Estudo
aponta o desenvolvimento das exportações
no Noroeste

Luís
Carlos Zuccato é um dos autores do
trabalho, que vem sendo reconhecido internacionalmente
Premiado
em 2008 como o melhor artigo da área no Simpósio
de Administração da Produção,
Logística e Operações Internacionais,
realizado pela Fundação Getúlio
Vargas, o trabalho "A Importância das Exportações
para o Desenvolvimento Local da Fronteira Noroeste do
Rio Grande do Sul e do Extremo-Oeste de Santa Catarina" será agora
publicado na Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão
(RPBG).
O estudo é de autoria do mestre em Administração
e docente da Setrem Luís Carlos Zuccato, do doutor
em Engenharia da Produção Mário Evangelista
(UFSM) e do mestre em Administração Marcos
Ferasso (Universidade Federal do Piauí). Os três
coletaram dados no Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, no Secex (Serviços
de Comércio Exterior), FIESC, Sebrae, GEM (Instituto
de Monitoramento Global sobre o Empreendedorismo), Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe
e junto a estudos de universidades.
Com o estudo, de acordo com Zuccato, evidências apontam
que, comparando a região Noroeste com a de Santa
Catarina, a base exportadora é maior aqui. "O
que isso mostra de positivo ou negativo? As duas regiões
apresentam uma história de ocupação
territorial semelhante, com destaque para um fato da região
de Santa Catarina que, na Segunda Guerra Mundial, exportou
muita madeira – araucárias – via rio
Uruguai, saindo pelo estuário do Prata. Hoje, entretanto,
temos um parque industrial de maior amplitude, baseado
na indústria metal-mecânica, madeiro-moveleira
e agroindústrias".
Por outro lado, segundo Zuccato, existem evidências
de que um estrato de empresários, sobretudo das
micro e pequenas empresas, é reticente à exportação. "Supõe-se
que isso seja consequência de questões culturais
e também da perspectiva de que a exportação é um
caminho árduo, sobretudo por conta do desembaraço
fiscal e aduaneiro, consolidação de cargas,
flutuação cambial, barreiras tarifárias,
como principais fatores de restrição".
Para Zuccato, existem diversos aspectos que podem ser trabalhados
com grande possibilidade de êxito. Segundo ele, as
micro e pequenas empresas, os consórcios de exportação;
redes de cooperação; arranjos produtivos
locais, entre outras estratégias, servem para essas
empresas competirem nos mercados local, regional, nacional
e internacional. "Há estudos que comprovam
que as empresas que estabelecem estratégias de cooperação
potencializam resultados, aumentam a longevidade e, como
consequência, têm mais postos de trabalho,
geração de renda, retorno de tributos. Há,
também, um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada), sobre empresas exportadoras
que mostra que essas empresas aumentam a produtividade,
pagam melhores salários em comparação
a outras empresas do mesmo segmento, somente para citar
alguns benefícios".
Questionado sobre o que a região precisa para melhorar
o setor de exportação, Zuccato afirma que
este é um aspecto complexo. É difícil
apontar um fator específico que possa levar a melhorias. "Penso
que seja uma questão sistêmica: primeiro,
o empresário precisa querer, precisa ter espírito
empreendedor. Paralelamente, é necessária
uma política de exportação que descomplexifique
o processo, conferindo-lhe maior agilidade. É importante
ressaltar ainda que não se pode 'atribuir culpas'
ao empresário que, ainda, não exporta. Precisamos
ser prudentes quanto a isso. Por outro lado, há muito
que se fazer, e as esferas públicas precisam dar
mais de si para oferecer respostas eficientes às
demandas das empresas".