Um
sonho concretizado em Três de Maio
O
jovem hoje com 28 anos, entregue para adoção
logo após o nascimento encontrou nesta semana sua
família biológica e conheceu um pouco de sua
história
Sabendo
desde criança que era filho adotado, Cristiano Blumenthal
e Silva sempre quis saber sua origem, conhecer sua história.
Nascido em maio de 1978, o menino foi colocado para adoção
pela sua mãe, na época com 21 anos e solteira.
Adotado, a vida de Cristiano foi construída com seus pais
e longe daqui. Hoje, com 28 anos, reside em São Paulo, é casado,
formado em Administração de Empresas e trabalha
em um banco. “Sempre tive vontade de conhecer minha história,
mas não tinha coragem de vir para cá, pois não
sabia o que eu iria encontrar”, disse.
Porém, neste novo ano, Cristiano, incentivado pela família, tornou
o sonho realidade. Na semana passada embarcou em um ônibus com destino
a Três de Maio. “Embarquei no ônibus em São Paulo e
nem sequer imaginava onde ficava Três de Maio. Por sorte, havia uma três-maiense
no mesmo carro, a Lisiane Schimitt. Acho que Deus colocou ela no meu caminho.
Ela foi nosso anjo, que guiou nossos passos aqui no município”,
revela. Sabendo apenas o nome do hospital que havia nascido, Cristiano, acompanhado
por sua esposa Luciana, se deslocou até o antigo Hospital Santo Antônio,
e lá foram recepcionados e ajudados por diversas pessoas.
Precisando encontrar documentos de maio de 1978, as tardes de segunda e de terça-feira,
dias 16 e 17, foram passadas dentro do porão do hospital, em busca de
seu registro de nascimento. “Havia muita sujeira, caixas de papéis
para todos os lados, não tinha luz. E o que parecia impossível,
deu certo. Encontramos o registro e lá o nome desconhecido até agora:
o da minha mãe”, conta.
Com a ajuda da Polícia Civil e de pessoas “abençoadas” ele
conseguiu chegar até uma tia biológica, residente no interior de
Três de Maio, e através dela ficou sabendo um pouco de sua história. “Minha
tia me mostrou fotos e contou um pouco como era naquela época. Ela também
nos deu o paradeiro de minha mãe e o seu telefone. Conheci também
a minha avó materna. Foi emocionante, ela disse que ainda lembrava do
meu choro e que durante todos esses anos sempre orava para que tudo desse certo
em minha vida”, conta, emocionado.
Com o número do telefone nas mãos, Adriano deu o telefonema mais
importante de sua vida. Falar pela primeira vez com sua mãe em 28 anos. “Liguei
para ela, disse quem eu era e que estava aqui em Três de Maio, para conhecer
as minhas origens, a minha família. Deixei claro que não queria
atrapalhar a sua vida, e sim só conhecê-la. A reação
da minha mãe foi de muita surpresa, ela disse que a única coisa
que queria antes de morrer era me ver e que nunca esqueceu de mim. Também
me pediu desculpas por ter me entregue à doação e que estava
feliz em saber que eu estava bem e que tudo deu certo em minha vida.” Adriano
marcou um encontro com a mãe, que atualmente reside em Porto Alegre.
Dois dias foram o bastante para recuperar algo sempre ausente em sua vida. “Agora,
quando me perguntarem qual é a minha cidade natal, vou dizer Três
de Maio, pois foi aqui que eu fui tirado do ventre de minha mãe e foi
aqui que renasci e recuperei minha história.” Cristiano não
quis revelar o nome da família biológica para não haver
constrangimento para os mesmos.
Cristiano e Luciana foram auxiliados nessa busca por Adelaide Haamann, Dr. João
Mendes Silva, Lizandra Schimitt, Janete Witcak e pela Polícia Civil, através
de Leandro Schmitt e Dautro Vieira.
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