Proliferação de pombas em ambientes urbanos causa riscos à população

Três de Maio tem enfrentado transtornos devido à grande população de animais da espécie ocupando praças do Município. A bióloga e mestre em Biodiversidade Animal na UFSM, Eunice Menegat, diz que poda de árvores e iluminação não irá solucionar o problema. É preciso encontrar os locais onde as aves buscam abrigo para construir seu ninhos

Proliferação de pombas em ambientes urbanos causa riscos à população
“As pombas têm de 4 a 6 ninhadas por ano, numa média de 2 filhotes, o que dificulta o controle. Para afugentar as aves é preciso encontrar o local onde buscam refúgio para se abrigar e construir seus ninhos, como prédios, casas e monumentos, que contêm frestas ou entradas”, explica a bióloga e especialista em aves

Fato comum em centros urbanos maiores, cada vez mais se proliferam vetores em cidades menores, com potencial para trazer riscos à saúde humana. Comumente encontradas por toda a zona urbana de Três de maio, o número elevado de pombas localizadas em alguns pontos, como na Praça da Bandeira, tem preocupado a população. Além da sujeira que esses animais produzem, eles podem ser vetores de doenças.


Com o assunto em pauta entre os moradores e principais meios de comunicação de nossa cidade (inclusive foi pauta da edição passada), e com diversas soluções apontadas, o jornal Semanal buscou informações com a bióloga e Mestre em Biodiversidade Animal na UFSM, especialista em aves, Eunice Menegat. Conforme ela, alguns fatores favorecem a proliferação da espécie em ambientes urbanos, podendo o crescimento descontrolado da população desses animais provocar gradativamente maiores transtornos. Por outro lado, ressalta que a fauna deve ser preservada e existem soluções para amenizar os problemas.

 

Por que as pombas são encontradas em ambientes urbanos?

Segundo a especialista, as pombas são animais sinantrópicos, isto é, se relacionam com os seres humanos e seu ambiente. Os pombos domésticos observados na cidade são principalmente da espécie Columba livia e se adaptaram ao ambiente urbano devido a um conjunto de fatores, dentre os quais: disponibilidade de abrigo, ausência de predadores e fartura de alimento.


“Esses animais procuram locais seguros para construção de ninhos e em ambientes urbanos encontram diversos espaços com condições, tais como prédios e monumentos, que contêm frestas e entradas que servem de abrigo. Nessas áreas, raramente são encontrados predadores naturais, como gaviões e águias, que não tem por hábito permanecerem em áreas urbanizadas. Por fim, existe grande disponibilidade de alimento, tanto pelo descarte errado de resíduos, quanto pela alimentação oferecida por pessoas”, explica.


Riscos para a saúde humana

De acordo com a bióloga, essas aves carregam microrganismos patogênicos e parasitas, potencialmente perigosos e transmissíveis através do contato com os animais ou seus dejetos. “Dentre os parasitas, diversos artrópodes, como ácaros e carrapatos, podem causar problemas respiratórios nas pessoas. Outras doenças como psitacose, causa inicialmente infecção pulmonar, migrando para baço e fígado. A Salmonelose também pode ser transmitida por essas aves, causa graves problemas intestinais. E ainda existem outras doenças, como hitoplasmose, toxoplasmose e criptococose, todos oferecendo diversos riscos à saúde humana”, completa.


O que pode ser feito

Para a biológa, a medida mais adequada para lidar com a situação depende de um estudo de campo para entender onde esses animais estão construindo seus ninhos e encontrando alimento. A partir desse trabalho, que deve ser organizado pelo órgão público competente, será possível definir ações para o controle da população de pombas. 


“O controle é difícil já que esses animais têm de 4 a 6 ninhadas por ano, numa média de 2 filhotes. Duas ações que podem auxiliar é descobrir os locais de ninho, fechar e impedir a utilização pelas pombas, além de descartar corretamente o lixo, impedindo o acesso desses animais. E através da educação ambiental, conscientizar as pessoas a não tratar alimentos para esses animais. Em último caso, a elaboração de um projeto de captura e liberação desses animais em locais naturais apropriados. O que se sabe, é que apenas o corte das árvores não resolve o problema, por não se saber se é o local de abrigo desses animais”, finaliza.