Ano XVIII - EDIÇÃO 984

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO - VOLTA À CARGA - Se não dá de um jeito, deve experimentar-se de outra maneira. Se não dá para entrar por uma porta, tenta-se a outra. São as diversas opções que se tem à disposição. No caso da CPMF, parece, está acontecendo isso. Se não deu para aprovar a matéria no Senado, há que se buscar outra solução. Afinal, trata-se de uma perda polpuda de R$ 40 bilhões por ano. O governo está fazendo uma ginástica nunca vista para ressarcir o prejuízo. Foram várias as tentativas, mas o governo federal continua no amargo prejuízo. Aí vão os deputados da base aliada e propõem a recriação da CPMF. E vejam, com alíquota de 0,20%, ao invés da despótica alíquota de 0,38%. E o que mais: o resultado seria todo ele transferido para a saúde. Aliás, nunca deveria ter sido diferente. Neste caso, até dá para concordar que a matéria seja aprovada. No entanto, acho difícil que este intento seja logrado, porque a oposição simplesmente não quer saber de aumentar impostos. O que o governo não pode é blefar: anunciar uma coisa e, depois, fazer outra, ou seja, dizer que os recursos todos vão para a saúde e no correr dos dias, o dinheiro é usado para fechar rombos. Aí é literalmente enganar os trouxas. O povo não pode passar por otário outra vez. .

GASTANÇA - Chorar miséria e fazer gastança, não está com nada. Vejam, por exemplo, o que acontece no governo estadual do nosso amado Rio Grande. Só, em 2007, o Rio Grande do Sul gastou mais de R$ 1 milhão com o pagamento de premiações culturais, artísticas, científicas, desportivas, entre outras.. A quem? A políticos, a autoridades e personalidades. Está certo que é bom premiar os destaques, mas, quando se está numa pindaíba igual à do Rio Grande do Sul, que não pode dar aumento ao funcionalismo sequer, vai meter toicinho em nababos?.Vamos parar com isso!

E TEM MAIS - Ao todo, no ano passado, o Brasil gastou quase R$ 34 milhões nesta finalidade: premiação e bateu seu próprio recorde. Em 2006, eram apenas(apenas!) R$ 12,8 milhões que foram gastos neste mister. Então, faça contas: ou cresceram demais, demais da conta as celebridades, ou o aumento de um ano para outro causa estranheza. Não causa? O Rio Grane do Sul, para seu governo, é a sexta unidade da federação que mais gasta dinheiro em premiações, logo atrás de Minas Gerais, que recompensou celebridades, no ano passado, com R$ 1,1 milhão.

UM HORROR - Esta nossa Assembléia Legislativa. Sempre com um halo de santidade e com uma coroa de ética. Agora, tão desmoralizada. Primeiro, o escândalo dos selos, em que Macalão se envolveu e alguns, ou vários deputados. Depois, os setecentos celulares. Agora, ainda me vem com a história das diárias e do combustível para viaturas de deputados a R$ 1,40 o quilômetro rodado. A Assembléia Legislativa precisa ser varrida. Isto é um escândalo. Os deputados se promovem, vivem, sobrevivem, se elegem e reelegm, comem, bebem, viajam e ganham dinheiro à custa da Assembléia, quer dizer, à custa do castigado povo gaúcho. Basta! Quem será capaz de varrer tanto lixo? Há vassoura forte o suficiente para varrer tanta sujeira! Com tanta gastança, é proibido chorar miséria.

MAS, ENQUANTO UMA CERTA MODELO GANHA R$ UM MILHÃO PARA DESFILAR CINCO MINUTOS, O TRABALHADOR BRASILEIRO GANHA MÍSEROS R$ 380,00 REAIS DE SALÁRIO(SEM DESCONTOS), UMA PROFESSORA GANHA ESCASSOS R$ 420,00 REAIS POR 20 HORAS/AULA MENSALMENTE( SEM DESCONTOS).
POR ISSO QUE EU BEBO!

ENDIVIDAMENTO - O setor agrícola brasileiro, apesar da última boa safra e dos bons preços das commodities, no ano passado e no começo deste ano, está endividado. O total da dívida agrícola é estimada em R$ 120 bilhões. Os agricultores esperam ansiosamente a renegociação deste passivo em condições favoráveis..

O REINO POR UM EMPREGO - É triste, diria, é deprimente, quando alguém se forma e não encontra trabalho. A falta de trabalho tem diminuída no País, mas não na velocidade desejável. Mais de 9% da força de trabalho brasileira está à procura de trabalho. O sonhado trabalho com carteira assinada, com direitos trabalhistas e um salário digno. O rendimento médio dos trabalhadores ainda é baixo: um pouco acima de R$ 1.000,00. Nas seis principais regiões metropolitanas do País, há 2,1 milhões de pessoas desempregadas. Então, gerar empregos é o maior desafio a ser enfrentado pelos nossos governantes. E a geração de empregos depende de investimentos. Ponto fraco do governo estadual e federal. Você sabe o que dariam certas pessoas por um bom emprego? Qualquer coisa. Digamos, o seu reino.

REENCONTRO - Se me perguntarem se o acaso existe, diria que sim. Eventualmente( nem iria ao supermercado, no sábado passado), encontrei, sabe quem? O ex-colega de Cardeal Pacelli, no final da década de 60 e início de 70, o professor Geraldo Mensch. Reconheci-o de pronto, apesar da barba e dos anos. Ele, há muitos anos, filosofa e faz pesquisas, em Hamburgo, na Alemanha, onde se radicou. Como sempre, simpático, comunicativo, crítico, bem-falante, conhecedor profundo de tudo, praticou bonito diálogo(até contou um causo que a caixa entendeu e sorriu, porque tinha pique) Falava alemão. Lê a minha coluna do outro lado do oceano, no Velho Mundo. Sabe o que se escreve e se passa na aldeia. Elogios e críticas à coluna. A crítica do emérito professor foi quanto ao visual da coluna, como a letra miúda . Elogiou o espírito crítico que ele não conhecia. Aceito, de coração, os elogios e as críticas, porque oriundas de quem abalizado e de profundo conhecimento.

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