ANJOS DO BEM: Em dois anos, mais de 440 animais resgatados e encaminhados para adoção

Não há um número exato de cachorros e gatos abandonados ou que sofrem maus-tratos em Três de Maio. Porém, a Associação Anjos do Bem, formada por voluntários, há dois anos vem realizando um trabalho incansável no resgate desses animais, que após atendimento veterinário, são encaminhados para adoção responsável

ANJOS DO BEM: Em dois anos, mais de 440 animais resgatados e  encaminhados para adoção
A cadelinha Flora foi resgatada pela Anjos do Bem. Ela foi adotada pelo casal Aline Adriele Hubner e Anderson Ávila Lesses e faz companhia para a gata Abigail - Foto: Arquivo pessoal

441 animais resgatados em dois anos

Esse é o resultado do trabalho da Anjos do Bem, às vésperas de completar dois anos de trabalho em Três de Maio. No momento, 35 animais aguardam adoção

 

Anjos nem sempre tem asas. Você pode estar olhando para um neste exato momento e não perceber. Em apenas dois anos, 441 animais, entre cães e gatos, foram resgatados e encaminhados para adoção, 380 esterilizados. Esses são os números alcançados pela Associação de Protetores de Animais Anjos do Bem (APAAB), que completa 2 anos neste domingo, dia 30 de maio.


Tudo começou em 2019, quando um grupo de amigos teve seu primeiro encontro com o objetivo de lutar em prol da Proteção Animal em Três de Maio. Hoje, o grupo é composto por duas modalidades, coordenação e grupo geral. A coordenação é formada por nove voluntários e o grupo geral por mais 14 pessoas.


De acordo com uma das coordenadoras, Tanise Raquel Roberti, estes dois anos foram de “muita dedicação, empatia ao próximo e longas horas de muito trabalho para amenizar a dor de tantos animais que vivem à mercê de nossa sociedade”. Ela conta que neste período, foram encaminhados para adoção 441 animais, grande parte retirada de situação de rua, maus-tratos, ninhadas indesejadas. “Realizamos a esterilização de 380 animais, entre fêmeas e machos ‘cães e gatos’”, relata. Até ontem, 35 cães, entre adultos e filhotes, aguardavam por adoção.


Conforme Tanise, grande parte dos animais que chegam até a Anjos do Bem, são abandonados, mas também há inúmeros casos de maus-tratos. Quando isso acontece, é feita a retirada do animal do local. “Assim que eles chegam até nós, primeiramente são encaminhados para atendimento veterinário, passando por banho, retirada de parasitas, vacinação e são desverminados. Somente depois de realizada uma avaliação de saúde são colocados para adoção”, explica. 


Tanise conta que a Anjos do Bem possui dois lares temporários com capacidade limitada, por isso, a associação sempre está pedindo para que a comunidade auxilie com ‘lares temporários’ com o acolhimento destes animais por alguns dias, até que consigam um lar definitivo. “Para estes lares ‘esporádicos’ auxiliamos com alimentação, atendimento veterinário e publicações em redes sociais e jornais em busca de tutor ou adoção responsável”, explica a voluntária.


A coordenação da Anjos do Bem ressalta que não tem obrigação de resgatar todos os animais, uma vez que esta situação é um problema da comunidade em geral. “O dever da Anjos do Bem é o mesmo de qualquer cidadão três-maiense, de socorrer e ajudar algum animal que esteja necessitando. Portanto, sempre que um animal chegar até você, tente primeiro ver o que você pode fazer para auxiliar, sempre que possível acolha, leve até um veterinário e, se não puder ficar, contate seu círculo de amigos e familiares em busca de uma doação responsável”.

 

Histórias marcantes


Nestes dois anos de atuação da Anjos do Bem, o caso que mais impactou os voluntários foi de uma cadela golpeada com facão na cabeça e face, ficando totalmente desfigurada. “Mesmo sendo atendida prontamente pelo veterinário, ela não resistiu e veio a óbito”, lamenta Tanise. A associação também já acolheu diversos animais com sarna em estado gravíssimo, que levaram meses até curar totalmente. Os exemplos são a Catarina, Lupita e Vitória.


“Acreditamos que estamos desenvolvendo um belo trabalho, passamos por dias bons e dias ruins, mas nada como um dia após o outro para nos mostrar que o bem sempre está a favor daqueles que lutam e batalham para salvar vidas”, considera a coordenação da Anjos do Bem.

 

Essa é Vitória, um dos animais resgatados. Na primeira foto recém resgatada, precisou fazer tratamento para sarna. Na segunda imagem, já curada e adotada

 

Conheça e contribua com este trabalho 


A equipe convida a todos para conhecer um pouco deste trabalho e acredita que, “se cada um dedicar um pouquinho do seu tempo ao seu semelhante, indiferente de espécie ou raça, teremos um mundo muito melhor para todos nós”, finalizam os coordenadores da Anjos do Bem.
Entre nas redes sociais do grupo Anjos do Bem e conheça o trabalho. Contatos também podem ser feitos por estes canais. Facebook: @grupoanjosdobemTM, Instagram: @anjosdobemtm.

