
À GUISA
DE COMENTÁRIO – DESCRENÇA – Parece
que o governo ficou sozinho pendurado no pincel nesta questão
de um crescimento de 5% no Produto Interno Bruto, em 2007. Os
economistas mais renomados do país entendem que a economia
brasileira dificilmente chegará a tanto, no ano que vem.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) já analisara
isso, mostrando justificativas plenamente racionais. Na melhor
das hipóteses, os técnicos e analistas econômicos
aceitam falar num crescimento de 3,5% a 4%, no próximo
exercício. Isto quer dizer que Lula e sua equipe econômica
deram um chute muito para cima, muito para o alto. Ou será que
o objetivo disso é semear o otimismo exagerado, próprio
do governo petista? Seria ótimo, se isto acontecesse.
Outros países ao redor do mundo crescem 8%, 9% e até 10%.
Um dos casos mais admiráveis é o da Argentina,
que estava falida e deu calote, cresce a 8,5% do PIB. O Chile é outro
caso. Por que o Brasil não pode crescer?
COMENTÁRIO DESAIROSO – O ex-ministro da Fazenda todo-poderoso
Delfim Neto, hoje esquecido deputado federal nas hostes do PMDB
(até a casaca virou), teceu um comentário desairoso
aos economistas, como se ele não fosse. Disse literalmente: “O
país tem de acreditar que vai crescer e isso desperta o
espírito animal dos empresários”. Até aqui,
tudo bem. A parte ruim vem agora: “Os economistas do Brasil
insistem em desmontar isso... Na Idade Média, os economistas
queriam ser o lubrificante do desenvolvimento; hoje, os economistas
são a areia. Eles têm um prazer enorme de pôr
areia no desenvolvimento”. Viram?
REDUÇÃO – No Brasil só se discute crescimento
e coalizão, nos tempos mais recentes. O governo Lula, no
segundo mandato, prospecta 5% de crescimento já a partir
de 2007, o que vem sendo largamente contestado por economistas,
institutos e entendidos de todo calado. Na terra do Tio Sam, no
entanto, o governo reduziu suas previsões de crescimento
da economia para este ano e para 2007. A expectativa de crescimento
para este ano, agora, é de 3,1% e de 2,9% para o ano que
vem. É pouco, convenhamos, mas o realismo norte-americano
deve indicar isso.
MISSÃO DIFÍCIL – A missão do governo
federal não será fácil, porque só o
setor de infra-estrutura vai exigir investimentos anuais de R$
87,7 bilhões, entre 2007 e 2010. Os setores que vão
precisar de investimentos são: energia elétrica – R$
16,6 bilhões; petróleo e gás natural – R$
31,5 bilhões; transportes – R$ 16,8 bilhões;
telecomunicações – R$ 13,2 bilhões;
saneamento básico – R$ 9,6 bilhões. Preparem-se,
porque muitas rodovias federais vão passar para a iniciativa
privada, mediante a cobrança de pedágio. Vai haver
dinheiro para tudo isso?
ENGANARAM – Existe uma máxima bem conhecida dos educadores:
nunca se deve mentir para a criança. E para os cidadãos
adultos se pode mentir a torto e a direito? É o que o governo
fez, durante todo este ano, sobretudo, durante a campanha eleitoral,
vendendo ao povo a idéia de que o Brasil cresceria, neste
ano, 4%. Um chute nas nuvens. Agora, passadas as eleições
e se aproximando o fim do ano, a verdade vem à tona. O crescimento
do terceiro trimestre foi de 0,5% e o PIB do ano poderá ficar
nos medíocres 2,5%. Azar de nós, brasileiros, que
engolimos a pílula. E viva a mentira, a enganação,
a empulhação oficial.
MAU PARA OS FUNCIONÁRIOS – É alarmante a situação
financeira do Estado. De certo modo, para o funcionalismo, que
já é mal pago, é um mau agouro. O orçamento
de 2007 não prevê recursos para reajuste salarial.
E, pior do que isto, há risco de atraso no pagamento dos
magros salários. Não há dinheiro mais neste
estado que uma vez era o celeiro do Brasil.
MÁ GESTÃO – Talvez o bilionário déficit
da Previdência Social possa ser atribuído à má gestão
da instituição. Ou os rombos são causados
por desvios e falcatruas? Leia com atenção o que
segue, para entender melhor o que se passa naquele órgão: “Hoje,
dos 24 milhões de beneficiários, o INSS paga sete
milhões de pessoas que nunca, em momento algum, contribuíram
com qualquer centavo para a Previdência. Estas pessoas têm
direitos, mas incharam a Previdência, o que acabou provocando
o déficit. Quem deveria pagá-los é a Seguridade
Social”. Deu para entender, onde está o furo da bala?
Como pode alguém que nunca contribuiu ser beneficiado? Só neste
país, onde falta seriedade com as coisas públicas.
APAGÃO – Nos aeroportos já deu apagão.
Mas pode dar apagões em outros setores de infra-estrutura,
se houver um crescimento econômico mais acelerado. A realidade é que
o Brasil já não está vivenciando uma nova
pane no setor energético porque o baixo crescimento da economia
brasileira, no patamar atual, não exigiu um maior consumo.
Para sustentar o crescimento de 5%, desejado pelo governo, o Brasil
teria de investir entre R$ 6 e 7 bilhões anuais em investimentos,
durante uma década.
E Hugo Chávez, populista de carteirinha, já está no
poder oito anos. Reelegeu-se porque manipulou o Congresso e conseguiu
mais um mandato, alterando a Constituição. Mas, não
satisfeito, quer alterar de novo a Constituição,
para se eleger indefinidamente. Está na trilha de Fidel
Castro.
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