Eu
assisto o Big Brother
Sandra Geist
O
que existe no Big Brother não é nem a metade do
que acontece na vida real, ver as mulheres peladas e cheias de
silicone é só olhar para o lado, alguém
tem porque pode ou porque precisa. Mostrar o corpo nu? È só ver
o carnaval dos dias de hoje. Bebedeiras e palavrões? Quem
nunca bebeu e deu um vexame? Só alguém que está em
uma redoma de vidro e não vê o que acontece à sua
volta.
Palhaço, o Pedro Bial? Acho que não! Palhaços
somos nós que vemos nosso país muitas vezes afundando
e não fazemos nada, somente abaixamos a cabeça.
É
um programa que não traz nenhum tipo de cultura? Com certeza!
Mas lá ao menos vemos que o ser humano já está cansado
de abrir o jornal ou de assistir ao noticiário e se deparar
com crianças morrendo por falta de atendimento nos hospitais,
balas perdidas matando pessoas a toda hora, gente que trabalha
e é honesta muitas vezes não tem vez porque às
vezes uma gravata fala mais alto que a honestidade e a simplicidade.
Pessoas que vivem em uma sociedade onde a regra é daqueles
que tem mais ou podem mais.
Olhar eles brigarem ou tentarem passar a perna uns nos outros não é nem
perto do que muitas famílias passam para sobreviver.
Assistir o Big Brother é uma opção, mas ser
pobre, muitas vezes, humilhado, rejeitado e não ter uma
casa digna para morar, comida no prato, educação
para seus filhos, ou ir à lugares onde a educação
saiu fora de moda isso sim temos que engolir, todo mundo dando
um jeitinho de se dar bem.
Meu Deus, em que mundo vivemos? Isso é exatamente o que
acontece todos os dias, mas só de um jeito dissimulado ou
camuflado, quantas vezes temos que conviver com coisas que detestamos
e temos que fingir, nos dói. Tudo bem, ninguém vê,
ninguém sabe.
Exemplos começam dentro de casa e se for bem estruturada
não é uma porcaria de programa que vai mudar, e sim
atitudes que os pais tomam em certas ocasiões que deixam
seus filhos orgulhosos, como ajudar ao próximo ou cuidar
simplesmente de sua vida e deixar que cada um leve a sua do jeito
que quiser, pois vivemos em democracia.
Por isso, eu coloco um nariz de palhaço, porque tenho que
conviver com quase tudo isso, todos os dias.
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