Psicologia na Prática

Psicologia na Prática

O renascimento psicológico
 

O Humanismo, desde o período pré-socrático (séc. V a.C.), passando pelo movimento renascentista (séc. XV-XVI), reconhece o valor do ser humano em sua totalidade e diferencia-se pelas concepções de liberdade e natureza do ser humano. A atitude humanista enfatiza a valorização das competências, das capacidades, dos valores e das virtudes humanas. 


Pode-se dizer que o renascimento psicológico, assim como foi o Renascimento cultural, é um resgate da liberdade de existir conforme a própria natureza da alma. Para isso, é preciso a evolução psicológica que amadurece os pequenos ‘eus’ e retira os véus que encobrem a própria verdade existencial. 


Acessar a força humana para renascer significa resgatar a própria dignidade, reintegrando-se ao mundo da vida. Porque nós humanos estamos, muitas vezes, mais imersos no mundo das coisas, dos sistemas e da cultura, do que em contato com nós mesmos. Sofremos interferências externas na compreensão com que é real em cada momento. 


Do mesmo modo em que é necessário humildade para mergulhar em si num processo de psicoterapia, é necessário humildade para nos permitirmos avaliar os modos onde somos comandados por modelos externos não compatíveis com a nossa natureza, que enrijecem a forma de viver. 


É uma ilusão pensarmos que temos autonomia psicológica, enquanto à própria mente é refém de modelos aprendidos na cultura familiar e social. Os vícios emocionais moldam a consciência com uma visão parcial ou obscurecida da realidade. A inconsciência de nós mesmos é um limite para conhecer a essência da vida que habita em nós.


O renascimento psicológico ou o nascimento do Eu podem ser contínuos em cada ser humano que faz abertura ao rever-se diante da vida que construiu para si, reavaliando seus resultados e assumindo a responsabilidade pela própria existência. Com isso, vem a força da própria inteligência para ações coerentes com a própria identidade. Do latim identidade significa: o que o ser é aqui, assim e agora. 


Para renascer psicologicamente é preciso coragem e persistência para compreender onde está a força do seu ser, saber os seus dons e organizar a vida conforme esta identidade e as oportunidades do momento. É preciso um Eu atualizado, que não se esconda atrás de inseguranças e não se fixe no passado, para ser capaz de viver conforme a sua natureza, respeitando cada ciclo de morte e ressurreição de si mesmo.


Renascer psicologicamente é renovar o sentido da vida para existir conforme a autêntica identidade, como a vida nos quer aqui e agora.
 

Arlete Salante

Psicóloga, Psicoterapeuta e Consultora Empresarial

Doutoranda em Psicologia pela UCES - Buenos Aires

(55) 99970-8357

 

ARTIGO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE 09.10.2020.

A COLUNISTA ESCREVE QUINZENALMENTE