Ano XX - EDIÇÃO 1111

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Ciúme teria motivado o assassinato
Elaine Springer, de Três de Maio, foi degolada pelo companheiro, que também desferiu
golpes de faca contra a enteada


Elaine Rausch Springer estava com 37 anos de idade

Um crime que chocou a comunidade três-maiense provocou a morte de Elaine Rausch Springer, de 37 anos. Ela foi degolada na madrugada de quarta-feira, 7, em sua própria residência, localizada no bairro São Francisco, Três de Maio.
De acordo com delegado de polícia local, João Vittorio Barbato, o autor das facadas foi o companheiro de Elaine, Jandir dos Santos Oliveira, de 41 anos.
A filha de Elaine, Ana Paula Springer, de 20 anos, também foi atingida por golpes de faca no tórax.
Na quarta-feira pela manhã, foi colhido o depoimento de uma amiga de Ana Paula, que também estava na casa, e que revelou, segundo o delegado, que durante as discussões, Jandir teria pego a filha de Ana Paula (um bebê de pouco mais de um ano) no colo, mas logo em seguida a moça teria saído do local com a criança. “Foi aí que Jandir fechou a casa, com Eliane e Ana Paula dentro, e começou a agredi-las. Ana Paula conseguiu fugir para a casa de vizinhos, para pedir socorro. Já Elaine, ao tentar fugir, se enroscou em troncos no pátio de casa, e provavelmente caiu e então foi degolada”, disse a amiga em depoimento.
O casal estava junto há um ano e meio, e ao que tudo indica, para Barbato, o motivo do desentendimento entre os dois foi ciúme. Em uma conversa preliminar com a polícia, Ana Paula relatou que o casal já havia brigado outras vezes, mas que isso não ocorria com frequência.
Jandir, foragido desde a noite do crime, se apresentou à polícia na manhã de ontem, quinta-feira, na presença de dois advogados e afirmou que vai se reservar o direito de prestar declarações apenas em juízo.
Após ter decretada a prisão preventiva, ele foi conduzido ao Presídio Estadual de Santa Rosa, onde fica à disposição da Justiça até a conclusão do inquérito, que deve ser encerrado no prazo de dez dias. “Temos de ouvir ainda Ana Paula, formalmente, alguns vizinhos e talvez outras pessoas que surjam no decorrer do inquérito”.
Até o fechamento desta edição, Ana Paula continuava internada no Hospital São Vicente de Paulo, mas sem risco de morte.

Moradores do bairro ficaram surpresos com o fato

A reportagem do Jornal Semanal conversou com alguns moradores do bairro em que Elaine e Jandir viviam e afirmaram que, aparentemente, o casal se relacionava bem.
Uma moradora do bairro disse que não ouviu movimentação de pessoas ou nenhuma confusão próxima à casa onde mora, no dia do crime. “Conhecia bem o casal, e inclusive em algumas oportunidades trabalhei como diarista para Elaine. Eu soube do fato na manhã de quarta-feira e confesso que foi uma grande surpresa, porque era uma família muito tranquila”.
Segundo populares, o casal havia se separado há algum tempo e reatado a relação há aproximadamente três meses. Nesse período, quando Jandir visitava os vizinhos sempre falava da companheira com carinho. “Ele dizia que a amava muito e gostaria muito de voltar a viver com ela. O Jandir sempre pareceu ser muito calmo. Nunca o vimos bêbado ou alterado. Foi um susto quando soubemos do acontecido”, diz outra moradora do bairro.
Jandir, natural de Santa Rosa, trabalhava em uma cerâmica, nas proximidades de onde morava e, segundo o proprietário da empresa, o funcionário surpreendeu a todos com o ato. “Ele era cordial com os colegas, respeitoso. Jamais agrediu alguém, nem com palavras. É muito estranha uma reação dessas. Acho que se tratou de um momento em que ele estava tomado por muita emoção. Não consigo encontrar uma explicação, já que ele nunca comentou com ninguém que tivesse problemas com a companheira. Ele era uma pessoa sem vícios, um bom funcionário, uma pessoa equilibrada”, diz o ex-patrão.

“A dor do ciúme se transformou numa agressão mortal”

Como explicar a intensidade da violência e as razões que motivam quem jamais agrediu alguém a, de repente, cometer um ato tão agressivo? Esta é uma pergunta que muitas pessoas estão se fazendo desde quarta-feira, quando Jandir degolou a companheira Elaine.
Para a psicóloga e mestre Elaine Werle, de Santo Ângelo, o fato se caracteriza como um crime passional de extrema fúria ou violência. “As causas subjetivas geralmente ficam sem respostas, mas é preciso investigar a história desse sujeito, para se ter uma ideia das motivações que levaram um cidadão comum, sem antecedentes criminais, a um ato tão primitivo de violência”.
A psicóloga ressalta que em termos de estrutura psíquica, existem várias hipóteses, entre elas de Jandir ser uma pessoa com uma estrutura elementar, tanto do ponto de vista cognitivo, quanto do ponto de vista subjetivo. “Isso significa uma pessoa sem recursos simbólicos para frear a raiva ou o ódio. No caso em questão, a dor do ciúme se transformou numa agressão mortal. A crise psíquica fez com que ele esquecesse ou deixasse de avaliar todas as consequências da atitude que estava tomando. A princípio, ninguém pode fazer juízo ou julgamentos sobre as possíveis causas. Elas serão investigadas. O fato nos remete mais uma vez a nossa fragilidade humana. Nenhuma expressão simbólica própria dos humanos conteve a atrocidade do ato de violência”.


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