem estar convivendo no ambiente escolar.


Amigas e colegas desde “sempre” na mesma escola, da Educação Infantil (jardim) até hoje, elas admitem que aguardavam ansiosas o retorno à escola. Para Carolina, aula online é mais difícil de compreender. “Na aula presencial o professor está ali, vai te mostrar, te explicar, te ensinar do jeito certo. É muito melhor que ficar olhando pra tela fria do celular ou do computador”, afirma.
Já Ana Laura diz que mesmo com acesso à internet, nada se compara com a presença em sala de aula, sem contar o contato com os colegas”. Ambas sorriem de máscara e concordam: “é um dia muito importante, graças a Deus chegou esse momento”, comemoram.


As mudanças do novo decreto estadual suspendem temporariamente o sistema de cogestão e extinguem a salvaguarda regional de bandeira preta, que desde 27 de fevereiro vigorava em todo território gaúcho. O documento entrou em vigor na quarta-feira, 28, com novas medidas para o enfrentamento ao coronavírus, e vigora até pelo menos o dia 10 de maio.


Foram nove semanas em bandeira preta, de mais alto risco para a Covid-19. No entanto, na prática, em função da cogestão, os municípios já seguiam as regras da cor vermelha. A mudança de bandeira ocorre sob recuo da pandemia no Estado, mas em patamar superior ao início da onda atual.


A alteração das normas ocorre após impasse entre o governo e o Judiciário, que, em votação na noite de segunda, 26, manteve liminar que proibia a retomada das atividades em sala de aula sob bandeira preta. O chefe do Executivo gaúcho disse que reconhece a legitimidade e soberania das ações do Judiciário no processo, mas entende que a ação é “absolutamente equivocada e incoerente”.


Eduardo Leite afirmou se solidarizar com pais e alunos, destacando que as “as aulas precisam ser presenciais, especialmente para a Educação Infantil e para a alfabetização”. Nos critérios de bandeira vermelha, a ocupação de sala de aula nas atividades presenciais deve respeitar o distanciamento mínimo de 1m50cm entre classes, incluindo o professor.

 

 

Cpers reivindica vacina para professores e funcionários

Em contato com o Semanal, o diretor do 35º Núcleo do Cpers/Sindicato, professor Marino Simon declarou que a categoria está reivindicando vacina para professores e funcionários. “Os professores estão trabalhando de forma remota. Trabalhar de forma remota e presencial nas escolas é praticamente inviável. A internet  nas escolas é  precária. Imagine 60 professores e mais os alunos conectados. Não  tem condições  no momento”. 


Segundo Marino, o ensino presencial sem vacina é um risco para todos. “Temos professores que atuam da oitava série do Ensino Fundamental até o terceiro ano do Ensino Médio. Se este professor se contaminar, quantos alunos ele pode contaminar?”, alertou o professor.


Para o diretor do Cpers, é necessário que haja vacinas e segurança sanitária para todos. “Preservar a vida de todos envolvidos no processo educacional é  dever de todos,  principalmente  das autoridades constituídas.As aulas vão ser híbridas. A posição do Cpers é para que todos os professores e funcionários sejam vacinados e se ofereça condições sanitárias de segurança para todos. Neste momento é perigoso o retorno com o sistema  de saúde lotado”, advertiu.

 

 

Rede municipal retorna depois de um ano e um mês sem aulas presenciais

 

Estudantes da Educação Infantil ao 9º ano retornaram à sala de aula na EMEF Germano Dockhorn 

 

As aulas da rede municipal de ensino em Três de Maio – composta por mais de 2,1 mil alunos distribuídos entre oito escolas de Educação Infantil (Emeis) e sete escolas do Ensino Fundamental (Emefs) – foram retomadas na manhã de ontem, 29, com todas as medidas de prevenção e combate à Covid-19, incluindo o transporte escolar, merenda escolar e a estrutura de servidores necessária.


Os alunos retornam de forma escalonada para a escola, sendo que a creche funcionará com 50% de crianças de manhã e 50% de tarde. Na Pré-escola haverá revezamento semanal de 50% de crianças, assim como nas turmas do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Em algumas turmas poderá ter a presença de 100% dos alunos, conforme as condições da estrutura física de cada escola.

