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Semana
Nacional da Pessoa com Deficiência: algumas reflexões
A
construção de um novo cenário social que possa
retomar e tornar possíveis as promessas não cumpridas
ainda dos séculos XIX e XX encontra “matéria-prima” especialmente
no terreno educacional, por onde gerações passam
e produzem, na interação com os diferentes saberes,
conhecimentos que possam sustentar o convívio em sociedade
e recriar as condições humanas com dignidade, respeito
e solidariedade.
Não por acaso, em 1990, o foco dos debates em busca de sustentabilidade
se dá na seara da educação, quando se assume,
mais uma vez, o compromisso de educação para todos.
Parece que o entendimento de que, via educação, as
transformações são mais viáveis, tem
levado autoridades e organismos internacionais a dispensarem especial
atenção a esse setor da sociedade, talvez com demasiada
responsabilidade.
Como lugar de diversidade por excelência, a escola mais uma
vez é chamada ao acolhimento de todos indiscriminadamente.
Esse chamado encontra eco nas incontáveis bandeiras de lutas
que há séculos clamam por respostas positivas. Contudo,
o propósito que parecia atender antigas reivindicações
acaba por “mexer” em territórios quase intocados,
quer sejam os espaços que trataram de forma segregada a
oferta de educação especial à parcela da população
com deficiência que, por exigir condições de
aprendizagem diferente das convencionalmente oferecidas nas escolas,
a ela, não teve acesso.
É
inegável que a criação desses espaços
(como as Apaes na década de 50) teve o propósito
de suprir a falta de atenção a essas pessoas, especialmente
no âmbito educacional e, por isso, nunca deixou de ser pauta
de reivindicações pelo reconhecimento de direitos
sociais, mas principalmente pelo acesso à educação.
Como todas as conquistas sociais, esta também, ainda que
tardiamente, encontra hoje possibilidade de concretização.
No entanto, inversamente ao esperado, tal proposta parece não
ter sido acolhida com louvor. Ao contrário, um movimento
de resistência se instala e o processo de construção
de uma sociedade e uma escola inclusiva enfrenta barreiras a sua
implementação. Por um lado, a escola regular/comum,
temerosa pela dissolução de um modelo de educação
que, embora provocador de queixas e críticas, é o
que se tem e se sustenta. Por outro, as escolas de Educação
Especial que temem ver suas ações obsoletas e suas
especialidades dispensadas ou até incorporadas a outras
instâncias.
Momento de difícil resolução. Crise instalada.
Sem dúvida, um desafio enorme a ser enfrentado e que exige
um grau de transformação significativo das escolas,
dos professores, das famílias, da sociedade como um todo.
Contudo, finalmente, essa situação nos coloca numa única
condição, qual seja, trabalhar juntos, de forma colaborativa,
compartilhando experiências, conhecimentos, desconhecimentos,
medos e ousadias, criando estratégias que possam contribuir
com todos aqueles que precisam ter suas necessidades específicas
atendidas e aqueles que podem oferecer condições
para que isso se efetive. Não podemos negar que se trata
de um grande momento na história da constituição
social da humanidade, uma vez que nunca houve uma escola, de fato,
para todos.
Diante disso, somos impelidos a repensar nossas resistências
e temores frente a uma proposta que, finalmente, apresenta respostas às
nossas buscas históricas. É compreensível
que se tenha sensação de estruturas abaladas, porém,
se tivemos persistência e coragem para manter uma luta por
tanto tempo, há que se encontrar recursos individuais e
coletivos para modificar concepções e ações
de forma a atender às demandas provenientes de um sonho
que se torna realidade. Talvez seja necessário trocarmos
as lentes embaçadas para ter clareza e nitidez no olhar.
Assim, poderemos ver os traços do desenho humano sem que,
necessariamente, esteja dentro de uma moldura. Olhar/ver o ser
humano a partir de sua essência e não da condição
da deficiência.
Jane Teresinha Donini Rodrigues
Moacir Juliani
Professores
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