Bombeiros atendem mais de uma chamada por dia envolvendo abelhas

Nos primeiros 29 dias de 2026, o Corpo de Bombeiros de Três de Maio já atendeu 44 ocorrências envolvendo enxames

Bombeiros atendem mais de uma chamada por dia envolvendo abelhas
Em 2026 já foram registradas quase 30?s ocorrências envolvendo abelhas, vespas, e marimbondos do ano anterior em Três de Maio

As abelhas são responsáveis por grande parte da polinização no planeta e desempenham um papel essencial na vida humana

Elas são insetos fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas e a produção de alimentos. Presentes em quase todos os continentes, elas são conhecidas principalmente por sua capacidade de polinizar flores, garantindo a reprodução de diversas plantas. 

Esse trabalho é indispensável para a natureza e para os seres humanos, pois aproximadamente 73% das culturas agrícolas do mundo dependem da polinização feita por insetos como as abelhas, conforme a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas – A.B.E.L.H.A. Além disso, elas produzem o mel, a cera, o própolis e a geleia real, substâncias altamente valorizadas tanto na alimentação quanto na medicina. 

As abelhas da espécie Apis mellifera (abelhas africanizadas) parecem inofensivas quando observadas em voos solitários pela paisagem urbana. Entretanto, ataques por enxames de abelhas têm vitimado cada vez mais pessoas. As altas temperaturas têm intensificado a presença de abelhas, marimbondos e vespas em áreas urbanas e rurais, elevando o número de ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros. Em Três de Maio, somente nos primeiros 29 dias de 2026, o pelotão já foi acionado 44 vezes para casos envolvendo esses insetos, o que representa quase 30% de todas as ocorrências registradas ao longo de 2025.

O aumento chama a atenção das autoridades e da comunidade, especialmente após a morte de um homem de 52 anos no interior de Alegria. Virones Vanderlei Muller foi atacado por um enxame de abelha no dia 11 de janeiro, indo a óbito.

Segundo o sargento Cassiano Rodrigo Fin Schneider, do Corpo de Bombeiros de Três de Maio, o número elevado de chamados neste início de ano já supera a média dos anos anteriores. “Em apenas 29 dias atendemos 44 ocorrências. Somos responsáveis por sete municípios, mas, por uma questão cultural, Três de Maio aciona mais o Corpo de Bombeiros. Com certeza há situações semelhantes em municípios como Boa Vista do Buricá, Nova Candelária e São Martinho, mas a população acaba não chamando com a mesma frequência”, explica. Do total de registros deste ano, 42 ocorreram no município-sede do pelotão.

 

Nos últimos dois anos, chamadas para atendimento envolvendo abelhas, vespas e marimbondos aumentaram 56% em Três de Maio

Em 2025, os atendimentos relacionados a abelhas, vespas e marimbondos cresceram 56% em Três de Maio, passando de 68 registros em 2024 para 155 no ano passado. Isso representa, em média, uma ocorrência a cada dois dias, enquanto em 2024 a média era de um chamado a cada cinco dias.

O aumento também foi significativo em nível estadual. No Rio Grande do Sul, o Corpo de Bombeiros registrou 14.118 ocorrências desse tipo em 2025, contra 8.241 em 2024, alta de 71%. Conforme a corporação, os dados englobam averiguações e manejo de insetos, sem distinção entre ataques e ações preventivas, como isolamento de áreas.

Diante do cenário, o Corpo de Bombeiros reforça orientações à população. Ao encontrar um enxame em repouso ou de passagem, a recomendação é não mexer e manter distância, evitando movimentos bruscos ou ruídos altos. Normalmente, nesses casos, as abelhas deixam o local em dois ou três dias. Também é importante isolar a área e manter crianças e animais afastados.

Além dos cuidados imediatos - veja quadro ao lado - medidas preventivas ajudam a reduzir riscos, como evitar acúmulo de lixo, restos de alimentos ou bebidas doces ao ar livre, além do uso excessivo de perfumes e produtos com cheiro forte, que podem atrair ou irritar os insetos. Quando não houver emergência, a orientação é procurar um apicultor para a retirada adequada do enxame.

