Conciliar trabalho, casa e tarefas escolares é desafio diário para muitas famílias

A rotina da família de Denise Maritê Trimpler e Cláudio Rorato teve que se adaptar, rapidamente, com a chegada da pandemia. Ela, que é oficial escrevente (três dias por semana trabalha em home office), e o marido, advogado, se unem para conciliar e organizar o trabalho e as aulas online dos filhos Gustavo, 16 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio; e Antônia, 7 anos, aluna da 2ª série do Ensino Fundamental. A família passou a compartilhar dois notebooks e celulares, para o trabalho dos pais e para as atividades escolares. Confira nesta edição, mais uma reportagem sobre as aulas remotas nas escolas de Três de Maio

Conciliar trabalho, casa e tarefas escolares é desafio diário para  muitas famílias
Com as aulas em casa e o trabalho em home office, Denise fica mais tempo com a família, para a alegria dos filhos, em especial da caçula Antônia, 7 anos

Os desafios para quem ensina e para quem aprende

‘Afirmar que é um ano perdido é uma incoerência, pois nós como educadores sabemos o quanto cada um (aluno-família-escola) está fazendo e se desafiando para a construção de uma aprendizagem real’, avalia o diretor do Colégio Dom Hermeto

Dando sequência à série de reportagens sobre o ensino remoto, das escolas das redes pública e privada, nesta edição o Semanal conta como estão ocorrendo as aulas remotas no Colégio Dom Hermeto.
Atuando com o modelo cooperativo na gestão escolar, o Colégio Dom Hermeto é uma escola privada, que oferece uma proposta pedagógica diferenciada, em que se trabalha não apenas os resultados do aluno, mas a formação integral dele, introduzindo além dos valores morais e sociais, os valores do cooperativismo, ressaltam o diretor,  professor Gildor Spengler Scherer e a presidente da Cooperdomhermeto, professora Tatiana Weber.
De acordo com Gildor, as aulas na instituição estão acontecendo “normalmente”, através de interações com o Google Meet, material físico, vídeos próprios no YouTube e interações por WhatsApp. "Enfim, todos os meios possíveis são usados para aproximar ao máximo o educando com a escola".

‘A mudança causou a ruptura de uma educação tradicional para um meio tecnológico, sem uma  preparação prévia dos alunos, familiares e  professores’, avalia diretor do Colégio Dom Hermeto, Gildor Spengler Scherer 

 

'Sem fórmulas prontas’, destaca Gildor

Segundo o diretor, com alunos da Educação Infantil, o contato maior é por grupos de WhatsApp, vídeos e material físico, o que permite maior facilidade de acompanhamento dos pais no momento ou após a jornada de trabalho. “A partir da primeira série, os Meets do Google são diários. Da 6ª série ao Ensino Médio segue horário normal de aulas. Procuramos, sempre que possível, adequar os mesmos da melhor forma possível, a fim de não gerar prejuízo para os educandos”, explica.
Gildor conta que com as aulas remotas existem os prós e contras, como a falta de contato e das interações mais próximas; internet com pouco sinal, quedas, etc. Mas, por outro lado, se desenvolvem a organização e autonomia. “A mudança causou a ruptura de uma educação tradicional para um meio tecnológico, sem uma preparação prévia dos alunos, familiares e professores. A troca, a partilha e o entendimento de uma nova necessidade imediata fez todos se desacomodarem. Não se possui uma fórmula pronta, a caminhada deve ser construída de forma conjunta.”
Ele avalia que as dificuldades são inerentes ao processo. “Toda mudança proporciona desafios. Professores, pais e alunos estão neste processo. A equipe pedagógica da escola dá todo suporte e busca soluções para em parceria com os professores implementar. O momento é de construção de aprendizagem, conhecimento real, e isto com certeza está acontecendo em todas as escolas. Cada uma de sua maneira e com seus métodos”, ressalta.

