Maioria dos municípios é contrário ao retorno das aulas presenciais

Associação fará nova reunião dia 1º de outubro para debater o assunto. Pesquisas dos municípios indicam que 75% dos pais não mandariam os filhos para escola agora

Maioria dos municípios é contrário ao retorno das aulas presenciais
Dos 18 municípios que participaram da reunião, 12 consideram que não é o momento de retomar as atividades presenciais nas escolas

Na última segunda-feira, 21, a Amufron (Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste), realizou uma reunião virtual dos prefeitos, convocada pelo presidente Vilmar Sidinei Horbach, prefeito de Boa Vista do Buricá. Em pauta, a discussão sobre a retomada das atividades escolares na região.


A reunião contou com a participação do coordenador regional dos Secretários de Educação, Valmir Dilli, titular da pasta da Educação, em São José do Inhacorá, e com a vice-coordenadora e secretária de Educação de Independência, Zenaide Heinsch. Na ocasião eles explanaram aos prefeitos sobre as dificuldades e preocupações que os municípios enfrentam para garantir o retorno seguro dos alunos, professores e funcionários de escolas em meio à pandemia de coronavírus.


De acordo com os coordenadores, alguns municípios chegaram a fazer pesquisas com os pais, sobre serem favoráveis ou não ao retorno das aulas. Como resultado, cerca de 75% dos pais estão determinados a não mandar os filhos para a escola, pois temem a contaminação. 


Outro problema relatado é referente ao quadro de pessoal, pois há um número considerável de servidores afastados por pertencerem ao grupo de risco. Além disso, existe a necessidade de adequação aos protocolos estabelecidos, que demandam mais monitores para trabalhar, tanto no transporte escolar como em sala de aula, o que no momento não pode ser suprido, devido ao período eleitoral e as contratações estão vedadas.


Dos 18 municípios que participaram da reunião, 12 consideram que não é o momento de retomar as atividades presenciais nas escolas, enquanto seis autorizaram o funcionamento das instituições de ensino particulares, e/ou planejam algumas atividades presenciais, como forma de recuperar conteúdo, ou ainda, aguardam o resultado de pesquisas municipais para tomada de decisão.
A Amufron promoverá nova reunião no dia 1º de outubro para aprofundar o debate sobre os prós e contras que o retorno das aulas presenciais pode impactar.

 

 

Consulta revela que mais de 80% dos pais não irá permitir que os filhos retornem às aulas presenciais na rede municipal

A rede municipal de ensino de Três de Maio é a maior do município, tanto em número de alunos quanto em número de escolas. São mais de 2,1 mil estudantes, distribuídos em sete Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) e sete Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs).


No mês de setembro, a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte (SMECE) realizou uma consulta aos pais ou responsáveis pelos estudantes das escolas municipais, enviando, de modo virtual, a seguinte questão: “Você permitirá que seu filho/sua filha vá para a escola se as aulas presenciais retornarem durante o período de pandemia?”


Como retorno à consulta, a maioria dos pais respondeu que não irá permitir que seu filho retorne à aula em sala de aula. O maior índice ficou em 86,3% relativo às 643 respostas dos pais de alunos que frequentam as séries iniciais do Ensino Fundamental, que compreendem do 1º ao 5º ano. Apenas 13,7% afirmaram que mandariam seus filhos para a escola.


No total, foram 1.387 respostas à consulta. Na Educação Infantil, alunos de zero a três anos de idade, 82% responderam não; na Pré-Escola, 85,4% e nos anos finais, do Ensino Fundamental, 86% dos pais não permitiriam enviar seus filhos à escola para as aulas presenciais, durante este período de pandemia.

 

 

Questionário virtual obteve 1.387 respostas, num universo de 2,1 mil estudantes das escolas municipais;  na média, 84% dos pais foram contrários ao retorno dos filhos à sala de aula

 

‘Pergunta não foi no sentido de saber se os pais aprovam, ou não, o retorno, mas se estes permitirão que seus filhos frequentem o ambiente escolar’, declara secretária Tânia

 

Questionada sobre o resultado da consulta com os pais, a secretária de Educação destaca que, “na realidade a preocupação ao realizar a pesquisa não era propriamente o resultado, e sim, saber o que os pais pensam em relação ao retorno das aulas presenciais”. E, “dar aos pais ou responsáveis a possibilidade e se manifestarem, se pretendem ou não permitir que seus filhos frequentem as aulas presenciais, caso elas retornem durante o período de pandemia”, afirmou. 


Segundo Tânia, é pertinente esclarecer que a pergunta encaminhada aos pais não foi no sentido de saber se estes aprovam, ou não, mas, se estes irão permitir que seus filhos frequentem o ambiente escolar, caso ocorra o retorno às atividades nas escolas municipais. “Com relação ao elevado índice de respostas ‘não’, entende-se, tratar-se de uma manifestação inequívoca da preocupação dos pais com a saúde dos seus filhos e do grupo familiar como um todo”, concluiu a secretária.

 

 

Rede particular aguarda decreto municipal para iniciar atividades

 

O prefeito de Três de Maio, Altair Copatti, está entre os 60% dos prefeitos que integram a Amufron que avaliam não ser o momento ideal para retomar as atividades presenciais nas escolas. 


Uma próxima reunião deve ocorrer no dia 1º de outubro para tratar desta questão. Ainda, sobre uma possível retomada das aulas nas escolas da rede privada, o Chefe de Gabinete da Prefeitura de Três de Maio, Jones Moreira revela que estas têm seus protocolos de retorno sendo avaliados pelo Comitê de Operações Especiais (COE) no combate ao Coronavírus. 


“Acredito que será liberado o retorno às aulas se a rede privada estiver com seus ambientes adequados às normas da Secretaria da Saúde do RS. Até a próxima semana teremos o parecer final do COE, então, o Município irá se manifestar”, destaca Jones. Um decreto municipal deve ser editado regulamentando essas questões.