Retratos e histórias de superação

Para resgatar a autoestima das mulheres que passaram pela experiência do câncer, em especial, o de mama, o fotógrafo Jobson Makoski em parceria com a Unidade Regional do Imama de Três de Maio realizou o projeto “Dia de Beleza”, em que oito mulheres foram fotografadas. Clarisse Gauer, 52 anos, é uma das mulheres que buscou apoio no Imama e participou do ensaio fotográfico. Foi através do autoexame que ela percebeu um nódulo na mama. Depois de passar por sessões de quimioterapia, cirurgia, e radioterapia, recebeu alta médica em agosto, porém, precisa fazer exames periódicos. Clarisse alerta para a necessidade do autoexame e da mamografia a cada ano. “Eu havia feito mamografia nove meses antes, quando o exame não havia apresentado qualquer anormalidade.”

Retratos e histórias  de superação
Clarisse Gauer, 52 anos, é uma das mulheres que buscou apoio no Imama e participou do ensaio fotográfico

A fotografia que revela a beleza da alma

 

Ação do fotógrafo Jobson Makoski e do Imama proporcionou ‘dia de beleza’ para mulheres que venceram o câncer de mama e para aquelas que estão em tratamento contra a doença

 

Fotógrafo Jobson Makoski e a secretária do Imama, Lurdes Bueno, mentores do projeto fotográfico que contemplou as mulheres que buscam apoio na unidade do Instituto da Mama

 

Como revelar a beleza em meio a dor? O colorido da vida, o brilho do olhar, o sorriso no rosto, ao enfrentar o tratamento contra uma doença tão temível.


Foi com essa proposta que, a secretária do Imama de Três de Maio, Lurdes Bueno, e o fotógrafo Jobson Makoski, 22 anos, se uniram para resgatar a autoestima das mulheres que lutam contra o câncer, em especial, o de mama. A iniciativa promoveu um “ dia de beleza” com maquiagem e foto, fazendo com que essas mulheres pudessem se sentir ainda mais lindas, motivadas, valorizadas e amadas. 


No total, foram oito mulheres que participaram deste projeto. Jobson conta que elas receberam atendimento individual, para que tivessem total atenção como elas merecem.


Os ensaios fotográficos foram totalmente gratuitos. “A nossa proposta foi de mostrar o quão lindas elas são mesmo passando por momentos difíceis. Através da fotografia, elas puderam demonstrar força e garra, sendo exemplo para mais mulheres; servindo de motivação para as demais que passam pelo mesmo processo”, ressalta.


O fotógrafo, que há seis anos atua nesta área, destaca que ao fotografar estas mulheres, sentiu a essência de muitas delas. “Na situação em que vivem, a autoestima representa tudo para elas. É a força para seguirem em frente, não desanimarem e saber que esse momento vai passar. Mesmo calejadas pela doença elas podem se tornar cada dia mais fortes. Pude sentir – ao mesmo tempo em que senti a dor ao ouvir as histórias e relatos –, a força que elas têm”, conclui. 

 


Para Lurdes Bueno, o papel do Imama é nobre, porque além das palestras que realiza, e da venda de camisetas, o Instituto oferece apoio emocional de acolhida e escuta às mulheres que chegam em busca de ajuda. “Muitas delas estão depressivas, sem vontade de viver, e, nosso trabalho no Imama é motivá-las a seguir em frente, apesar das dificuldades que elas encontram”.
Confira o depoimento de sete mulheres que participaram do projeto.

 

‘Decidi que ia lutar; lutar para viver’

 

Soeli Rodrigues, 50 anos, é casada, mãe de dois filhos, exerce a profissão de auxiliar de limpeza e descobriu a doença ao apresentar alergia de um perfume.
Ela admite que o pior momento foi quando recebeu o resultado. “Eu tinha muito medo de morrer. Mas, depois, me motivei e decidi que ia lutar; lutar para viver!”, conta.


A mensagem dela é para que as mulheres se deem mais valor e se questionem, “o que eu vou levar para vida depois da doença”. “Hoje, dou mais valor a mim mesma; antes eu só me dedicava para os outros... Hoje dou mais valor à minha própria vida.”

 

 

‘Vida normal, mas com cuidados especiais’

 

No ano passado, ao sentir uma dor de estômago, Marinês Corso, 62 anos, procurou atendimento médico e realizou uma endoscopia. Na época, o resultado foi positivo para a bactéria H. Pylori. Após o tratamento, neste ano, 
ela repetiu o exame, e apresentou novamente a bactéria. 
O médico pediu biópsia e o resultado deu positivo para câncer de estômago. 
A comerciante, mãe de três filhos, está fazendo quimioterapia. 
“Levo uma vida normal, mas com cuidados especiais e acompanhamento médico.” 
Apesar de não ter câncer de mama, Marinês conta com o apoio do Imama, que, segundo ela,  está fazendo toda a diferença neste período. 