 

Reflexos econômicos nas escolas particulares
A cooperativa escolar já sente os reflexos econômicos da pandemia. Gildor explica que, com a parceira junto aos pais neste processo desde sua fundação, o Colégio Dom Hermeto procura, através de planificação de receitas e gastos “ajudar as famílias dos alunos com descontos nas mensalidades de maio a setembro deste ano ano”. “Descontos a todos, conforme percentual mensal, que não coloquem em risco a saúde financeira da cooperativa. Em maio foi 30% de desconto, junho e julho 20%, agosto 18% e setembro 15% – somando os descontos, equivale a uma mensalidade gratuita em 5 meses”, detalha.
Questionado sobre a inadimplência com relação às mensalidades, ele afirma que está sob controle, com ações e planejamentos semanais. “Mas mostra leve crescimento no último mês”, calcula. 
Quanto ao cancelamento de matrículas, conforme o diretor,  se reflete principalmente na educação infantil, em especial ao berçário e turmas do Maternal A e B – que compreende uma faixa de 8 meses até 3 anos–, faixa onde a matrícula ainda não é obrigatória e acesso das aulas remotas ser mais delicado.
Por outro lado, a pandemia também trouxe reflexos na produção de horas pelos associados (professores), com a suspensão das oficinas. “Eles deixam de receber, o mesmo ocorre com os monitores de turmas. Assim, não aconteceram demissões, pois somos todos cooperados, mas sim, redução nas horas de trabalho, conforme necessidade para a cooperativa”, informa.
 

Trabalho conjunto entre escola e famílias

Na avaliação do diretor, o ano de 2020 está sendo um ano de muito aprendizado, não somente de conteúdos, mas de vivência. “Afirmar que é um ano perdido é uma incoerência, pois nós como educadores sabemos o quanto cada um (aluno-família-escola) está fazendo e se desafiando para a construção de uma aprendizagem real. O incentivo, a troca, o foco e a determinação serão fatores que farão o diferencial. Como escola, só temos a agradecer a seleta equipe de professores e profissionais; e as famílias e educandos por acreditar na nossa proposta de trabalho e realizar este trabalho conjunto, em prol de nossos filhos”, conclui Gildor. 

 

‘Os professores tiveram que aprender, do dia para a noite, a lidar com a 
tecnologia e fazer dela uma aliada’, afirma a professora da Educação Infantil, Nara Cenedese

Nara Schumann Cenedese é professora da Educação Infantil do Colégio Dom Hermeto

Há 19 anos atuando no magistério, a professora Nara Sueli Schumann Cenedese destaca os desafios do atual momento. “O professor foi obrigado a se reinventar no meio dessa confusão. Ele não teve apenas que reorganizar sua vida para colocar outras funções dentro do mesmo horário. Os professores tiveram que aprender, do dia para a noite, a lidar com a tecnologia e fazer dela uma aliada, só que não foram preparados para isso. E, pais e professores tiveram que adaptar a rotina de aprendizado ao isolamento social”, avalia.
Para ela, diante do cenário vivenciado, os desafios são gigantes para a educação – como um todo – e para os professores, em particular. “O mundo está se transformando e não voltaremos ‘ao normal’, pois o normal será uma nova realidade, muito diferente do que estávamos vivendo até a pandemia da Covid-19. O mundo, provavelmente, não será o mesmo. A educação e os professores também não”, prevê.
Por trabalhar com Educação Infantil, ela avalia que nessa idade, o mais importante não é a quantidade de trabalho, mas sim, manter viva a curiosidade e a paixão que a criança tem pelo mundo. “A criança é uma pesquisadora por natureza porque faz pergunta o tempo inteiro. Ela sempre quer saber como as coisas são e como elas funcionam”, afirma. 
Além disto, a educadora ressalta que os pais estão tendo um papel muito importante, principalmente, com a Educação Infantil, pois são  eles que acompanham de perto as atividades, os cadernos, a correção. “Vamos pensar que o que estamos vivendo é uma grande oportunidade para fazer diferente, não vamos deixar passar. É outro tempo, um dia de cada vez, as crianças são muito capazes de se adaptar a novas situações”, finaliza.

