Ano XVIII - EDIÇÃO 931
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Florestas auxiliam
na conservação da água

Francine Herpich
Estudante de Jornalismo da UFSM

É através da captação, infiltração e manutenção da água no solo que a floresta exerce um papel fundamental na preservação de mananciais hídricos. A infiltração em meio à vegetação florestal é máxima, fazendo com que o armazenamento temporário em lençóis freáticos também seja maior, o que não ocorre em ambientes descobertos, já que nestes o sol age diretamente, favorecendo a evaporação. A água retida na floresta é liberada lentamente, compondo o chamado deflúvio, servindo de suporte para o abastecimento das nascentes dos rios e açudes. Sem contar que o solo está protegido contra a erosão, porque a floresta evita que a força da chuva o atinja diretamente.
Impedindo o surgimento do processo erosivo, a qualidade da água aumenta, pois ela não fica “suja” com sedimentos. A relação existente entre a floresta e o ecossistema aquático é de estreita interdependência, pois a degradação ou escassez de um perturba profundamente a existência e a qualidade do outro.
Essa interdependência é ressaltada em períodos de pouca chuva. O chefe do escritório regional do IBAMA, de Santa Maria, Tarso Isaia, explica que “nos locais onde ocorrem os desmatamentos o índice de água armazenada no solo é reduzido, resultando num processo de desequilíbrio das bacias hidrográficas quando acontecem episódios de um mês ou dois sem chuvas, maximizando os efeitos das estiagens. Por outro lado, nas regiões florestadas, o deflúvio, ou seja, a água infiltrada e armazenada no solo, é suficiente para manter os rios perenes”.
Sabemos o quanto a floresta é importante na preservação da água, mas como é possível protegê-la e ao mesmo tempo explorá-la economicamente? A solução, segundo Isaia, encontra-se no manejo florestal sustentável. Essa técnica é o contrário do desmatamento de “corte raso”, que é indesejável e traz prejuízos à natureza.
“ Manejo florestal sustentável significa utilizar a floresta sem comprometer a sua sustentabilidade, realizando cortes seletivos, retirando do meio somente os indivíduos que compõem a maior parte do seu volume total, e que podem ser colhidos sem comprometer a sua renovação. É através de um estudo chamado inventário florestal que as árvores que compõem a grande maioria do volume são identificadas, para então ser retiradas. Permanecem matrizes, porta-sementes, que vão regenerar a área naturalmente e continuar o processo, para que depois de alguns anos a exploração possa ser repetida”. Dessa forma, é possível lucrar com as florestas sem precisar desequilibrar e, conseqüentemente, prejudicar o ciclo da água da região.

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