
E
veio o Bi da América . . .
Os amigos gremistas que me perdoem, mas preciso escrever sobre
isso. O Inter é bicampeão da América.
Em quatro anos foram dois títulos da Libertadores, além
do Mundial, claro. Que momento vive o Internacional...
Estou em Porto Alegre. Tive que encontrar um espaço
na agenda para descer com os meninos ao jogo. Minha esposa
disse no início da semana claramente: “Ou vamos
ao jogo, ou eu vou com os meninos.” Então, estamos
aqui, e valeu a pena.
É
impressionante o número de famílias no estádio.
Muitas crianças vão aos jogos, mesmo os que começam às
22h, como este de ontem. Desapareceu a imagem negativa de que
estádios de futebol estão cercados de violência.
Pelo menos foi o que se percebeu ontem, aqui em Porto Alegre.
Chegamos ao Beira-Rio cinco horas antes do jogo e, acreditem,
havia muita gente. Os portões nem estavam abertos e
a fila já era enorme. Como estávamos com crianças
de sete e oito anos de idade, a saída era passar o tempo
com pipoca, cachorro-quente, refrigerante, chips e até picolé.
O importante era não desanimar, pois teríamos
uma maratona pela frente. Mas o que se percebe ao chegar ao
Beira-rio é que os tempos mudaram.
Quando era pequeno e morava em Porto Alegre meu pai me levou
a alguns jogos. Lembro vagamente do tricampeonato brasileiro
em 1979. Eu tinha sete anos e durante a carreata, após
o jogo, roubaram a bandeira que eu segurava para fora do corcel
azul que meu pai tinha. Um carro com torcedores passou pertinho
e me tiraram das mãos. Meu pai foi atrás e recuperou
a bandeira, numa boa. Me devolveu e continuei sacudindo-a para
fora do carro, agora mais esperto.
Anos se passaram e o Colorado estacionou no tempo. Enquanto
o Grêmio erguia taças e mais taças, o Inter
passou por momentos difíceis. Os tempos de colégio
eram duros. O time não engrenava e o arquirrival sempre à frente
com seus títulos internacionais. Era complicado até para
discutir. Sempre se encerrava a conversa com o mesmo argumento:
o Grêmio era campeão do mundo. Não havia
o que contestar. O Inter, naquela época, jamais passara
perto do Mundial. No máximo havia conseguido ser vice
da Libertadores. Era complicado ser colorado nas décadas
de oitenta e noventa.
Mas o tempo passa, o mundo gira, as coisas mudam e o Inter
voltou a crescer. É inquestionável hoje a superioridade
colorada dentro e fora dos gramados. Mais de cem mil sócios,
campeão de todos os títulos possíveis,
futura sede da Copa do Mundo de 2014 e revelando craques a
cada ano. Este é o Inter que enxergamos hoje.
Ontem, enquanto retornávamos do estádio até o
shoping Praia de Belas, onde havíamos deixado o carro,
observávamos que apesar do horário estava tranquilo
para caminhar junto com a multidão. Quando chegamos
perto do carro, um rapaz aparentemente com a mesma idade que
a minha, olhou para os meus filhos e disse: “que barbada
ser colorado nesta geração! Não sofreram
como nós” e bateu no meu ombro. Sorri, pensei,
entrei no carro e falei para minha mulher: “ao chegar
em casa quero agradecer ao meu pai por ser colorado, vale a
pena”.
Das minhas leituras da madrugada: Não
teve leitura nesta madrugada, só comemoração:
a América é novamente vermelha.
Um
ótimo fim de semana a todos!!
Oficial
do Registro de Imóveis e Tabelião de Protestos
Pós-Graduado em Direito Notarial e Registral
Secretário da Associação dos Notários
e Registradores do Brasil (RS)
-
Marcos Salomão é colunista de 17 jornais
da região Noroeste.
A relação completa dos jornais poderá ser
conferida em nosso site www.marcossalomao.com.br