 

‘O ensino virtual é muito positivo, pois está permitindo essa aprendizagem real no momento, mas, em contrapartida, penso que as competências socioemocionais precisarão ser trabalhadas novamente de forma mais direta quando retornarmos’, ressalta a professora Maria Carolina Magalhães Santos

Maria Carolina Magalhães Santos, 26 anos, está ha seis no Ensino Privado, em diferentes níveis de Ensino

A jovem professora Maria Carolina Magalhães Santos, enfrenta uma realidade diferente nos três níveis de ensino nos quais atua: 3ª série, Séries Iniciais; História, 8ª e 9ª séries, Séries Finais; e História, 1ª, 2ª e 3ª séries, do Ensino Médio.
A professora do Colégio Dom Hermeto, revela que nas séries iniciais, foi feito um período de adaptação para ser possível fazer aulas virtuais. "Afinal, são crianças pequenas. Na escola elas brincam, interagem e vivem de uma forma diferente dos alunos do Ensino Médio, e o mesmo está acontecendo nas aulas virtuais, elas são bem diferenciadas para conseguirmos atender da melhor forma possível, mantendo os conteúdos em dia e trabalhando muito com a escuta das crianças, de suas dificuldades e facilidades." 
No ensino fundamental séries finais a principal diferença, conforme a professora é a metodologia. "No meu caso, nas Ciências Humanas, o principal foco é trabalharmos com a leitura, escrita e interpretação histórica e geográfica, assim, estamos trabalhando com os conteúdos de forma normal, mas intercalando com projetos interdisciplinares, que envolvam temas pertinentes e trabalhados na BNCC. Já no Ensino Médio percebo que é o nível mais tranquilo, pois os alunos conseguem participar, fazer as leituras e se organizar de forma mais autônoma, o que facilita muito nas aulas virtuais. Também são feitos projetos interdisciplinares e os conteúdos continuam alinhados com a proposta da escola e com o que é exigido no Enem/Vestibulares”, explica.
 Embora o momento seja diferente e desafiador, ela ressalta que a principal vantagem é estar conseguindo aprender muito e conhecer novas tecnologias educacionais. “Mesmo antes, sendo adepta do uso das tecnologias da informação e comunicação (TIC´s) em sala de aula, agora conheço muitos recursos novos e estou em constante formação. A principal desvantagem é que estamos sempre preocupados se nosso planejamento está bom, se conseguiremos trabalhar os conteúdos, se os alunos irão compreender e gostar de nossas aula, enfim, a aula que antes exigia uma hora de planejamento, agora exige o dobro ou triplo do tempo”, compara. 
Planejamento e organização das aulas
A maior dificuldade enfrentada por Maria Carolina é o planejamento e a organização das aulas. “É um sistema que nunca usamos antes, mesmo que o planejamento seja modificado e aprimorado todas as aulas, precisamos incorporar uma nova metodologia, que usasse os recursos digitais de forma integral. O material que dispomos na escola é muito pensado e organizado para a aprendizagem das crianças e muitas vezes em casa não se dispõe do mesmo. O bom é que as famílias têm sido muito compreensivas e estamos conseguindo adaptar muitas coisas”, destaca.

 

Aprendizagem está acontecendo
A educadora assegura que o mais legal desse período é conseguir ver que apesar das dificuldades, os alunos estão aprendendo. “Existem dificuldades, principalmente em conteúdos mais complexos, mas eles estão conseguindo compreender os conteúdos de forma muito tranquila. Todavia, a aprendizagem emocional tem sido muito testada nesse período. As questões emocionais que também são trabalhadas na escola, principalmente de convivência e interação, são mais complicadas para o trabalho nesse período pelo distanciamento social. Esses são pontos que certamente teremos que buscar estratégias para quando retornarmos. Vejo o ensino virtual muito positivo, pois está permitindo essa aprendizagem real no momento, mas em contrapartida penso que as competências socioemocionais precisarão ser trabalhadas novamente de forma mais direta quando retornarmos”, observa.


