Grupo Caminhos do Tempo desenvolve Turismo Rural em propriedades locais
Projeto visa proporcionar experiências gastronômicas e de lazer e gerar renda
Já são 12 propriedades rurais que atuam de forma direta ou parcial com turismo rural através do ‘Grupo Caminhos do Tempo, amor, sabor e tradição’. A informação é da Secretaria de Cultura e Turismo de Três de Maio.
Integram o grupo as propriedades Sítio Margarida, Balneário Peiter, Balneário Cascatinha, Sítio Glinke, Pesque-pague Barreiro, Pesque-pague Haupt, Sítio Refúgio Verde, Pesque-pague e Pousada Catfisch (Rosani Hubner), Coração de Fogo Destilaria, Vinícola Casa Tertúlia, Butiá e Derivados Maron, todas de Três de Maio, e a Granja Dal Forno (de Independência), que já recebem visitantes com agendamento, além de pontos ativos nas rotas de cicloturismo que integram vivência rural com esporte e ecoturismo.
Conforme a secretária da pasta, Rosana Foletto, essas propriedades estão se profissionalizando através de cursos de formação do SENAR, numa ação conjunta do Sindicato Rural, Sicredi e o Governo Municipal de Três de Maio. “As propriedades oferecem experiências que conectam o visitante à natureza, à gastronomia típica, às tradições rurais e ao modo de vida do interior”, explicou a secretária.
Rosana também destacou que a Secretaria está desenvolvendo um mapeamento estratégico das propriedades e iniciativas vinculadas ao turismo rural em Três de Maio.
O segmento é marcado por diversidade e autenticidade e entre as principais formas trabalhadas localmente se destacam o turismo de vivência rural, turismo gastronômico, turismo de lazer e natureza e turismo religioso e cultural.
Formas em que o turismo rural é desenvolvido em Três de Maio
- Turismo de vivência rural: propriedades que abrem suas portas para o público experienciar o dia a dia do campo, como alimentação caseira, atividades com animais, horta orgânica e produção artesanal.
- Turismo gastronômico: locais que oferecem refeições típicas, cafés coloniais, produtos coloniais, embutidos e agroindústria familiar.
- Turismo de lazer e natureza: áreas com trilhas, espaços de descanso, pescarias, passeios e atividades ao ar livre.
- Turismo religioso e cultural: visitas guiadas a igrejas do interior, festas típicas e celebrações culturais.
Implantação de Política Municipal de Turismo
Por enquanto, a pasta ainda não possui dados consolidados sobre a movimentação econômica do setor, contudo, está em andamento um trabalho conjunto com outras secretarias e entidades parceiras para levantamento de indicadores de impacto e evolução do setor nos últimos cinco anos. “Três de Maio tem um grande potencial para o turismo rural graças ao seu território diversificado, rico em cultura, paisagens naturais e produção agrícola. A localização estratégica também favorece o crescimento de roteiros de curta duração. Além disso, há interesse crescente da população urbana por experiências autênticas e sustentáveis, o que posiciona o município como alternativa viável e promissora no turismo de base comunitária”, complementa Rosana.
A secretária reforça que tem buscado fomentar o segmento através de capacitações e formações voltadas aos empreendedores rurais, apoio na divulgação de roteiros e propriedades em feiras e redes sociais, criação de roteiros temáticos para serem integrados a eventos municipais, estudos para formalização de rotas oficiais, com identidade visual e materiais de orientação e articulação com o SEBRAE, Sindicato Rural e outras entidades para estruturação conjunta. “Além disso, está em estudo a implantação de uma Política Municipal de Turismo, que incluirá diretrizes específicas para o desenvolvimento sustentável do turismo rural”, acrescentou.
Ações a longo prazo
A longo prazo, a Secretaria de Cultura e Turismo realizará diversas ações, que incluem a realização de diagnóstico ampliado do setor, com levantamento econômico e social, a implantação de sinalização turística rural, a criação de um mapa interativo das propriedades e atrativos turísticos, desenvolvimento de parcerias com escolas para ações de educação patrimonial e turismo pedagógico rural, o fortalecimento das rotas de cicloturismo com integração a propriedades rurais, além do apoio à legalização e formalização das propriedades turísticas junto aos órgãos competentes. “O turismo rural no município está em fase de organização e fortalecimento, com ações coordenadas pela secretaria para transformar o potencial do município em desenvolvimento concreto e sustentável. O envolvimento da comunidade, o apoio institucional e a valorização das raízes culturais e produtivas são fundamentais para consolidar o setor como alternativa de renda, de valorização da cultura e de desenvolvimento regional”, conclui Rosana.
