Psicologia na Prática

Psicologia na Prática

Mentimos?

"Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira
Mas não sou mais tão criança
A ponto de saber tudo"

 

Legião Urbana em ‘Quase sem querer’ traz na sua letra esta grande verdade: sabíamos mais, sabíamos tudo quando éramos criança e depois mentimos, mas quase sem querer.
Fomos nos autoenganando para ganhar um afeto, uma atenção, uma aceitação, um reconhecimento. Ganhamos ‘civilidade’, mas perdemos a capacidade de ler os fatos como são através do nosso organismo que tudo nos informa.
O mentir para si mesmo é uma forma de distorção da nossa própria realidade. Por isso, o processo de autoconhecimento que nos torna consciente o nosso projeto existencial se faz relevante. Como diz Meneghetti ‘ao menos para quem é inteligente, a questão da existência é fundamental’.
Revelar para si o que está por trás de cada escolha, de modo honesto e profundo não é uma tarefa simples. Requer coragem e muita humildade.
Se realmente sabemos nossa estrada, se consideramos nossas percepções momento a momento, temos a compreensão do real, daquilo que é útil e funcional à realização da nossa existência.
Mas, se ficamos na lei do mínimo sobre a própria vida, já existe a mentira, o autoengano e mera adaptação ao que é aceito ou ao modo que se conheceu na infância.
Eliminamos a própria verdade quando nos acomodamos, sem empenho para compreender e reagir aos fatos. Assim, mentimos, reduzimos o real à distorção do que convém ao comodismo.
A vida pede sempre renovação para fluir. Os desejos da alma devem ser atendidos com amor e alegria, assim como os dons recebidos carecem de contínuo aprimoramento.
Mentimos se não estamos dispostos a investir nas mudanças necessárias. Qual a sua mentira?

 

Arlete Salante

Psicóloga, Psicoterapeuta e Consultora Empresarial

Doutoranda em Psicologia pela UCES - Buenos Aires

(55) 99970-8357


ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 31.07.2020.

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