 

 

‘Doença me fez refletir sobre a forma que eu vivia, como eu tratava as pessoas e a mim mesma’

 

Em outubro, vai completar um ano em que Fernanda Rúbia Ravisson da Costa, 37 anos, está lutando contra o câncer de mama. Para ela, a filha Ana Laura da Costa Roehrs, de 6 anos, é a maior força e inspiração diária nesta nova fase da vida.


Casada, a secretária de uma clínica de olhos está afastada do trabalho devido ao tratamento. Ela conta que sempre teve cuidado com a saúde, fazendo exames a cada seis meses. No último, ano passado, apresentou alteração na mamografia, sendo diagnosticado o câncer, sendo necessária cirurgia de mastectomia da mama esquerda. “Fiquei sem chão. Já havia passado por esta doença duas vezes em minha família, com uma cura de minha irmã Cristina (câncer de mama) e um de meu pai Arnaldo da Costa (em memória). Mesmo assim não deixei me abalar e resolvi lutar com muita força, determinação e fé.”


Para Fernanda, a doença expandiu melhor sua consciência e lhe mostrou o que pode tirar de melhor da sua vida. “A doença me fez refletir sobre a forma que eu vivia, como eu tratava as pessoas e a mim mesma. Fez com que eu me direcionasse ao caminho da espiritualidade para me tornar cada vez uma pessoa melhor. Sou um diamante sendo lapidado e, com certeza, depois de pronto, meu brilho trará luz para muitas pessoas. E hoje, sou grata por todo este caminho percorrido até agora”.

 

 

‘Se ame, se cuide; o diagnóstico precoce salva muitas vidas’

 

Em 2015, aos 38 anos, Rosângela De Fátima Pires, depois de assistir a uma palestra do Imama na empresa em qual trabalha resolveu fazer exames de rotina, e descobriu um nódulo maligno na mama direita.


Para ela, o mais difícil, além do diagnóstico, foi saber que perderia todo o cabelo. Mãe de três filhos, a auxiliar de produção passou por seis sessões de quimioterapia, 30 sessões de radio e cirurgia. 


Com a descoberta no estágio inicial, não passou pela cirurgia de retirada da mama.


Hoje, aos 44 anos, ela revela o que aprendeu com a doença. “Você nunca está sozinha, Deus está te guiando mesmo nos piores momentos. Aprendi a dar mais valor nas pequenas coisas do dia a dia, como dar um bom dia a alguém, oferecer ajuda, ser humilde, pois a vida é muito curta.”


O conselho que Rosângela dá é para que a mulher se ame, se cuide e, principalmente, que o diagnóstico precoce salva muitas vidas.

 

 

‘Fé em Deus e o apoio da minha família fizeram a diferença’

 

Teresa Soares, 56 anos, é outro exemplo de superação. Ao descobrir o câncer de mama, já em grau 2, ela teve que ser forte, para não demonstrar tristeza ou desânimo para os netos adolescentes, os quais ela e o esposo criam como filhos. O casal têm ainda dois filhos biológicos.


Há exatamente um ano, ao fazer exames de rotina, ela descobriu o câncer. E recorda como se fosse hoje, quando recebeu o resultado da biópsia. Para ela, esse foi o pior momento. O tratamento incluiu oito sessões de quimioterapia, sendo que o nódulo diminuiu muito e ela não precisou fazer radioterapia, mas, foi preciso fazer cirurgia de retirada do tumor na mama direita.


Apesar do susto, ela afirma que o tratamento foi tranquilo. “O melhor momento foi quando o médico disse: você está curada. Isto mostrou que eu devo me dedicar mais as pessoas que amo e que estiveram do meu lado este tempo todo, me apoiando, me dando força. Agradeço a Deus e a minha família que nunca me abandonaram. Hoje posso dizer que sou outra pessoa.”

 

‘O que vou levar para a vida? A vida é agora’

 

Após um ano de tratamento – que encerrou em agosto deste ano –, Clarisse Gauer, 52 anos, recorda os momentos de sofrimento diante da confirmação do câncer.
Ela descobriu o nódulo durante um autoexame. Casada, mãe de uma filha de 11 anos, a dona de casa fala do pior momento ao receber o diagnóstico, que é a aceitação de estar com a doença. 
Após sessões de quimioterapia, cirurgia, e radioterapia, Clarisse comemora ter recebido alta médica, e agora, só realiza exames periódicos. Questionada sobre o ensinamento que teve diante da luta contra o câncer de mama, ela responde: 
“O que vou levar para a vida? A vida é agora!”

 

 

‘Imama me apoiou quando eu mais precisava’

 

Há dois anos e meio Lúcia Anísia Felippe dos Santos, 48 anos, enfrentou o câncer de mama. “Descobri minha doença através de exames de rotina. O pior momento foi quando eu e meu companheiro fomos para Santa Rosa fazer a consulta e tinham marcado com o médico errado. Entrei em desespero. Mas deu tudo certo depois. Fiz oito quimioterapias, não precisei fazer radioterapia. Passei pela cirurgia da retirada da mama direita”.


