Três de Maio enfrenta pior momento da pandemia

Afirmação é do médico pneumologista Jean Zanette, que atua na UTI Covid do HSVP. Ele alerta sobre o momento crítico devido à falta de leitos nos hospitais e pede que população tome todos os cuidados para evitar o contágio

Três de Maio enfrenta pior  momento da pandemia
Pneumologista Jean Zanette, que atua na UTI Covid do HSVP

Após um ano de pandemia, o Rio Grande do Sul passa pelo momento mais delicado, com hospitais lotados. Em Três de Maio, a situação não é diferente. O Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) também trabalha com lotação completa nos últimos dias. O Semanal conversou com o médico pneumologista Jean Zanette, que trabalha na UTI, sobre a situação dos pacientes de Covid-19 atendidos no município.


Nas últimas semanas, os cinco leitos da UTI Covid do Hospital São Vicente de Paulo, geralmente estão ocupados, a grande maioria com necessidade de ventilação mecânica, além dos pacientes internados na enfermaria com a doença.

 

 

Internação dura entre 10 dias e mais de três semanas e hospital registra aumento de pacientes na faixa etária de 20 a 50 anos
 

O pneumologista Jean Zanette ressalta que quanto mais grave o quadro, mais longa é a internação. “A média é de 10 dias, mas alguns ficam mais. Em pacientes com ventilação mecânica a internação é muito longa. Depende da evolução da doença, mas tende a ser de duas a três semanas e às vezes até mais”.


Segundo o médico, a faixa etária mudou um pouco nas últimas semanas, mas os idosos continuam sendo a maioria. “Nós vimos um aumento expressivo de casos nos mais jovens - entre 20 e 50 anos. Isso provavelmente tem muitas variáveis envolvidas. Certamente foram os que mais se expuseram nessas últimas semanas e, infelizmente, a que menos tomou cuidado.  Então, o número de casos é muito grande, e alguns evoluem para casos graves. Outra questão pode ser a própria variante, mas não temos absoluta certeza”. Quanto aos idosos e pacientes com doenças prévias, o médico afirma que continuam procurando atendimento em número considerável.

 


“É preciso tomar muito cuidado. Não existe tratamento precoce”

 

O médico ressalta a necessidade de que as pessoas tomem todos os cuidados para não pegar Covid-19. “Nesse momento não tem muito a ser feito, a não ser tomar muito, muito cuidado. O ideal é que não se pegue a doença porque, primeiramente, não existe tratamento precoce. Algumas pessoas, inclusive médicos, têm espalhado de maneira incisiva, para fazer o tratamento precoce, mas, infelizmente, as medicações não são garantia de nada. Temos trabalhos recentes mostrando que Azitromicina, Ivermectina, Nitazoxanida e Hidroxicloroquina não alteram a evolução da doença”, revela o médico. 


Conforme Jean, eventualmente, em relação a Ivermectina e a Nitazoxanida, as sociedades internacionais não se posicionam nem contra, nem a favor, então ainda resta o benefício da dúvida. “Porém, algumas medicações já está claro que não afetam de nenhuma maneira a evolução da doença”, afirma. 


O médico faz um apelo à comunidade pedindo que as pessoas tomem todos os cuidados e tenham consciência da gravidade da doença. “Usar máscara, lavar as mãos, usar álcool gel, etiqueta respiratória e, por favor, não provoquem aglomerações. Hoje em dia, a aglomeração é o churrasco de final de semana entre quatro ou cinco pessoas, entre familiares ou amigos. Não sabemos se alguém está contaminado, e apresenta poucos sintomas, ou nenhum sintoma. Dois, três dias depois fica doente e aí já passou para muitas pessoas. O ideal é ficar reservado em casa com a família, cuidar para não pegar essa doença e para também não espalhá-la”, apela o médico, que vive diariamente a realidade de pacientes internados na UTI.

 

 Pneumologista Jean Zanette

 

Todos os hospitais estão lotados

 

Jean ressalta que todos os hospitais do RS estão lotados. “A central de regulação está entregando pacientes nas emergências sem ter leitos nas UTIs. Então, a situação está muito complicada. Com relação a outras doenças, nós torcemos para que as pessoas não tenham, porque também não vai ter leito. Precisamos reduzir esses números urgentemente. Pedimos, encarecidamente, que as pessoas se cuidem muito”, finaliza o médico pneumologista.

 

 

UTIs do HSVP estavam lotadas ontem

 

No início da tarde de ontem, 11, a situação no hospital era de lotação completa dos cinco leitos da UTI Covid, dos quais quatro pacientes utilizavam ventilação mecânica. Além disso, mais dois pacientes com a doença ocupavam os leitos de isolamento da UTI geral, também com ventilação. Ainda haviam sete pacientes internados na enfermaria com Covid-19, um deles aguardando vaga na UTI.


Os internados na UTI são quatro homens, entre 40 e 76 anos, e três mulheres, entre 62 e 76 anos. Já na enfermaria, são cinco homens entre 38 e 54 anos e duas mulheres, de 62 e 69 anos. Dos sete pacientes internados na UTI, quatro são de Três de Maio, dois de Crissiumal e uma de Nova Candelária. Na Enfermaria são seis pacientes de Três de Maio e um de Agudo.