Caps: há oito anos ajudando a mudar a vida das pessoas

Referência no tratamento de saúde mental, Centro luta contra o preconceito. Atualmente 160 pessoas recebem acompanhamento. Desde o início da pandemia, houve um aumento de 10% nos atendimentos

Caps: há oito anos ajudando a mudar a  vida das pessoas
O Caps Novo Mundo fica na rua Tereza Verzeri, 508. O horário de atendimento é das 7h às 17h, de segunda à sexta-feira. Nas quintas-feiras não há expediente na parte da tarde, pois ocorre a reunião da equipe

O Centro de Atenção Psicossocial – Caps – Mundo Melhor, de Três de Maio, completou oito anos de funcionamento em 22 de agosto. Fundado em 2013, o Caps é uma referência para tratamento de saúde mental e de uso de substâncias psicoativas e já atendeu mais de 980 pacientes, através de uma equipe multidisciplinar, composta por: médico, assistente social, psicóloga, enfermeiro, técnicos de enfermagem e educador físico. Atualmente são 160 pessoas que recebem acompanhamento.


 A porta de entrada para iniciar tratamento no Caps é a Estratégia de Saúde da Família – ESF –, ou seja, os pacientes são encaminhados através das Unidades de Saúde. Quando chegam ao Centro, é realizado  o acolhimento e o agendamento para os demais atendimentos necessários. 


O Jornal Semanal conversou com a equipe do Caps, que desde o início do ano está sob a coordenação de Douglas Plack Hammes, sobre estes oito anos de trabalho realizado.

 

Um trabalho cheio de desafios

Conforme Douglas, um dos maiores desafios da equipe é referente ao profissional médico. “Depois da perda de nosso médico que estava atuando desde o início do Caps, dr. Sixto Bombardelli, em 2015, tivemos uma rotatividade de médicos. Daquele momento até hoje, tivemos quatro profissionais que passaram pela equipe, ficando um período curto cada um. Desde o mês de fevereiro de 2019 contamos com um médico concursado que vem executando um bom trabalho, juntamente com os demais colaboradores”, relata Douglas. 


A equipe destaca como outro ponto relevante, a questão do estigma que os pacientes sofrem pelas questões de saúde mental e que ainda é muito forte na sociedade. “O preconceito que as pessoas têm em relação ao serviço de saúde mental é muito grande. O termo ‘louco’ era utilizado para definir um sofrimento psíquico, um adoecimento mental. Com a reforma psiquiátrica, houve muita evolução em relação ao tratamento disponibilizado para quem sofre algum tipo de transtorno mental. Nosso maior desafio é que as pessoas entendam que cuidar da saúde mental deve fazer parte do dia a dia. Nossos hábitos, costumes, nossas ações refletem também em nossas emoções, pois existem diversos fatores que podem contribuir no desenvolvimento do transtorno mental”, enfatiza o coordenador do Caps. 


Também são apontados como desafios enfrentados, o acesso de pacientes ao mercado de trabalho e o apoio adequado das famílias nos tratamentos.
A equipe comemora cada conquista de seus pacientes. Entre as maiores está quando um paciente é estabilizado, ou seja, ele adere aos tratamentos propostos, muitas vezes evitando internações. Também são motivos de alegria quando os pacientes conquistam uma nova vida, quando a família passa a apoiar os pacientes no tratamento, e as internações bem-sucedidas, que mudam as vidas do paciente e da família.

 

Pandemia aumentou número de pacientes novos

Mesmo com a pandemia, o Caps continuou realizando os atendimentos multiprofissionais. Apenas os grupos terapêuticos foram suspensos e continuam até o momento. Neste período, aumentou em cerca de 10% o número de novos pacientes. Também houve uma pequena mudança no perfil, com o aumento da população jovem e da população com problemas de dependência química, principalmente do álcool. 


Com o distanciamento social, a equipe do Centro percebeu de forma mais acentuada os sintomas de ansiedade e depressão, “porém, muitos pacientes já permaneciam em isolamento social, então não sentiram tanto quanto o restante da população”, relata o coordenador do Caps, Douglas Plack Hammes. 

 

Atendimento que muda a vida das pessoas

O trabalho realizado pelo Caps faz muitas mudanças na vida das pessoas. É possível perceber a gratidão dos pacientes em seus depoimentos. 

“Me sinto em casa. Sempre fui bem acolhido. Foi muito importante este atendimento, me proporcionou um excelente apoio para tratar meu problema. Me fez refletir sobre a vida que eu tinha e como está melhor agora. Sou muito grato aos profissionais pela ajuda disponibilizada”.  
Homem de 61 anos, foi encaminhado ao Caps há três anos por problemas com álcool 

“Desde que cheguei aqui, mudou tudo para melhor. O Caps salvou minha vida, considero minha segunda família. Me sinto muito bem, sempre fui bem acolhida. Aguardo o retorno dos grupos, pois sinto falta, sempre me fez muito bem”. 
Mulher de 52 anos, faz tratamento no Caps desde sua abertura, há oito anos. Foi encaminhada devido à depressão e tentativas de suicídio 

“Minha vida mudou 80% para melhor. A equipe acolhe, nos atende, mas precisamos fazer nossa parte também, em casa. O atendimento é muito bom e faz com que me sinta muito bem”. 
Mulher de 62 anos, foi encaminhada ao Caps há dois anos, por depressão