Dia de reflexão!

O que aconteceu em 8 de março de 1857? A origem do Dia da Mulher

Dia de reflexão!
Franciele Wbatuba Fernandes Graeff - Mestranda em Educação - Formação de Professores; Neuropiscopedagogia Clínica/Institucional; Psicopedagoga Clínica/Institucional; Pós-Graduada em Metodologias Ativas, Ensino Remoto e EaD; Pós-Graduada em Ed. Especial Def. Múltiplas; Pós-Graduada em Neuroeducação: Neurociência da Educação; Pós-Graduada em Gestão Escolar

As raízes que marcam esta data vão muito além de mais uma data comercial no calendário e que serve para homenagear e presentear alguém, neste caso as mulheres. Há todo um conteúdo histórico envolvido e que, quanto mais conhecido e compreendido, pode facilitar causas bastante discutidas hoje em dia.


A origem da data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher não está relacionada apenas a um evento, mas a um conjunto deles. Um incêndio, em Nova York, nos Estados Unidos é um deles. Mais precisamente, em março de 1857, o fogo atingiu uma empresa chamada Triangle Shirtwaist Company.


Nesta ocasião, morreram 146 trabalhadores queimados. E, deste total, 125 eram mulheres. As instalações elétricas precárias, aliadas ao tipo de solo onde ficava a fábrica e a grande quantidade de tecido, funcionaram como combustível causando o incêndio.


Há também registros de que naquela época, os proprietários de fábricas costumavam trancafiar seus funcionários durante o expediente para conter greves e motins. Isso teria acontecido na Triangle. Ou seja, as mortes ocorreram devido às portas trancadas. Um verdadeiro pesadelo.
Estes fatos acabaram sendo levados às discussões políticas da época. Sendo que as condições difíceis enfrentadas pelas mulheres que trabalhavam  naquela empresa e no mercado de trabalho em geral, em plena Revolução Industrial, ganharam notoriedade.


Já no final de fevereiro de 1909, também em Nova York, teve lugar uma grande passeata que reuniu aproximadamente 15 mil mulheres. Elas marcharam pelas principais ruas da cidade reivindicando melhores condições de trabalho.


A partir dos anos 60, a comemoração do dia 8 de março já tinha se tornado tradicional. Embora o Dia Internacional da Mulher tenha sido oficializado apenas em 1975, pela ONU (Organização das Nações Unidas). O objetivo foi que as conquistas políticas e sociais sempre fossem lembradas e que esta chama se mantivesse viva, pautando reflexão e luta.


No Brasil, como impera a cultura PATRIARCAL, onde o poder e a hierarquia são predominantemente masculinas, sendo uma herança cultural ultrapassada, ou seja, uma sociedade que leva a dominação masculina como a base de tudo, que valoriza o poder masculino, em detrimento do feminino, a mulher submissa ao homem.


Sendo que práticas patriarcais são tidas como crimes à integridade da mulher e da família, se criou a Lei  de  igualdade de gênero, descrita no primeiro inciso do Artigo 5º da Constituição Federal de 1988,  conhecida  como Princípio da Isonomia.


Art.5º, I, CF – “Homens e mulheres são iguais em direitos  e obrigações, nos termos desta Constituição;”


O caput do artigo 5º diz o seguinte:


“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes;”.


Não bastara criar uma Lei Constitucional de conscientização, a violência continuou a assombrar o Brasil, e então em  em 7 de agosto de 2006, sancionou a Lei n. 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que  contribui para a manutenção e preservação da dignidade da mulher em seu lar.


A Lei Maria da Penha não contempla apenas os casos de agressão física. Também estão previstas as situações de violência psicológica, sexual, patrimonial e moral.  (Fonte: Portal Brasil)


1. Humilhar, xingar e diminuir a autoestima - Condutas como humilhação, desvalorização moral ou deboche público em relação à mulher constam como tipos de violência emocional.


2. Tirar a liberdade de crença - Um homem não pode restringir a ação, a decisão ou a crença de uma mulher. Isso também é considerado como uma forma de violência psicológica. (Ou você nunca viu uma mulher casar e ter que entrar para a religião do marido?).


3. Fazer a mulher achar que está ficando louca - Há inclusive um nome para isso: o gaslighting. Uma forma de abuso mental que consiste em distorcer os fatos e omitir situações para deixar a vítima em dúvida sobre a sua memória e sanidade. (O velho costume de chamar a mulher de louca).