O acionamento do telefone 193 é indicado quando houver ataque em andamento ou risco iminente, especialmente em locais de grande circulação, como escolas, hospitais ou residências. A prioridade dos bombeiros é a remoção segura do enxame, geralmente em parceria com apicultores, e não o extermínio. Matar abelhas é crime ambiental, conforme a Lei Federal nº 9.605/98.
 

Casos críticos  devem procurar serviço de emergência

A Secretaria Municipal de Saúde de Três de Maio informa que ao receber um caso suspeito de picada por inseto ou animal peçonhento, é realizada a documentação fotográfica da lesão e, imediatamente, feito contato com o Centro de Informação Toxicológica (CIT). As imagens são encaminhadas ao CIT, que orienta quanto ao protocolo de registro, notificação e à conduta adequada a ser adotada. “Quando o CIT confirma a suspeita de picada por animal peçonhento, o caso é devidamente notificado, e todas as informações pertinentes são registradas conforme as normas vigentes”, explica a enfermeira Cassia Oliveira. 

Ela explica que nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) não é frequente o atendimento de pacientes em estado crítico decorrente de picadas por animais peçonhentos ou insetos, uma vez que tais situações configuram emergências. “Nesses casos, o usuário é orientado e/ou encaminhado diretamente aos serviços de urgência e emergência, os quais dispõem de maior suporte para o manejo clínico, inclusive em situações de reações alérgicas graves”, afirma Cassia. 

O CIT também presta informações específicas à comunidade leiga em relação à prevenção, primeiros socorros e medidas ou manobras que possam minimizar o efeito de qualquer exposição a um agente tóxico, até o atendimento de um profissional de saúde pelo telefone: 0800.721.300, com plantão 24 horas/dia.

 

RECOMENDAÇÕES
AO ENCONTRAR UM ENXAME OU COLMEIA:
Não se aproxime: mantenha distância segura do enxame ou da colmeia.
Não tente remover por conta própria: a remoção inadequada coloca você e outras pessoas em risco.
Chame ajuda especializada: acione o Corpo de Bombeiros (pelo telefone 193), a Defesa Civil da sua cidade ou um apicultor profissional para fazer a remoção segura.
Evite perturbações: não faça barulhos altos, não use máquinas como roçadeiras perto do local e evite aplicar inseticidas.
PARA EVITAR ATAQUES EM ÁREAS DE MATA 
OU TRILHAS:
Use roupas claras: cores escuras podem atrair as abelhas.
Fique atento aos sinais: se abelhas começarem a voar de forma agressiva na sua frente, afaste-se lentamente. É um sinal de alerta.
DURANTE UM ATAQUE:
Corra imediatamente: afaste-se o mais rápido possível do local do ataque.
Corra em zigue-zague: esse movimento ajuda a desorientar as abelhas e dificulta a perseguição.
Proteja o rosto, pescoço e mãos: use uma camisa, toalha ou qualquer tecido para cobrir as áreas mais vulneráveis.
Procure um abrigo fechado: entre em um carro, casa ou qualquer edificação para se proteger.
Não faça movimentos bruscos: tentar bater nas abelhas pode irritá-las ainda mais.
Nunca pule na água: evite se jogar em rios ou lagos, pois as abelhas podem esperar na superfície e há risco de afogamento. 

APÓS SER PICADO:
Remova os ferrões corretamente: use a borda de um objeto rígido (como um cartão) ou uma pinça para raspar a pele e retirar o ferrão, sem espremê-lo, para evitar a injeção de mais veneno. Higienize o local da picada com água e sabão e aplicar compressa fria.
Mantenha a calma: o nervosismo pode acelerar a circulação do veneno pelo corpo.
Procure atendimento médico: é fundamental ir a um hospital ou posto de saúde, especialmente em caso de múltiplas picadas ou se a pessoa for alérgica.
Fique atento a sinais de alergia: dificuldade para respirar, inchaço no rosto ou na garganta, tontura e urticária são sinais de uma reação grave e exigem socorro imediato.
Em locais remotos, o Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul (CIT) pode ser acionado pelo telefone 0800 721 3000 para orientações de primeiros socorros.