Mãe de três filhos, ela conta que por conta da doença, hoje não pode mais trabalhar. “A minha vida é ter fé e seguir em frente. Agora estou bem, o pior já passou. Agradeço a todos que me apoiaram nas horas difíceis: meu companheiro Cildo, meus filhos, meus irmãos e meus pais; e minha patroa que sempre me apoiou em tudo. E, especialmente, ao Imama, que sempre me apoiou nas horas em que eu precisava”, ressalta. 

 

 

Exames para diagnóstico de câncer têm queda aproximada de 60% em 2020

 

No Hospital São Vicente de Paulo foram realizadas 1.252 mamografias no período de 18 de março a 6 outubro de 2019. Já em 2020, no mesmo período foram realizados apenas 455 exames

 

A mamografia é o método mais eficaz para o diagnóstico precoce do câncer de mama

 

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem a característica próprias de cada tumor. 


Somente para este ano, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta o surgimento de 66.280 novos casos. Em 2018, conforme o Atlas de Mortalidade por Câncer, o número de mortes por câncer de mama chegou a 17.763, sendo 17.572 mulheres e 189 homens.


Um dos principais motivos para os óbitos é a descoberta tardia da doença e a dificuldade no acesso a novas terapias e tratamentos. Por isso, a detecção precoce é um dos métodos mais eficazes para o diagnóstico e possibilidade de cura da doença, que pode chegar a 95% quando descoberto no estágio inicial.

 

Com a chegada da pandemia, a procura por exames preventivos da saúde da mulher caiu bruscamente em 2020, em todo os país. Em Três de Maio, tanto as Unidades de Saúde, quanto o Hospital São Vicente de Paulo, registraram uma queda significativa nos exames.


De acordo com a secretária Municipal de Saúde adjunta, Glaci W. Gauger, com a chegada da pandemia os serviços das Estratégias de Saúde da Família foram todos organizados respeitando as notas técnicas do Ministério da Saúde. “A procura existe para exames preventivos, mamografias e ecografias. Porém, passamos por vários momentos desde a restrição quase total, abrindo progressivamente e, neste momento, já criamos espaço nas agendas para que se retome, de forma cuidadosa, estes serviços bem como a oferta de exames pelos prestadores de serviços”, explica.


Conforme a secretaria, a redução foi de cerca de 60% na oferta de exames, nos meses de abril e maio. Já a partir de junho foram retomadas as agendas e as pacientes estão tendo acesso, inclusive em turnos ampliados.


Em 2019, de março a setembro, foram realizadas 1.073 mamografia através do encaminhamento da Secretaria. No mesmo período de 2020, foram encaminhadas somente 436, uma redução de 59%. Com relação a exames de colo de útero, o número caiu de 1.392, em 2019, para 710, até agosto de 2020. 


“O cuidado longitudinal dos usuários com condições crônicas e, também, das outras necessidades de saúde precisa ter continuidade, mesmo em tempos de pandemia, para que não tenhamos impactos graves nas condições de saúde de nossas mulheres. Hoje não temos estudo de impacto, mas certamente isso se manifestará no decorrer dos próximos meses”, explica.

 


Horário ampliado


A Secretaria de Saúde estendeu os horários de atendimentos para realização de exames preventivos. Na Unidade Santa Rita, no dia 19 de outubro, haverá atendimento das 17 às 20 horas. Já na Unidade São Francisco haverá atendimento estendido das 17 às 20 horas, nos dias 20, 22, 27 e 29 de outubro.

 

Exames no HSVP

 

No Hospital São Vicente de Paulo, a procura por mamografia teve queda de 63%. De acordo com a coordenadora Assistencial, enfermeira Caroline Witczak Lasch Reimann, em 2019 foram realizadas 1.252 mamografias no período de 18 de março a 6 outubro. Já em 2020, foram apenas 455 exames no mesmo período. 


Com relação as ecografias, entre as de mama e transvaginal, em 2019 foram realizadas 1.072. E, em 2020, 516, no mesmo período. Uma redução de 52%.


Caroline explica que a procura pelos exames diminuiu em virtude do medo relacionado à Covid-19. “Nós, enquanto instituição hospitalar, estamos tomando todos os cuidados e seguindo os protocolos de distanciamento, limpeza, desinfecção e uso de EPIs”. Ela destaca que o exame preventivo é muito importante para a saúde e diagnóstico precoce. “Sem o exame, pode não haver o diagnóstico precoce, o que poderá trazer malefícios se a mulher estiver com algum problema de saúde”.


A orientação é que todas as mulheres mantenham seus exames em dia. As rotinas do hospital são constantemente adaptadas e reorganizadas. “O hospital está em constantes alterações, para cumprir todas as normativas, garantindo segurança no atendimento aos pacientes e aos nossos colaboradores”, destaca Caroline.