Manter atividades em dia
A primeira dica dada pela professora aos estudantes, de todos os níveis, é a organização. “Mantendo os trabalhos, temas, atividades em dia já é ‘meio caminho andado’. Intercalar momentos de estudos com momentos de descanso também é essencial”, aconselha, lembrando que no horário de intervalo os alunos podem e devem sair da frente do computador, fazer um lanche, brincar, enfim, descansar. E, para os maiores, aproveitar para fazer as leituras indicadas, fazer fichas de estudo, iniciar as revisões para não acumular conteúdo e buscar entender qual a forma que melhor aprende. “Talvez será ouvindo a gravação da aula novamente, fazendo um resumo ou uma leitura, enfim, é um momento também para que se aprenda a aprender”.

 

Apoio familiar
Maria Carolina revela que o apoio familiar tem sido importante. “As famílias têm se desdobrado para acompanhar os conteúdos, atividades e organização escolar. Sempre vi que a parceria da escola e comunidade escolar precisa acontecer, e nesse período, mais do que nunca, isso está acontecendo. Agradeço muito por todo esse apoio das famílias no período”. 
E, para finalizar, a professora deixa uma mensagem de incentivo aos colegas de profissão. “Todos estão de parabéns, pois, seja com aulas virtuais, lives pedagógicas ou encaminhando atividades, têm se reinventado todos os dias para fazer com que o conhecimento chegue nas casas”, conclui.

 

‘Escola não é só conteúdo, é vida, emoção, toque, contato físico, aprendizagem. Hoje a palavra pra mim é saudades’, lamenta a professora Adriana Marasquin Rodenbusch

Com 48 anos de idade, Adriana Marasquin Rodenbusch, já dedicou 30 para o magistério. Atuando com as disciplinas de Língua Portuguesa e Língua Inglesa de 6º ao 9º anos; e, no Ensino Médio, lecionando Português, Redação, Literatura e Inglês, ela é professora no Colégio Dom Hermeto e no Instituto Estadual de Educação Cardeal Pacelli. Após quatro meses sem aulas presenciais, ela admite que a situação está difícil. “Pois escola não é só conteúdo, é vida, emoção, toque, contato físico, aprendizagem. Hoje a palavra pra mim é saudades”, lamenta.
Ela reforça a ideia de que, a palavra-chave para os educadores é reinventar-se. “Primeiro, aprender a usar as plataformas, aí vamos dar o máximo e o melhor. Eu vivo duas realidades muito diferentes. Na escola pública, atividades a distância, alguns alunos sem acesso à internet , sem celular ou computador. No Dom Hermeto, aulas on line no horário normal de aula, manter uma nova rotina, e o mais importante, que minhas aulas sejam  agradáveis, motivadoras, envolventes, pois há conteúdos, avaliações, e sentimentos que não podem ser  menos valorizados; a aprendizagem deve acontecer”, explica. 
Adriana destaca que é necessário manter uma rotina para as aulas, os horários, temas, leituras, estudo. E que o foco deve ser mantido. “O apoio da família é imprescindível. Tento sempre envolver muito meus alunos nas aulas, questionando, fazendo leituras, tirando dúvidas, apresentação de trabalhos, crônicas, leituras e opiniões”.
Porém, para a educadora, nada substitui a escola e estar na escola. “Hoje, entre tantas adaptações, há dias com internet ruim, sem luz,  barulhos, a vergonha de ligar a câmera, internet travando, professor repetindo, improvisando sala de aula com quadro.... assim vamos trabalhando. Tudo mudou muito rápido, só restou adaptarmos. E dessa forma, um fazer diferente é necessário e muito desafiador”, compara.
Quanto à aprendizagem do aluno nesse contexto, a educadora observa que não é tão fácil. “Cada um no seu tempo e a distância dificulta. Sabemos o quanto estar perto é importante, ao lado do aluno é o nosso lugar, para sanar dúvidas e acompanharmos. Com certeza, estamos fazendo o melhor possível”. 
Embora a situação, ela se mantém confiante: “tudo vai passar e estaremos juntos novamente; e tudo isso será um grande aprendizado para nós”.

