A cada três dias, Três de Maio tem uma vítima cadastrada pela Patrulha Maria da Penha

Quase 120 mulheres são vítimas de violência doméstica por ano no município de Três de Maio, uma a cada três dias

A cada três dias, Três de Maio tem uma vítima cadastrada pela Patrulha Maria da Penha
Três de Maio conta com a Sala Lilás para melhor prestar atendimentos direcionados às vítimas de violência doméstica

O atendimento especializado às mulheres oferecido através da Patrulha Maria da Penha é uma realidade de Três de Maio desde dezembro de 2020. Atualmente, a PMP é composta pelas soldados Neiva Kaczmarek e Diana Signorini e que atende aos municípios de Três de Maio, Boa Vista do Buricá, Independência, Nova Candelária, São José do Inhacorá e Alegria.

Conforme informações repassadas à nossa reportagem, no ano de 2023, somente no município de Três de Maio, 118 vítimas foram cadastradas pela patrulha. Os números representam um cadastro a cada três dias. Em 2022, foram 119 mulheres cadastradas.

Nos seis municípios atendidos pela 3ª CIA Três de Maio, em 2023 foram 198 vítimas cadastrados, um aumento de 3,6% em relação a 2022, quando foram cadastradas 191 vítimas. Neste ano, já são 53 cadastros. 

De 2022 até o momento, foram confeccionadas 1.420 certidões pela patrulha. Em 2022 foram 723, caindo para 656 no ano passado. Já as certidões de fiscalização de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) permaneceram em 441 em 2022 e em 2023. Neste ano, já são 27 certidões.

Também houve a revogação de 90 medidas protetivas de urgência entre 2022 e 2024. Em 2022, foram 45 revogações. No ano passado houve uma redução no número de revogações, 37. Nos três primeiros meses de 2024, já são oito revogações de MPUs.
 

A Patrulha Maria da Pena é formada pelas soldados Neiva Kaczmarek e Diana Signorini e atendem os  municípios de Três de Maio, Boa Vista do Buricá, Independência, Nova Candelária, São José do Inhacorá e Alegria
 

Patrulha presta assistência às vítimas para atendimento psicológico ou jurídico

O atendimento da PMP inicia após a vítima solicitar a medida protetiva. “As medidas protetivas são expedidas até 48 horas após o registro policial. Então a Patrulha, que é especializada no atendimento, começa as visitas nas residências dessas vítimas para verificar se o agressor está cumprindo o que lhe foi determinado pela Justiça e dar a devida assistência para ela, que pode ser sendo encaminhamento para tratamento psicológico ou jurídico, se necessário”, ressaltou a soldado Kaczmarek.

A Patrulha disponibiliza de um número de celular exclusivo - (55) 9 9904-9343 -, para que as vítimas possam entrar em contato diretamente com a Patrulha para receber orientação e atendimento.

Quanto às ocorrências atendidas, a soldado explica que existe uma classificação conforme os riscos que a vítima corre. “Existe uma classificação que considera se o agressor tiver algum histórico de agressividade, se é usuário de drogas ou bebida alcoólica e das ameaças proferidas pelo agressor à vítima. Mas as ocorrências mais frequentes são de agressões físi-cas”, detalhou.

Kaczmarek percebe que a demanda de atendimentos da patrulha tem aumentado com o tempo. “Isso ocorre até pela divulgação do trabalho da Patrulha, onde são passadas todas as informações referentes aos direitos e garantias das vítimas e elas têm acesso a estas informações”, relatou.

Conforme as soldados Kaczmarek e Signorini as mulheres estão se encorajando e buscando ajuda, denunciando cada vez mais. “A cada ano é trabalhado em cima de divulgação e orientações para as vítimas denunciarem seus agressores”, finalizam.
 

 

 

‘A nossa maior preocupação tem sido o gradativo aumento da força física utilizado na violência contra a mulher’

Declaração é da coordenadora de Gestão de Políticas da Mulher do município de Três de Maio, Taísa Soares Valdemeri. Somente no Centro de Referência da Mulher Flor de Liz foram 1.700 atendimentos no ano passado

 

O Mês da Mulher segue com atividades promovidas pelo Governo Municipal de Três de Maio, CONDIM e entidades do município. Uma das ações ocorreu no dia 11, quando a Secretaria de Políticas da Mulher teve espaço concedido na Tribuna Livre, durante a  Sessão da Câmara de Vereadores.

