Coluna da Yara Lampert

Coluna da Yara Lampert

"Agarre com força o presente, porque juntas somos infinito."

Verena Smit

 

Na edição passada, tivemos o depoimento de oito grandes mulheres. Cada uma com sua história, suas experiências, suas superações... A repercussão foi tão positiva que, nesta edição, trazemos o depoimento de mais algumas mulheres. Poderíamos por semanas usar estas páginas para dar voz às mulheres de nossa comunidade. A todas elas, o meu desejo de leveza, força e gratidão pela vida! 

 

"Não sei...
se a vida é curta ou longa demais pra nós,
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe, braço que envolve,
palavra que conforta, silêncio que respeita,
alegria que contagia, lágrima que corre,
olhar que acaricia, desejo que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.


Com essas palavras, da escritora e poetisa Cora Coralina, quero falar do Dia Internacional da Mulher e da vida. Vida que se renova a cada dia. Vida que se enche de sentido quando tocamos o coração das pessoas, ofertando um colo, uma palavra de carinho, um abraço. Assim fez Rute ao permanecer com Noemi (Rute 1). Seu carinho, sua amizade e fé fizeram toda a diferença não só para a vida de Noemi, mas para a vida do povo de Israel.


A história do povo é contada a partir da história de duas mulheres, ambas viúvas e pobres. Toda a trama se desenvolve em torno da busca por direitos: à proteção (ambas eram viúvas), à sobrevivência (Dt 25.5-6; Rt 4.3-8), à hospitalidade (Rute era estrangeira). Mulheres como Débora que era juíza e reivindica o direito de ter seu nome citado (Juízes 4). Mulheres como Maria, Maria Madalena discípulas que foram as primeiras testemunhas da ressurreição (Mateus 28). Mulheres como Katharina Von Bora (esposa de Martim Lutero). Mulheres que perderam a vida lutando pelos seus e nossos direitos. São essas e tantas outras mulheres que me inspiram. 


Percebo que a participação de mulheres na história sempre foi considerada um apêndice e colocada à parte. “Coisa de mulher”, “coisa de cozinha”. No entanto, mulheres não se resignaram com esse “lugar” e “papel” a elas designados. Usando os meios que lhe eram dados, transformaram sua própria realidade e a realidade de todo um povo.  Na história de nosso mundo, país, cidade e comunidade houve a participação de mulheres. Nosso desafio é, desvelar e revelar a participação das mulheres na história: suas ações, contribuições em todas as áreas da vida e sociedade. É fazer das “sobras” uma bela mesa, cheia de histórias de vidas que, unidas, formam um banquete que alimenta quem tem fome de justiça de direitos, de igualdade, de paz, respeito, amor e solidariedade. 


O Dia Internacional das Mulheres é um alerta de memória e de celebração. De poder dizer às mulheres que já se foram e que nos brindaram com a busca pela liberdade,  muito obrigada! Sem elas ainda estaríamos nos silêncios opacos dos corredores escuros da história. Mulheres que foram à luta, reivindicando espaço no mercado de trabalho, direito de liberdade, direito a vida com sentido. São mulheres com rosto, cor e classes sociais distintas, são também as nossas avós e mães a nos proteger e incentivar com seus olhares atentos e orgulhosos por verem que estamos a caminho de um mundo mais equitativo, mais digno e mais humano. Ainda temos um longo caminho a ser percorrido em busca de igualdade. Ainda vemos a violência presente em muitos lares, mulheres recebendo salários inferiores exercendo a mesma tarefa de homens, mulheres sendo discriminadas. O dia internacional das mulheres é data para refletir e perceber as lutas que muitas mulheres que nos antecederam tiveram para conquistar direitos de igualdade.  É tempo de sermos solidárias umas com as outras para que as lutas por direitos não sejam solitárias. Parabéns a todas as mulheres que não se cansam de buscar por igualdade!"


Mariza Sandra Scheffler Allebrandt

 

 

"Sou casada com Fábio Alberto da Luz, mãe de Helena, 4 anos, e da Antonela, 2 anos. Formada em Administração, com pós-graduação em Controladoria e Auditoria, pela Setrem. 


Quando iniciamos a empresa Daluz Calçados, eu cuidava de toda a parte administrativa, compras, pagamentos, faturamento, movimento e o engraçado é que ainda dava tempo de ler jornal no expediente! Claro que tinha dias que trabalhávamos até de noite. Hoje a empresa cresceu e as tarefas foram divididas. Agora, atuo na área de planejamento, compras e sou – junto com o Fábio –, porta-voz da empresa. Os desafios ainda são frequentes; é preciso muita resiliência para empreender. Estamos sempre em constante evolução, nem sempre com a velocidade que gostaríamos, mas sempre em frente. A mensagem que eu deixo é um passo de cada vez. Às vezes você vai sentir que sua vida não anda, mas não é verdade; estamos sempre em movimento. As mulheres que me inspiram são Nathalia Arcuri e Elainne Ourives."


Siliane Muhlbeier, 32 anos

 

 

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