4. Controlar e oprimir a mulher - Aqui o que conta é o comportamento obsessivo do homem sobre a mulher, como querer controlar o que ela faz, controlar o que ela vestirá, não a deixar sair, isolar sua família e amigos ou procurar mensagens no celular ou e-mail. As condutas descritas podem caracterizar violência psicológica. (controle absoluto da vida da mulher).


5. Expor a vida íntima - Falar sobre a vida do casal para outros é considerado uma forma de violência moral, como, por exemplo, vazar fotos íntimas nas redes sociais como forma de vingança.


6. Atirar objetos, sacudir e apertar os braços - Nem toda violência física é o espancamento. São considerados também como abuso físico a tentativa de arremessar objetos com a intenção de machucar, sacudir e segurar com força uma mulher.


 7. Forçar atos sexuais desconfortáveis - Não é só forçar o sexo que consta como violência sexual. Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa, como a realização de fetiches, também é violência.


8. Impedir a mulher de prevenir a gravidez ou obrigá-la a abortar - O ato de impedir uma mulher de usar métodos contraceptivos, como a pílula do dia seguinte ou o anticoncepcional, é considerado uma prática da violência sexual. Da mesma forma, obrigar uma mulher a abortar também é outra forma de abuso.


9. Controlar o dinheiro ou reter documentos - Se o homem tenta controlar, guardar ou tirar o dinheiro de uma mulher contra a sua vontade, assim como reter documentos pessoais da mulher, isso é considerado uma forma de violência patrimonial. Negar, esconder, colocar bens em nome de terceiros quando em união com a conjugue, é crime.


10. Quebrar objetos da mulher - Outra forma de violência ao patrimônio da mulher é causar danos de propósito a objetos dela, ou objetos que ela goste.


Violência doméstica: uma pandemia dentro da pandemia as denúncias aumentaram 40% e sobem a cada dia. O número de mulheres mortas e atendimentos com base na violência familiar ultrapassa 60% comparado com o percentual de 2018.

 

Mas o que se caracteriza violência doméstica e familiar?


Violência contra a mulher – é qualquer conduta – ação ou omissão – de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como privados e na família. 


Violência de gênero – violência sofrida pelo fato de se ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.


Violência doméstica – quando ocorre em casa, no ambiente doméstico, ou em uma relação de familiaridade, afetividade ou coabitação.


Violência familiar – violência que acontece dentro da família, ou seja, nas relações entre os membros da comunidade familiar, formada por vínculos de parentesco natural (pai, mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa).


Violência física – ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa.


Violência institucional – tipo de violência motivada por desigualdades (de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes sociedades. Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam nas diferentes organizações privadas e aparelhos estatais, como também nos diferentes grupos que constituem essas sociedades.


Violência intrafamiliar / violência doméstica – acontece dentro de casa ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que viva com a vítima. As agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e psicológico, a negligência e o abandono.


Violência moral – ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher.


Violência patrimonial – ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.


Violência psicológica – ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.


Violência sexual – ação que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros.


Grandes empresas como Magazine Luiza, Avon, Natura, Uber, Marisa são aliadas com campanhas para ajudar as vitimas a denunciar o agressor , sendo o objetivo destas empresas atender as  necessidades da mulher e da família, pois sendo  “ela  a vítima”, todas as  ações  devem antes buscar compreendê-la em toda a sua complexidade, não  tratando apenas como um “caso de polícia” -  a vítima não consegue sair da situação por medo ou por não ter condições materiais e psicológicas para isso. 


Outros canais para denúncia foram criados pelo Ministério Público e o Governo Federal. Trata-se de uma aplicativo –  DIREITOS HUMANOS BRASIL – pode ser baixado no Celular, no Play Store e fazer a denúncia de qualquer lugar.


O orgulho tem sido muitas vezes o motivo de tanta violência doméstica; machismo nos homens e igualdade de direitos nas mulheres; as vítimas de violência doméstica costumam morrer muito antes da morte física. A agressão psicológica mata, sem que ninguém perceba.


Portanto, o Dia da Mulher é para lembrar-nos de QUANTAS LUTAS AS MULHERES passaram para chegar aqui; quantas morreram; e o índice de crianças que crescem com problemas psicológicos graves causados pela violência doméstica é maior que as patologias fisiológicas.