Lavouras de milho apresentam perdas de 30% na produtividade

Doenças, pragas e volume de chuva refletiram no desenvolvimento das lavouras

Lavouras de milho apresentam perdas de 30% na produtividade
Na implantação das lavouras, a expectativa era uma média de 131,6 sacas por hectare. Com as perdas, a produtividade média deve ser de 92,1 sacas/hectare

Mesmo sem estiagem na safra 2023/2024, as lavouras de milho têm registrado produtividade abaixo do esperado. Isso se deve às pragas, doenças e ao grande volume de chuvas ocorridas nos meses de desenvolvimento das lavouras.

Conforme o engenheiro agrônomo e extensionista rural da Emater/Ascar Dr. Fábio Karlec, as lavouras semeadas mais cedo, no início do período de zoneamento da safra, apresentaram maiores perdas em virtude da maior pressão de pragas, doenças e excesso de chuva em período de polinização, associado a alguns eventos a ventos fortes e granizo, agravando ainda mais a situação. Já nas lavouras semeadas mais tardiamente as perdas foram um pouco menores”, detalha. “Nessa safra o produtor vivenciou uma situação bem diferente da anterior quanto aos fatores climáticos, quando a produção foi prejudicada pela seca. Agora, as perdas foram por excesso de chuvas, ventos e doenças”, complementa Karlec.

Conforme Karlec, ainda não é possível determinar qual o impacto final na produtividade da safra de milho, pois a colheita não está concluída. “Há algumas áreas já colhidas, houve uma redução de produção acima de 30% em relação à projeção inicial. Em outras as  perdas podem chegar a 60%”, explica.

Na implantação das lavouras, a expectativa era uma média de 7.900 kg/hectare (131,6 sacas). Com as perdas em torno de 30%, a produtividade média deve ser de 5.530 kg/ha (92,1 sacas).

 

Clima favorece o desenvolvimento das lavouras de soja safrinha 

Já as lavouras de soja têm apresentado um excelente desenvolvimento. “As chuvas frequentes e temperaturas favoráveis ao desenvolvimento da cultura estão sendo benéficas para a oleaginosa. A maioria das lavouras estão em estágio de florescimento e enchimento de grãos. As lavouras de soja safrinha também estão sendo beneficiadas, possibilitando um bom desenvolvimento inicial”, ressalta Karlec.

Segundo a Emater, as projeções iniciais de produtividade em Três de Maio são de 3.200 kg/hectares (53,3 sacas/ha).

Apesar do clima auxiliar a soja, Karlec pontua que é necessário seguir monitorando outros aspectos fundamentais para a saúde da planta. “Orientamos aos produtores a estarem atentos ao manejo de doenças, pois o clima favorável ao desenvolvimento da cultura também é favorável às doenças”, diz. 

A Emater possui uma unidade de monitoramento da ferrugem asiática da soja, a principal doença da cultura. “Semanalmente, o Programa Monitora Ferrugem RS, coleta informações desde a ocorrência de esporos do fungo causador a ocorrência da própria doença, além das condições ambientais de temperatura e umidade. Estes dados são reunidos com outras informações de coletores de esporos instalados no Estado do RS e que são analisados, gerando informações de condições de desenvolvimento da doença, ajudando o produtor na tomada de decisão nos manejos para se ter um melhor controle da doença e, assim, reduzir as perdas”, aconselha o extensionista.

O uso de fungicidas e suas aplicações corretas podem auxiliar os agricultores no controle das doenças. Mais informações podem ser consultadas no site da Emater https://www.emater.tche.br/site/monitora-ferrugem-rs/index.php. 

De acordo com o site, a Região Fronteira Noroeste tem alerta máximo para risco para a doença.

 

Preço das commodities no País tem sofrido constantes oscilações nos últimos meses

Conforme o levantamento semanal das cotações agropecuárias, produzido pela Emater, de 30 de novembro até 12 de janeiro, o milho registrava pequenas variações positivas, o que se reverteu nos últimos dois levantamentos. A última média de preços, divulgada em 25 de janeiro, aponta para uma queda de 3,05% comparado ao fim de novembro. O preço médio da saca de 60 kg do cereal no Rio Grande do Sul saiu de R$ 56,63 para R$ 54,90, queda de R$ 1,73.

Já a soja tem sofrido uma desvalorização maior. Após alcançar o preço médio de R$ 140,43 em 30 de novembro (o maior desde setembro de 2023), a oleaginosa registrou oito quedas semanais consecutivas em seu preço de acordo com o levantamento da Emater.

A média de preços apresentada ontem, 25, indicou a saca comercializada a R$ 117,46. Isso representa uma queda média de R$ 22,97 em quase dois meses. Percentualmente, corresponde a uma retração de 16,36%.