Psicologia na Prática

Psicologia na Prática

SensAÇÃO, Percepção e AutoCONHECIMENTO


De maneira geral, nós, humanos, perdemos o nosso contato com as sensações e as percepções que nos causam os ambientes, as pessoas e as situações que vivemos. Estas funções são, em grande parte, desconsideradas na educação. Nos condicionamos, desde criança, a seguir modelos e normas sociais e familiares. As emoções tendem a ser desconsideradas ou negadas e toda análise se faz em razão ao mundo externo, por uma consciência moldada e dominada por modelos preestabelecidos. 


O certo e o errado não são compreendidos pela experimentação própria, mas sim por discursos e olhares dos adultos que inferem suas verdades e, na maioria das vezes, imprimem os seus estereótipos nas crianças. Logo, a consciência não se forma exata, uma vez que segue a ordem de um outro, e estes condicionamentos tornam-se as leis para viver. Com isso, vem o desconhecimento de si e a falta de inteligência emocional.


Vive-se à distância da sensação e da percepção, que são nossas informações mais exatas. Temos indicadores receptivos que passam as informações pelos sentidos e pelas variações internas emotivas e psíquicas.


É preciso saber se ouvir, ouvir o corpo em suas variações fisiológicas e emocionais. É preciso compreender a origem e o sentido de cada emoção, se é um condicionamento do passado ou se é atual e coerente ao expressar uma reação ao momento presente. Nossas emoções têm poderosos efeitos nos processos do pensamento, em como pensamos e também no conteúdo do pensamento: no que pensamos.


A percepção direta e imediata colhe o real mediante à vida no contato com as pessoas ou situações. No entanto, nem sempre temos a compreensão desta linguagem com a mesma precisão em que vivemos. Nossa forma de pensar, nossos complexos e nossos modelos fixos de ver a vida ou nos relacionarmos tendem a moldar a leitura da percepção e, assim, ocorrem as distorções de realidade. Por exemplo, uma pessoa se sentir atraída, não necessariamente denota um interesse afetivo ou sexual. Pode ser um feeling de inteligências que se atraem, se identificam. Mas se a consciência estiver condicionada ao padrão comportamental baseada na cultura de gênero, pode haver muita confusão emocional, perda de uma amizade ou de uma parceria de inteligência com provável ganho mútuo.


Sempre podemos amadurecer e compreender com maior exatidão nossas percepções. Podemos nos compreender e nos libertar de padrões comportamentais que limitam nossa vida e geram confusão. 


Quanto maior o desenvolvimento psicológico, melhor se torna a vida. Quanto maior o autoconhecimento que a psicoterapia proporciona, mais fácil é entender o que é real porque paramos de criar fantasias e negatividades que distorcem a realidade. 


O verdadeiro autoconhecimento traz lucidez, liberdade, autonomia existencial, coerência e compreensão clara da vida. Só assim podemos escolher o que é válido para cada momento.


“O homem ocidental se identifica com seu soberano regente 
(a razão) e alienou suas modalidades afetivas e sensoriais”

Gary Yontef

 

Arlete Salante

Psicóloga, Psicoterapeuta e Consultora Empresarial

Doutoranda em Psicologia pela UCES - Buenos Aires

(55) 99970-8357 - YouTube

 

ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 05.02.2021

A COLUNISTA ESCREVE QUINZENALMENTE