Continua o impasse judicial sobre retorno das aulas presenciais

Sem autorização, alunos, pais e escolas particulares somam prejuízos

Continua o impasse judicial sobre retorno das aulas presenciais
Escolas continuam vazias - Foto ilustrativa - Arquivo JS

Com o Estado em bandeira preta desde o dia 27 de fevereiro, as aulas presenciais estão suspensas desde então. Embora o governo do Estado tenha autorizado as aulas presenciais para Educação Infantil, 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, uma liminar do Tribunal de Justiça do Estado impediu as aulas presenciais nas escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul durante a vigência da bandeira preta, no dia 1º de março. De lá para cá, o Estado entrou com diversos recursos para derrubar a liminar, sem sucesso. Até chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada, onde aguarda julgamento do ministro Kassio Nunes Marques.


O impasse que envolve Estado e o Judiciário para o retorno das aulas presenciais deixa apreensivos pais, alunos e escolas, principalmente as particulares que fizeram grandes investimentos para adequar seus espaços para atender todas as exigências e protocolos do Governo do Estado para atender os alunos. No momento há duas expectativas: o julgamento no STF e a possível troca de bandeira pelo governo do Estado em algumas regiões. 


O problema não para por aí. Existe a questão dos pais que precisam trabalhar e não têm com quem deixar os filhos pequenos. Sem opções, o jeito é improvisar, conseguir quem possa cuidar das crianças. Existe uma série de adaptações que precisam ser feitas por muitas famílias, e que, em muitos casos, pode significar mais risco do que se a criança estivesse na escola. Somado a tudo isso, ainda há o prejuízo acadêmico dos alunos tanto tempo fora da sala de aula, além do convívio social e da saúde mental/emocional.  


O Jornal Semanal conversou com os diretores da Setrem e do Dom Hermeto (as duas maiores escolas particulares do município) para ver como eles avaliam toda essa situação que envolve o retorno das aulas presenciais. Existe muita expectativa com a liberação, para que os alunos voltem para as escolas e faça valer todo o esforço e investimento financeiro para atender os alunos com toda a segurança possível.

 

Diretor da Setrem acredita que troca de bandeira poderia solucionar o problema 

Sandro Ergang: ‘A Setrem está preparada com todos os protocolos para atender nossos alunos’

 

De acordo com o diretor-geral da Setrem, Sandro Ergang, se o governo do Estado quisesse, de fato, o retorno das aulas presenciais, poderia recuar a bandeira. “Poderia deixar que as regiões que estão com melhores indicadores nos leitos de UTI pudessem voltar”, enfatiza. 


Segundo ele, as medidas de proteção são extremamente necessárias para não colocar vidas em em risco. “Por outro lado, não podemos ser irresponsáveis de negar o acesso à escola, e que as pessoas tenham pelo menos o direito ao trabalho. Nós estamos cerceando os pais de poder trabalhar e colocando as crianças aglomeradas dentro de residências particulares”, afirma. 


Ergang alega que há informações de que escolinhas de Educação Infantil estão terceirizando o serviço dos professores. “Estão enviando professores para algumas casas, e lá aglomerando as crianças para as famílias poderem se organizar. Então, é uma hipocrisia sem tamanho”, desabafa. 


O diretor da Setrem diz que toda essa situação causa muita indignação. Segundo ele, às vezes até os pais não conseguem compreender e acham que a escola tem autonomia para voltar com as aulas presenciais, indo contra as determinações legais.

 

 

Dom Hermeto está na expectativa com decisão do STF

Gildor Scherer: ‘A volta das aulas presenciais é essencial para a volta da normalidade da estrutura das famílias’ 

 

Para o diretor do Colégio Dom Hermeto, Gildor Scherer, o sentimento com a situação é de frustração. “A escola investiu, se preparou, se adequou para as aulas presenciais com todos os protocolos exigidos. Então,  nós e as famílias ficamos frustrados por essa decisão da juíza de não poder atender os alunos de forma presencial”.


Ele explica que a instituição está atendendo da melhor forma possível, com aulas remotas em todos os níveis de ensino. “Tem envolvimento diário, mas sabemos que chega num ponto que começa a saturar o sistema. Mexe com toda a estrutura familiar, pois os pais precisam arrumar alguém para ficar com as crianças”, justifica. 


O diretor diz estar na expectativa com o julgamento do Supremo Tribunal Federal, que pode derrubar a liminar da juíza. Também há expectativa para a troca de bandeira, já que na vermelha libera todos os níveis de ensino. “Temos que tomar cuidado, é perigoso, mas não é dentro da escola, com todos os protocolos de segurança, que se pega Covid”, finaliza.