Ano XVIII - EDIÇÃO 931
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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – DESCRENÇA – Parece que o governo ficou sozinho pendurado no pincel nesta questão de um crescimento de 5% no Produto Interno Bruto, em 2007. Os economistas mais renomados do país entendem que a economia brasileira dificilmente chegará a tanto, no ano que vem. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) já analisara isso, mostrando justificativas plenamente racionais. Na melhor das hipóteses, os técnicos e analistas econômicos aceitam falar num crescimento de 3,5% a 4%, no próximo exercício. Isto quer dizer que Lula e sua equipe econômica deram um chute muito para cima, muito para o alto. Ou será que o objetivo disso é semear o otimismo exagerado, próprio do governo petista? Seria ótimo, se isto acontecesse. Outros países ao redor do mundo crescem 8%, 9% e até 10%. Um dos casos mais admiráveis é o da Argentina, que estava falida e deu calote, cresce a 8,5% do PIB. O Chile é outro caso. Por que o Brasil não pode crescer?

COMENTÁRIO DESAIROSO – O ex-ministro da Fazenda todo-poderoso Delfim Neto, hoje esquecido deputado federal nas hostes do PMDB (até a casaca virou), teceu um comentário desairoso aos economistas, como se ele não fosse. Disse literalmente: “O país tem de acreditar que vai crescer e isso desperta o espírito animal dos empresários”. Até aqui, tudo bem. A parte ruim vem agora: “Os economistas do Brasil insistem em desmontar isso... Na Idade Média, os economistas queriam ser o lubrificante do desenvolvimento; hoje, os economistas são a areia. Eles têm um prazer enorme de pôr areia no desenvolvimento”. Viram?

REDUÇÃO – No Brasil só se discute crescimento e coalizão, nos tempos mais recentes. O governo Lula, no segundo mandato, prospecta 5% de crescimento já a partir de 2007, o que vem sendo largamente contestado por economistas, institutos e entendidos de todo calado. Na terra do Tio Sam, no entanto, o governo reduziu suas previsões de crescimento da economia para este ano e para 2007. A expectativa de crescimento para este ano, agora, é de 3,1% e de 2,9% para o ano que vem. É pouco, convenhamos, mas o realismo norte-americano deve indicar isso.

MISSÃO DIFÍCIL – A missão do governo federal não será fácil, porque só o setor de infra-estrutura vai exigir investimentos anuais de R$ 87,7 bilhões, entre 2007 e 2010. Os setores que vão precisar de investimentos são: energia elétrica – R$ 16,6 bilhões; petróleo e gás natural – R$ 31,5 bilhões; transportes – R$ 16,8 bilhões; telecomunicações – R$ 13,2 bilhões; saneamento básico – R$ 9,6 bilhões. Preparem-se, porque muitas rodovias federais vão passar para a iniciativa privada, mediante a cobrança de pedágio. Vai haver dinheiro para tudo isso?

ENGANARAM – Existe uma máxima bem conhecida dos educadores: nunca se deve mentir para a criança. E para os cidadãos adultos se pode mentir a torto e a direito? É o que o governo fez, durante todo este ano, sobretudo, durante a campanha eleitoral, vendendo ao povo a idéia de que o Brasil cresceria, neste ano, 4%. Um chute nas nuvens. Agora, passadas as eleições e se aproximando o fim do ano, a verdade vem à tona. O crescimento do terceiro trimestre foi de 0,5% e o PIB do ano poderá ficar nos medíocres 2,5%. Azar de nós, brasileiros, que engolimos a pílula. E viva a mentira, a enganação, a empulhação oficial.

MAU PARA OS FUNCIONÁRIOS – É alarmante a situação financeira do Estado. De certo modo, para o funcionalismo, que já é mal pago, é um mau agouro. O orçamento de 2007 não prevê recursos para reajuste salarial. E, pior do que isto, há risco de atraso no pagamento dos magros salários. Não há dinheiro mais neste estado que uma vez era o celeiro do Brasil.

MÁ GESTÃO – Talvez o bilionário déficit da Previdência Social possa ser atribuído à má gestão da instituição. Ou os rombos são causados por desvios e falcatruas? Leia com atenção o que segue, para entender melhor o que se passa naquele órgão: “Hoje, dos 24 milhões de beneficiários, o INSS paga sete milhões de pessoas que nunca, em momento algum, contribuíram com qualquer centavo para a Previdência. Estas pessoas têm direitos, mas incharam a Previdência, o que acabou provocando o déficit. Quem deveria pagá-los é a Seguridade Social”. Deu para entender, onde está o furo da bala? Como pode alguém que nunca contribuiu ser beneficiado? Só neste país, onde falta seriedade com as coisas públicas.

APAGÃO – Nos aeroportos já deu apagão. Mas pode dar apagões em outros setores de infra-estrutura, se houver um crescimento econômico mais acelerado. A realidade é que o Brasil já não está vivenciando uma nova pane no setor energético porque o baixo crescimento da economia brasileira, no patamar atual, não exigiu um maior consumo. Para sustentar o crescimento de 5%, desejado pelo governo, o Brasil teria de investir entre R$ 6 e 7 bilhões anuais em investimentos, durante uma década.
E Hugo Chávez, populista de carteirinha, já está no poder oito anos. Reelegeu-se porque manipulou o Congresso e conseguiu mais um mandato, alterando a Constituição. Mas, não satisfeito, quer alterar de novo a Constituição, para se eleger indefinidamente. Está na trilha de Fidel Castro.

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