 

As colegas do 8º Ano B, da EMEF Germano Dockhorn, Ana Laura Kinalski e Carolina Elis Naressi, ambas com 13 anos, comemoravam na manhã de ontem no pátio da escola, a volta às aulas presenciais, depois de um ano e um mês sem estar convivendo no ambiente escolar

 


Escolas estaduais têm retorno escalonado


As duas maiores escolas estaduais de Três de Maio, localizadas na área urbana, também estão retornando com as atividades presenciais em sala de aula. Tanto na Escola Estadual de Ensino Médio Castelo Branco, quanto no Instituto Estadual de Educação Cardeal Pacelli retornaram nesta quinta-feira apenas os estudantes do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental. Os demais níveis voltam às aulas presenciais conforme cronograma estabelecido pelas escolas. Todas as medidas de distanciamento e higienização serão observadas.


Hoje, dia 30, porém, por orientação da 17ª Coordenadoria Regional de Educação, as aulas serão remotas para todos os níveis de ensino da rede pública estadual. 

 

No Cardeal Pacelli, a aula presencial iniciou com alunos do 1º e 2º anos do EF  

 

CALENDÁRIO DE RETORNO IEE CARDEAL PACELLI
4/5 - Terça-feira: 1º ao 5° ano do EF
5/5 - Quarta-feira: até o 9° ano do EF
6/5 - Quinta-feira: 1° Ano do EM e 1° do Curso Normal;  EM noturno
10/5 - Segunda-feira: 2° e 3° ano do EM e Curso Normal


EEEM CASTELO BRANCO
4/5 - Terça-feira: 1º, 2°, 3º, 4º, 5º e 6º anos do EF
5/5 - Quarta-feira: Todas as turmas do EF
6/5 - Quinta-feira: Todas as turmas do EF e 1º ano do Ensino Médio diurno.
10/5 - Segunda-feira: Todas as turmas do Ensino Fundamental e Médio, inclusive o Ensino Noturno.

 

 

Rede privada – que teve alguns dias de aulas presenciais no início do ano letivo – retoma com quase a totalidade dos alunos, sem a necessidade de escalonamento em alguns níveis

 

No Colégio Dom Hermeto, o retorno das aulas presenciais ocorreu na tarde da quarta-feira, 28, da Educação Infantil e Séries Iniciais (até terceiro ano do Ensino Fundamental) que são os níveis de ensino que a instituição oferece pelo turno da tarde. No dia de ontem, voltaram os demais estudantes. Este ano, o colégio conta com 450 alunos matriculados.
De acordo com o diretor Gildor Scherer, o retorno vai atender todos os alunos sem escalonamento, nessa fase inicial. “Apenas as aulas no contraturno – da quarta série do EF ao terceiro ano do EM – serão online, neste momento, visando evitar aglomeração na parte da tarde”, explicou Gildor, ressaltando a previsão de que haverá um bom índice de retorno presencial, em todos os níveis de ensino na escola.
Já a volta às aulas presenciais na Sociedade Educacional Três de Maio – Setrem para os estudantes da Educação Infantil (Creche e Pré-escola), Ensino Fundamental, Ensino Médio e Cursos Técnicos, ocorre desde ontem, quinta-feira. Apenas para os estudantes da Faculdade o retorno presencial está previsto para a próxima terça-feira, 4 de maio. 
Tanto na Setrem como no Dom Hermeto em todas as séries é oferecido o sistema híbrido, com opção do aluno assistir de casa a aula em tempo real. Apenas as aulas no contraturno continuam online, por enquanto. 

 

Na Setrem, a volta às aulas presenciais dos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio ocorreu na manhã de ontem, seguindo todos os protocolos para um retorno seguro

 

No Dom Hermeto, o retorno ocorreu na tarde de quarta-feira para a Educação Infantil e Séries Iniciais (até terceiro ano do Ensino Fundamental). Os estudantes passaram pela aferição de temperatura e higienização das mãos com álcool em gel