Ano XVIII - EDIÇÃO 984

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO - TACAPAÇO - Foi. E foi um tremendo tacapaço no bolso do povo. De novo. Aliás, inesperado, depois que o presidente garantiu de pés juntos, após a queda da CPMF, que não haveria novos aumentos de impostos. E houve. E aquela piada de mau gosto do ministro da Fazenda, dizendo “que o presidente dissera que não haveria aumento de impostos mais em 2007, mas não em 2008”. Que coisa! Isso mostra clara e insofismavelmente de que o governo não vai e não quer declinar da carga tributária, que assoberba a economia brasileira, retirando do bolso do povo cerca de 38% do PIB. Eram arrecadados só de CPMF anualmente R$ 40 bilhões. E alardear que 2008 será o ano da reforma tributária está muito próximo do chiste de mau gosto. Depois dessa, quem acredita que existem intenções em baixar os tributos? Para aumentar os impostos, naturalmente, não há necessidade de reforma, porque os cidadãos brasileiros estão até os gorgomilos com tributos e taxas. Isto ficou demonstrado com a derrota da CPMF no Senado e a derrota na Assembléia Legislativa do Plano de Recuperação do Estado. O povo está querendo que o governo faça sua parte. Que corte gastos, que são exorbitantes e extravagantes. Bilhões são jogados todos os anos pelo ralo. O que num país pobre é um crime pelo qual ninguém responde

O PERIGO - A restrição às exportações de carne e a disparada dos preços de grãos estão levando os fazendeiros argentinos a troca seus rebanhos por lavouras de soja, para obter maior rentabilidade. Desde 2005, os pecuaristas hermanos transformaram cerca de três milhões de hectares de pasto em lavouras da oleaginosa. Aí que mora o perigo. Logo, logo, no amado Rio Grande e, por extensão, no Brasil, vão fazer a mesma coisa. E o preço da carne nas nuvens em pouco tempo.

INFLAÇÃO ESTRADULOU - Quem esperava que a inflação fosse bem comportada, em 2007, se quebrou. Os índices ao fim e ao cabo subiram para 7,75%, o que significa que a taxa inflacionária estradulou, no ano passado. A previsão era de 4,5%, com a possibilidade de dois por cento para baixo ou dois por cento para cima. Foi a maior nos últimos três anos e isto deve estar tamborilando na cabeça da equipe econômica. Os alimentos são os vilões desta taxa inesperada. Mas há, claro, outros ingredientes neste bolo. Juros fora dos padrões, perda da CPMF, ameaça de apagões, tudo isso deve estar mexendo com a tranqüilidade do governo federal em ano de eleições municipais.

EM 2008, SOBRETUDO, PAZ E MUITA ÉTICA!

GARGALOS - Os portos brasileiros são considerados o pior gargalo na infra-estrutura nacional e eles devem ter prioridade, em 2008, Logicamente, há outros gargalos, como aeroportos, rodovias, energia elétrica, Sem falar em muitos outros. E tudo isso vai exigir vultosos investimentos, que poderiam vir da iniciativa privada pela PPPs, mas há pouco interesse demonstrado. A expectativa é de que o Programa de Aceleração do Crescimento/PAC deslanche e acelere o desenvolvimento, para evitar o apagão, ou os apagões.

UM ANO DO PAC - Lembram-se? No dia 22 de janeiro de 2007, com muita pompa e circunstancia, o Programa de Aceleração do Crescimento/PAC foi lançado, em Brasília. .Passou um ano e pouco se fez. Parece que até aqui, o PAC não decolou. E para comemorar o aniversário do primeiro ano de existência do programa tido como salvador, haverá um balanço geral, amplo e minucioso das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. E vai haver, sem dúvida, uma mexida, para que em ano de eleições municipais, as obras decolem, para que, como diz o presidente “o Brasil vire em canteiro de obras”, corrigido pela ministra Dilma Roussef, “vire num canteirão de obras”. Que tal!

ENTÃO, QUE 2008 SEJA O ANO DA ARRANCADA PARA O DESENVOLVIMENTO!

FRASES DE COMEÇO DE ANO Foram dos mais variados coloridos as frases, no início da jornada de 2008. Apenas algumas:
1 - “Fomos surpreendidos pela quebra de palavra do presidente, que era a de não aumentar a carga tributária”
Senador José Agripino, do DEM. 2
- “Não é um bom começo o aumento do IOF e da CSLL para compensar a perda do CPMF”
Senador Garibaldi Alves, do PMDB, presidente do Senado.
3 - “Em primeiro lugar, estadista que se preze se dirige ao povo não apenas para repetir que já foi torneiro-mecânico e anunciar as boas-novas na economia. Estadista vai ao povo dizer ao vivo e a cores que aumentou impostos por isso ou por aquilo, não manda que o ministro de Recados dê a má notícia”.
Um colunista respeitado.

E AQUELA FRASE PARA FINALIZAR! - E aquela frase, de que o presidente prometeu não aumentar impostos, em 2007, mas não, em 2008, foi de doer na inteligência do povo brasileiro. É tirar o povo sofrido para otário. Tenha dó, senhor ministro da Fazenda, e faça outra. Uma melhorzinha um pouco, para começar o ano de 2008, quando, com certeza, o nosso bolso vai arder de novo.

O ANO COMEÇA COM BOAS PERSPECTIVAS NO AGRONEGÓCIO. OS PREÇOS DAS COMMODITIES ESTÃO EM ALTA VIRTIGINOSA. O QUE ASSUSTA É A COTAÇÃO DO PETRÓLEO, QUE SUBIU ÀS NUVENS. OS BIOCOMBUSTÍVEIS – ETANOL E BIODIESEL - PODEM SER AS VEDETES EM 2008.

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