 

Como a Anjos do Bem se sustenta


A Anjos do Bem se mantem com valores de doações, que são realizadas através de campanhas nas redes sociais Facebook e Instagram e para complementar surgiram outras modalidades como:

• Doações mensais de pessoas simpatizantes, que depositam valores variados praticamente todos os meses;
• Doações de ração para cães e gatos, casinhas, mantinhas, produtos de higiene animal podem ser feitas na Pet São Chico, na rua Mato Grosso, 700;
• Cofrinho do Bem, que se encontra em estabelecimentos comerciais do município;
• Brechó, realizado todas as terças e quintas-feiras, na rua Dom Hermeto José Pinheiro, 221, esquina com a Giruá, onde são comercializados itens recebidos através de doação, como roupas, calçados, brinquedos, utensílios domésticos, móveis entre outros;
• Coleta de material reciclado, como latinhas, papelão, garrafas pet. Os materiais podem ser entregues diretamente na rua Riachuelo, 100, na Metalúrgica do Lima.
 

Contas para fazer doação


Tanise Roberti – protetora
Chave PIX: 014445950-75


Fernando Ruppenthal da Luz – protetor
Chave PIX: anjosdobemtm@gmail.com


Lara Luciana Foletto Lasch – protetora 
Banco do Brasil       
Agência: 0682-3
Conta Poupança: 24.475-9
Variação: 051

 

“Adotar não é só querer um cachorro, é compromisso com uma vida”

Letícia Manjabosco e o marido Diogo Sodré são apaixonados por cachorros. O casal, que morava na Ilha de Chipre, retornou para Três de Maio antes de começar a pandemia e planejava ter outro cachorro para fazer companhia para  a cadela Aia.


“Um dia, olhando a página da Anjos do Bem em uma rede social, apareceu a Lagertha e na descrição dizia que ela era surda e tinha sido devolvida duas vezes. Falei com meu marido e fomos vê-la. Quando chegamos na Dona Irene, nos encantamos por ela. Na época, ela tinha apenas cinco meses”, revela Letícia.


No mesmo dia, o casal levou Lagertha – que ganhou o apelido carinhoso de Lag –, para casa. Foram inúmeros os desafios. Aia era muito calma, mas ciumenta e Lagertha era bebê, agitada, brincalhona e às vezes agressiva. 


Letícia pesquisou adestradores de cães surdos, fez curso e se aprofundou no assunto. O casal foi ensinando Lagertha com comandos de sinais. Hoje, ela obedece aos comandos e é muito mais dócil. “Ela se transformou no amor da nossa vida. Não nos imaginamos mais sem ela. Eu até me emociono de falar porque no início não foi fácil, hoje a Lag é nosso bebezão”.


O casal, que atualmente mora em Erechim, conta que não pode soltar Lagertha nos parques por ela ser surda, mas que em frente ao  apartamento onde moram há um parque para cães com cerca, onde Lag pode correr e brincar. 


“Adoção não é só querer um cachorro. Tem que saber que não é fácil, que é um compromisso com uma vida, não com um brinquedo descartável. Comprometimento diário de dar uma qualidade de vida, de passear, de brincar. Somos completamente apaixonados por elas e pelo processo de transformação da Lag de uma cachorra medrosa, reativa, possessiva para uma cachorra extremamente dócil, brincalhona e companheira”, completa Letícia.

Surda, Lagertha foi devolvida duas vezes até completar a família de  Letícia e Diogo. Na foto abaixo a família reunida

 

 

Uma nova vida para Flora

Aline Adriele Hubner conheceu a Anjos do Bem pelas redes sociais e admira muito o trabalho de dedicação dos voluntários com os animais. Ela conta que tem uma gata que ficava o dia inteiro em casa sozinha e acabou ficando deprimida e, por conta disso, ela e o marido Anderson Ávila Lesses deciciram adotar um cachorro no ano passado, que recebeu o nome de Romeu, “mas, infelizmente, tivemos que fazer eutanásia nele devido à gravidade da doença. Apesar do pouco tempo que ficou conosco, nos apegamos bastante a ele. Foi uma perda muito triste”, conta.


Com a morte do Romeu, o casal decidiu adotar novamente um cachorro abandonado. “Estávamos à procura de um cachorro que fosse gentil, que fizesse companhia para a nossa gata Abigail. Foi então, que encontramos a Flora, através da Anjos do Bem. A história dela nos comoveu bastante. Ela tinha acabado de dar à luz. Foi abandonada grávida pela antiga família. Então, decidimos adotá-la e foi a melhor escolha que fizemos. Ela é incrível, brinca com a gata, elas se dão super bem, tanto a vida da Abigail como da Flora mudou muito. Ela mudou a nossa vida e nós mudamos a vida dela”, comemora o casal.