Adriana Marasquin Rodenbusch atua 30 anos no magistério

 

O que dizem os alunos do DH sobre as aulas remotas

“Há muitas dificuldades, e elas variam conforme a situação do aluno. Mas para mim, a maior delas é aprender de verdade. A dificuldade no aprendizado, é algo óbvio e que qualquer um passa. Não é como as aulas na escola, onde se tinha o professor presente e todos participavam. O professor não pode ir na sua mesa e te ajudar diretamente. Algumas vezes, por uma simples falha na conexão, pode resultar em uma explicação perdida ou um detalhe importante. Sem contar que algumas vezes me distraio, porque, se você está na frente de um computador, pode fazer outras coisas além de só assistir à aula. E muitas vezes também é difícil aprender porque os próprios professores têm dificuldades em ensinar remotamente.
Eu sinto falta de muitas coisas, mas acho que do que eu mais sinto falta é de ir para a escola. Ver os amigos, ficar conversando na grama sem preocupações, caminhar pelos corredores, ver até mesmo os colegas que eu não gosto. Tenho saudades de tudo da escola, até de levar uma advertência do professor por conversar muito. saudades de fazer duplas e trios durante as atividades, de cumprimentar os funcionários, de ficar rindo sem parar no meio da aula, de esquecer a cartolina em casa, das gincanas e das intersséries. Tenho saudades do simples fato de entrar na sala de aula, pendurar a mochila e esperar os amigos chegarem. Agora sei o valor dessas pequenas coisas que antes eu tanto reclamava.
Sobre a expectativa para voltar às aulas presenciais, sinceramente, não acho que as aulas voltem ainda este ano. E mesmo que tivesse chance de voltar, acho que seria imprudente, já que um ou dois meses com aula não fariam muita diferença em nosso aprendizado. Creio que as aulas só devem voltar quando for bom e seguro para todos; pois, na minha visão, não faz sentido e seria injusto as aulas retornarem e metade da turma ser obrigada a permanecer em casa, enquanto vê os colegas juntos e nas aulas presenciais. Infelizmente, talvez em algumas escolas isso aconteça, mas não acho certo, porque podemos esperar mais um pouco até que seja possível ter todos juntos novamente. Estou muito ansiosa para que possamos voltar logo, mas quero que se for para voltar, que voltemos de uma forma segura e justa para todos”.

Gabriela Redel de Oliveira, 12 anos, 7ª série

 

“No momento minha maior dificuldade é em relação a organização dos conteúdos, em estar deixando a matéria sempre em dia. Sinto falta do contato tanto com os colegas quanto com os professores. O fato de estar distante de um professor dificulta bastante o entendimento, por isso entre as coisas que mais sinto falta, o contato com eles é o fator principal. As expectativas ao mesmo tempo que são grandes, elas são mínimas, simplesmente por ver que o número de casos de Covid-19 está subindo, logo, a volta às aulas se delonga cada vez mais.”
Isadora Radies dos Santos, 19 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio

 

