Florestas
auxiliam
na conservação da água
Francine
Herpich
Estudante de Jornalismo da UFSM
É através
da captação, infiltração e manutenção
da água no solo que a floresta exerce um papel fundamental
na preservação de mananciais hídricos. A
infiltração em meio à vegetação
florestal é máxima, fazendo com que o armazenamento
temporário em lençóis freáticos também
seja maior, o que não ocorre em ambientes descobertos,
já que nestes o sol age diretamente, favorecendo a evaporação.
A água retida na floresta é liberada lentamente,
compondo o chamado deflúvio, servindo de suporte para
o abastecimento das nascentes dos rios e açudes. Sem contar
que o solo está protegido contra a erosão, porque
a floresta evita que a força da chuva o atinja diretamente.
Impedindo o surgimento do processo erosivo, a qualidade da água
aumenta, pois ela não fica “suja” com sedimentos.
A relação existente entre a floresta e o ecossistema
aquático é de estreita interdependência, pois
a degradação ou escassez de um perturba profundamente
a existência e a qualidade do outro.
Essa interdependência é ressaltada em períodos
de pouca chuva. O chefe do escritório regional do IBAMA,
de Santa Maria, Tarso Isaia, explica que “nos locais onde
ocorrem os desmatamentos o índice de água armazenada
no solo é reduzido, resultando num processo de desequilíbrio
das bacias hidrográficas quando acontecem episódios
de um mês ou dois sem chuvas, maximizando os efeitos das
estiagens. Por outro lado, nas regiões florestadas, o deflúvio,
ou seja, a água infiltrada e armazenada no solo, é suficiente
para manter os rios perenes”.
Sabemos o quanto a floresta é importante na preservação
da água, mas como é possível protegê-la
e ao mesmo tempo explorá-la economicamente? A solução,
segundo Isaia, encontra-se no manejo florestal sustentável.
Essa técnica é o contrário do desmatamento
de “corte raso”, que é indesejável e
traz prejuízos à natureza.
“
Manejo florestal sustentável significa utilizar a floresta
sem comprometer a sua sustentabilidade, realizando cortes seletivos,
retirando do meio somente os indivíduos que compõem
a maior parte do seu volume total, e que podem ser colhidos sem
comprometer a sua renovação. É através
de um estudo chamado inventário florestal que as árvores
que compõem a grande maioria do volume são identificadas,
para então ser retiradas. Permanecem matrizes, porta-sementes,
que vão regenerar a área naturalmente e continuar
o processo, para que depois de alguns anos a exploração
possa ser repetida”. Dessa forma, é possível
lucrar com as florestas sem precisar desequilibrar e, conseqüentemente,
prejudicar o ciclo da água da região.
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