Estudos de tendências indicam ascensão por buscas de destinos próximos de casa, que proporcionem atividades ao ar livre e maior conexão com a natureza, diz turismóloga
Para falar sobre o tema, a reportagem conversou com a instrutora do Programa de Turismo Rural SENAR-RS Cristiane Maia Tolotti. Turismóloga, ela tem pós-graduação em Gestão do Turismo e Hospitalidade e em Educação Ambiental, além de MBA em Gestão e Organização de Eventos.
Segundo a especialista, o setor engloba um conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no meio rural para agregar valor à propriedade. “Estas atividades podem estar relacionadas a produção agropecuária, às lidas de campo, fabricação de utensílios, artesanatos e produtos diversos criados a partir de elementos naturais, sempre respeitando a natureza e as vocações do produtor e sua família, com consequente diversificação e aumento de renda”, declarou.
Para o desenvolvimento do segmento, Cristiane pontuou que é fundamental que se identifique as oportunidades através de um diagnóstico feito por profissional da área. “Esse diagnóstico deve considerar, além da propriedade, o entorno, a comunidade em que está inserida, os produtos turísticos que poderão ser desenvolvidos, além do interesse em fomentar as atividades do turismo”, acrescenta.
Cristiane Maia Tolotti, turismóloga
Atividades de colher hortaliças, morangos, uvas, frutas cítricas, cuidar de animais, tirar leite de vaca, colher ovos de galinhas, plantio e colheita de ervas medicinais são exemplos que podem despertar o interesse de visitantes. “Em pesquisas realizadas pelo Ministério do Turismo, identificamos que o setor está em segundo lugar no ranking das atividades mais importantes para a economia do país ao lado do setor da agropecuária e indústria, ficando atrás somente do primeiro lugar que contempla tecnologia e comércio”, cita.
Mercado tem crescido após pandemia
Segundo pesquisas, a demanda do turismo rural tem como principal fator de motivação o contato com a natureza, a culinária típica, o modo de vida no campo e a simplicidade. Apreciar as paisagens, ouvir os sons da natureza, caminhar entre as árvores, sentir o perfume das flores, ouvir histórias locais e de família são diferenciais encontrados em ambientes tipicamente rurais.
No Estado, o setor tem ocupado importante fatia do mercado, principalmente, após a pandemia. “As primeiras atividades liberadas fora de casa eram em áreas abertas com um distanciamento. Piqueniques em família e em ambientes de natureza começaram a fazer parte do gosto de muitas pessoas, assim como acampamentos e uso de serviços de hospedagem individualizados e mais isolados em meio a paisagens e ambientes rurais. Equipamentos de campismo, caravanismo, trailers e motorhomes também caíram em popularidade e os espaços rurais com estrutura para receber estes turistas estão sendo cada vez mais procurados. Estudos de tendências mostram que há uma ascensão por buscas de destinos mais próximos de casa, que proporcionem atividades ao ar livre e maior conexão com a natureza, o que contribui para que proprietários rurais aproveitem este nicho de mercado e façam do turismo uma ferramenta para ampliar os seus negócios”, explica.
Potencialidades do Noroeste gaúcho
Questionada sobre o segmento no Noroeste gaúcho, Cristiane acredita que a região tem potencial de desenvolvimento. “Seus atrativos ligados à natureza e sua rica história e cultura com forte influência da imigração alemã e italiana remontam uma trajetória de bons costumes e valorização dessas culturas, podendo ser desenvolvidas como atrativos tanto no ambiente urbano quanto rural”, diz.
Para quem pretende ingressar no ramo, o primeiro passo é compreender e enxergar o turismo rural como uma oportunidade de negócio, uma tendência do mercado que pode atender o grande e o pequeno produtor rural, as cooperativas agrícolas, a agricultura familiar e as comunidades locais. “O turismo rural se destaca por todas as regiões por ser um vetor de desenvolvimento cultural, social, econômico e contribuir significativamente na valorização das propriedades e das pessoas que nelas vivem, trabalhando a autoestima e o sentimento de pertencimento das comunidades rurais”, conclui.









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