“É um momento atípico, onde todos nós precisamos nos adaptar. As aulas online são um pouco mais complicadas, principalmente nas matérias em que se têm que fazer exercícios para aprender como matemática e física. Nessa 
situação, principalmente os estudantes, devem dedicar-se em dobro para aprender os conteúdos.Como estudante do terceiro ano, a preocupação com o Enem é grande, já que para alguns é mais difícil aprender com aulas a  
distância, porém, há vários outros métodos de estudo, como o YouTube, e outras plataformas pagas. 
Contudo a minha escola oferece muito suporte para nós alunos, várias atividades e aulas todos os dias, além da dedicação dos professores em tudo que nós precisarmos. Infelizmente perderei o último ano de escola estudando com os meus colegas, pois não conseguiremos passar esse período juntos fisicamente, o que me deixa chateado”

Luís Henrique  Weber, 3º ano do Ensino Médio 

 

Algumas famílias são desafiadas a conciliar trabalho (home office), afazeres domésticos e lições escolares

‘A minha rotina era outra; saía de casa para trabalhar e, agora, fico em casa para trabalhar... hoje estou bem mais atarefada’, diz a mãe de dois filhos, Denise Trimpler

Em casa, a rotina da família de Denise Maritê Trimpler e Cláudio Rorato teve que se adaptar rapidamente com a chegada da pandemia. Ela, que é oficial escrevente, e o marido, advogado, se unem para conciliar e organizar o trabalho, as aulas online dos filhos e os afazeres domésticos. Os filhos, Gustavo Trimpler Reinhold, 16 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio; e, Antônia Trimpler Rorato, 7 anos, que está na 2ª série do Ensino Fundamental, ambos estudam no Colégio Dom Hermeto.
Denise conta que a rotina que tinham anteriormente foi totalmente modificada. “Desde o início da pandemia meu trabalho é homeoffice, pois ele me dá condições para isso, sendo que, passado um certo período, comecei a trabalhar três vezes por semana em casa e duas no Fórum, tendo que conciliar as aulas online dos meus filhos, Gustavo e Antônia”. 
O marido Cláudio também permaneceu um período em casa, trabalhando remotamente e depois voltou a  trabalhar no escritório e na Prefeitura. “Então, conciliar trabalho, casa e filhos não está sendo uma tarefa muito fácil. A minha rotina era outra; saía de casa para trabalhar e, agora, fico em casa para trabalhar... estou bem mais atarefada”, revela Denise. 


No início uma 'confusão’
A nova situação exigiu  um rápido entendimento das mudanças. “As aulas online estavam iniciando e a Antônia tinha que aprender a ‘mexer’ no notebook e celular. Já com o Gustavo, foi bem tranquilo. Todos se ajudaram, mas a paciência se esgotava com mais facilidade, porque não se sabia como agir. Muita gente em casa ao mesmo tempo (risos). Mas aos poucos, uma nova rotina foi se estabelecendo”, conta.
Com relação aos equipamentos que a família dispõe – dois notebooks – são compartilhados por todos, em horários distintos. “O Cláudio tem o notebook dele e o ocupa todos os dias. Eu ocupo o outro no meu trabalho; a Antônia usa meu celular e também o notebook, quando eu não estou usando. O Gustavo com o celular dele e, eventualmente ocupa o notebook. Tudo está sendo dividido”, explica.
No início da pandemia, ao tentar conciliar trabalho, casa e atividades escolares, Denise diz que houve uma certa “confusão”. “Dispensei, por um período, a nossa ajudante dos afazeres domésticos e toda a família entrou na ‘lista’ de limpeza e organização da casa. De alguma forma, todos ajudaram e ainda ajudam nos afazeres. O lazer de todos também mudou. Só saímos quando realmente há necessidade.  A Antônia, quando não está nas aulas online, assiste televisão, brinca no pátio ou com a nova integrante da casa, a cachorrinha Lulua.  Gustavo passa o tempo no xbox. Atualmente, prefiro fazer compras em mercados menores próximos de casa /ou compras online em supermercados que dispõe desse serviço. A pandemia trouxe uma nova perspectiva de ‘vida futurista’ que na minha opinião, veio para ficar”, avalia.

