Esporte

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“Quando Deus quer algo, ninguém o pode resistir.”

Ayrton Senna

 

Use máscara, lave suas mãos, mantenha distância e cuide-se.

 

Em decisão dos prefeitos da região, na tentativa de diminuir os casos de Covid-19, a Amufron definiu medidas restritivas que entraram em vigor dia 16 de junho. Entre as decisões, os esportes coletivos amadores estão suspensos. 


POR ONDE ANDA: Em algumas palavras, Tarcísio Cassol faz o relato da sua exitosa história no Botafogo E.C. de Três de Maio.


“Tudo iniciou em uma manhã de domingo, após as rezas dominicais na comunidade de Rocinha, com os tios Marcelino Cassol e Hugo Schardong, que estavam aguardando eu e meu saudoso pai Valentim, para me convidarem a jogar pelo preto e branco. Após algumas dicas de papai, embarquei para jogar à tarde um amistoso contra a Associação Horizontina, no Estádio Municipal. Jogo este de minha estreia e com derrota de 1x0, em 17 de julho de 1977. Daí em diante, até o ano de 1986, foram nove anos defendendo a Estrela Solitária. 


No ano seguinte rumei ao quartel em Itaqui, de onde inúmeras vezes, ao finalizar o expediente da sexta-feira, corria atrás de carona, sempre com caminhoneiros (inclusive na carroceria em cima das cargas), para defender o clube. Já de 80 a 82, cursei a faculdade em Cruz Alta e de lá rumava aos finais de semana para as partidas oficiais. A primeira grande conquista, o tricampeonato Estadual de Amadores pelo Botafogo, em Marau, num quadrangular frente ao Strassburger de Crissiumal (4x1), Grêmio Esportivo Marau (2x1 – fiz o gol que nos deu o título) e Ferreira de Cachoeira do Sul (0x0), precisamente no dia 21 de dezembro de 1980, sob o comando do amigo Camilo Kerwhald. 


A partir de 1983, devido à profissão, vim residir no oeste catarinense, na cidade de Saudades. Até 1986, ano este em que o Botafogo passou a disputar competições em nível profissional, continuei atuando pelo clube, com inúmeras viagens de Fusca ou através de vários desportistas abnegados que vinham me buscar e após os jogos ou pela madrugada da segunda-feira me trazerem de volta. 


Devo confessar que minha carreira esportiva não foi muito fácil. Apesar disto, ainda tive o privilégio de, juntamente com outros craques, conquistar o tetracampeonato invicto, em Ivoti, agora comandado pelo amigo Ademir Dahlen (Estufado); 3x1 frente ao Avenida de Soledade; 2x1 contra Ivoti e 1x1 contra Arroio Grande (22/12/85). Poucas partidas amistosas atuei pelo Botafogo, devido aos estudos e trabalho fora. Totalizei 168 partidas; 49 gols (sendo 7 em clássicos Botal); tudo devidamente registrado em meus arquivos pessoais e que ainda, com orgulho, carrego comigo. 


Levo o Botafogo e Três de Maio em meu coração: amigos, atletas, dirigentes, a inesquecível bandinha, a torcida, a imprensa falada (Rádio Colonial) e escrita, adversários e até a copa ladeada de eucaliptos do Estádio Municipal, local de inúmeras comemorações, jamais sairão de minha memória. Foi um privilégio defender as cores do preto e branco – com amor à camisa – até morrer. 


Hoje, tenho minha família formada; esposa Tânia (também três-maiense); 3 filhos, 1 genro e o netinho Gabriel, de um aninho de vida. Continuo residindo em Saudades, sempre acolhendo os amigos que por aqui chegam, para uma boa prosa e lembranças. 


Rogo ao céu por um mundo de paz e harmonia, na torcida que esta pandemia desapareça e que brevemente possamos voltar a nos encontrar. Não esquecendo da S.E. Rocinha, onde tudo começou, inclusive com o título Varzeano no ano de 1976, sob a presidência dos saudosos Valentim Cassol e o comando técnico de João Benedetti (Joanin); também das várias competições esportivas do futebol de salão, na quadra da Praça da Bandeira e Ginásio Cardeal Pacelli; assim como inúmeras participações esportivas aqui pelo estado catarinense. 
De Saudades, com saudade...                

Tarcísio Cassol