Durante sua fala, a coordenadora de Gestão de Políticas da Mulher, Taísa Soares Valdemeri ressaltou que a pasta tem como papel fundamental contribuir para a promoção da equidade de gênero na comunidade. “Essa equidade ocorre por meio da implementação de políticas públicas que efetivem os direitos humanos das mulheres e elevem sua cidadania, superando as situações de desigualdades vivenciadas pela mulher na sociedade”, observa.

Questionada pelo Semanal sobre a definição das políticas públicas para as mulheres, Taísa explicou que elas se constituem por meio de diretrizes e princípios norteadores de ações entre o poder público e a sociedade. Políticas públicas são definidas através do diálogo entre poder público e sociedade civil, envolvendo a distribuição e redistribuição de poder e de recursos. Sistematizam o papel das tensões e do conflito social nos processos de decisão e na partição e repartição de custos e benefícios sociais.

Conforme a coordenadora, a secretaria tem o papel de articulador de políticas públicas além de todo trabalho de atendimento e acolhimento às mulheres em situação de violência e vulnerabilidade no município. “Realizamos cursos, capacitações, eventos e atividades com o propósito de fortalecimento e engrandecimento da mulher, auxiliando desde a entrada no mercado de trabalho, como projetos fortalecedores”, detalha.
 

Taísa abordou ações realizadas pela pasta e ressaltou a necessidade de reduzir os casos de violência contra a mulher

 

Mais de 30% dos casos de violência contra mulher ocorrem dentro de casa e os principais agressores são os companheiros

Conforme a coordenadora, há diferentes formas de violência que assolam as mulheres. “A violência psicológica é a que temos em maior número. Essa forma de violência inclui ofensas verbais, insultos, humilhações e xingamentos. Em seguida temos as violências moral, sexual e patrimonial, que incluem ameaças de queimar sua residência ou carro; não deixar a mulher com seus rendimentos e salário, além da principal ameaça, que, normalmente é a que mais afeta a mulher, quando envolve a guarda dos filhos”, destaca Taísa.

Taísa revela que os números mostram que a violência física vem aumentando a cada dia. “A nossa maior preocupação atualmente tem sido o gradativo aumento da força física utilizado na violência contra a mulher. Antes era um tapa, hoje é um traumatismo ou costela quebrada. Lembrando que, em mais de 30% dos casos, a violência é cometida por seus próprios companheiros e esta violência ocorre sempre dentro de casa, ambiente este que deveria ser de amor e acolhimento, especialmente para as crianças que acabam presenciando tudo”, frisa.
 

CRM realiza atendimentos e acolhimentos em casos de violência

Junto a secretaria há o Centro de Referência da Mulher Flor de Liz que realiza um trabalho específico de atendimento e acolhimento à mulher em situação de violência. “Também dispomos da Casa Abrigo Bojena Cereser, que abriga mulheres e seus dependentes em situação de extremo risco de violência e encaminhados pela Polícia”, explica Taísa.

Somente no ano de 2023, a equipe técnica do CRM realizou cerca de 1.700 atendimentos. “Esses atendimentos incluem atendimentos psicológico, social e jurídico, participação em audiências, encaminhamentos e transportes. Além disso, também há o abrigamento de mulheres e dependentes em situação de violência e vulnerabilidade na casa de passagem”, frisa.

Além disso, há o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM), que auxilia em diversas medidas no âmbito local. “O conselho é um organismo de participação e controle social que tem por objetivos formular estratégias, controlar e fiscalizar a execução das políticas públicas, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros”, frisou.

O ano de 2023 marcou a unificação das Redes de Proteção à Mulher, com a Rede de Proteção à Infância e ao Adolescente, formando a Rede de Proteção à Família. “Esse movimento também marcou a união de entidades e esforços no combate a violência em nosso município”, pontua. 

A coordenadora reforça que a secretaria de Três de Maio é uma das três secretarias municipais voltadas a políticas da mulher em todo o Estado. “Atualmente, nossa secretaria representa a todas as mulheres da nossa região e que tem como papel fundamental de contribuir para a promoção da equidade de gênero, através da implementação de políticas públicas que efetivem os direitos humanos das mulheres e elevem sua cidadania, superando as situações de desigualdades vivenciadas pela mulher na sociedade”, salienta.

Taíse orienta que aquelas mulheres que estiverem em uma situação de vulnerabilidade podem procurar a secretaria ou do CRM Flor de Liz de forma presencial ou, ainda, contatar pelos telefones: Secretaria de Políticas da Mulher (55) 9 9649-3004; e Centro de Referência da Mulher Flor de Liz (55) 9 9933-4700.