Com as aulas em casa e o trabalho em home office, Denise fica mais tempo com a família, para a alegria dos filhos, em especial da caçula Antônia, 7 anos 

 

"Eu acho legal, porque a gente fica junto em casa, com o pai e a mãe. Eu gosto de ficar em casa porque depois da aula eu posso brincar e posso assistir televisão e na escola a gente sempre tinha que estudar até o fim do dia. Mas em casa eu não preciso fazer isso. Mas sinto muita falta da escola, de brincar com meus amiguinhos e da hora do lanche. Eu gosto mais de estudar na escola do que em casa”.
Antônia Trimpler Rorato, 7 anos, aluna da 2ª série do Ensino Fundamental

 

“As aulas remotas são algo novo dentro da minha vida. Nunca tinha passado por isso e nem imaginava que eu iria passar. Eu me imaginava fazendo talvez algum curso online, algum aprendizado diferente – programação, alguma língua estrangeira, design gráfico –, mas não imaginava que iria estudar todas as matérias do Ensino Médio dessa forma. As maiores dificuldades que eu vejo dentro dessas novas aulas é a falta de presença dos amigos e professores, por mais que eles estejam conosco online, não é a mesma coisa que pessoalmente. Outra dificuldade é focar na aula com tantas distrações. Ao menos, no meu caso, eu me distraio facilmente, perco o foco em questão de segundos e isso prejudica o aprendizado. Sinto falta dos meus amigos, das risadas, das conversas e dos olhares das pessoas durante as aulas 'normais'. Sinto falta de jogar basquete no intervalo, voltar com os amigos pra casa, almoçar e, muitas vezes, retornar à escola para as aulas à tarde.”
Gustavo Trimpler Reinhold, 16 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio

 

‘Sempre incentivei muito meus filhos nos estudos, mas não estou pegando pesado com eles, neste momento’, revela a mãe

A mãe elogia a dedicação e esforço dos professores no momento, porém, aponta que este ano não será de grandes aprendizados na escola. “Entretanto, procuramos sempre fazer todas as atividades propostas. Sempre incentivei muito meus filhos nos estudos, mas não estou ‘pegando pesado’ com eles, pois o momento que se apresenta está sendo muito difícil para todos”. 
Denise conta ainda que, nos finais de semana, quando a enteada Rafaela, de 14 anos, fica na casa da família, também ajuda Antônia nos temas da semana. “Penso que no próximo ano retornaremos na rotina dos estudos. Meus filhos têm muita vontade de voltar à rotina – maravilhosa rotina –, de ir à escola, fazer as coisas que sempre faziam. Temos saudades do ‘vai e volta’ da escola, da correria ao meio-dia para levar a Antônia para a aula... do Gustavo levantando muito cedo – o primeiro da casa a levantar – e indo para a escola... Temos saudades do Artur e do Guilherme, tocando a campainha de casa para irem juntos... saudades de buscar a Antônia na escola à tardinha e, depois, ir na sorveteria ou na praça brincar... saudades dos amigos e amigas dos filhos aqui em casa... momentos únicos...”, recorda a mãe.
Por outro lado, Denise diz que o momento serviu para unir a família ainda mais. “Aprendemos a nos olhar, nos cuidar mais... ficamos mais gratos ... os conflitos existem – isso é fato – porque as incertezas no caminho estão presentes. No entanto, a pandemia nos servirá como aprendizado de vida, eis que o mundo chegou a um ponto que o retorno aos valores do passado serão necessários; valores esses que  sempre foram importantes, mas que ficaram no esquecimento, como valorizarmos mais as coisas simples no dia-a-dia. Iremos olhar a vida de forma diferente, com mais amor e compaixão. O mundo pediu mais calma e as pessoas não têm outra alternativa a não ser procurar cultivar a calma e, consequentemente, ter mais saúde”, opina.