Ano XX - EDIÇÃO 1114

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – GOVERNO CENTRALISTA – “Um governo centralista que concebe o Brasil de cima para baixo na sua autonomia para se financiar nas suas prioridades, concentrando recursos e os distribuindo de forma discricionária de acordo com interesses políticos e eleitorais, é sinônimo de um país atrasado e de uma organização política que a população não quer mais. “Se não deu para entender na primeira leitura, leia de novo. Deve ser isso ou quase isso que está acontecendo neste nosso Brasil. Exceto que esteja imensamente equivocado. Municipalismo é exigência da democracia – é um caminho sem retorno, porque dá atenção e respeita as comunidades locais. O Brasil nasceu municipalista e foi deixando de ser. Um governo centralista distribui os recursos de forma discricionária, de acordo com os interesses políticos e eleitorais. E isso a população não quer mais. A discriminação está no fato de que há municípios bem contemplados por questões políticas e de interesses eleitoreiros, enquanto outros nem são lembrados. Pela Constituição de 1988, o município brasileiro é um ente federado. Assim sendo, as benesses deveriam ser igualitariamente distribuídas. Mas, enquanto a discriminação se sobrepõe a tudo e a todos, caminhamos na contramão da ordem democrática disseminada pelo mundo. No bom português, o compadrismo deveria ficar de lado.
IRONIA – “O Tribunal Superior Eleitoral deu uma espanada nas fichas de alguns políticos e as mesmas voltaram a ficar limpas”. Frase, como veem, carregada de ironia. Não seria este mais um exemplo de compadrismo que campeia solto por todas as plagas desta gigantesca Nação, onde deveríamos estar sob o signo da democracia?
FRASE PARA REFLETIR: “Uma sociedade de carneiros acaba por gerar um governo de lobos”. De autoria do escritor francês Victor Hugo. A frase faz pensar, porque já temos exemplos não muito longe daqui.
DE OLHO NO LEITE – Agora, escutem só mais esta: a Argentina está pressionando o Brasil para aumentar sua exportação de lácteos ao nosso mercado. Faltava só o governo federal ceder às pressões argentinas, como quase sempre acontece. Se o Brasil aumentar a importação de lácteos, os preços internos, que já estão em queda, vão cair mais ainda. Seria bom para os consumidores, mas quem vai pagar o pato será o produtor mais uma vez. A indústria leiteira argentina é mais forte que a brasileira e tem menores custos, por isso pode oferecer os seus produtos lácteos por preços bem mais acessíveis. É bom ficar de olho.
RENDA DO PRODUTOR – “Vamos denunciar à sociedade, porque a renda do produtor está baixa e ele não consegue pagar seus compromissos”. A colocação é do presidente da Farsul, Carlos Sperotto. De fato, há muito tempo que se ouve dizer que os produtores rurais estão descapitalizados.
SE LEIS FOSSEM A SOLUÇÃO, NÃO HAVERIA PROBLEMAS NO BRASIL, PORQUE HÁ LEI PARA TUDO.
FALTA MÃO DE OBRA QUALIFICADA – Enquanto falta mão de obra qualificada, as inscrições para qualquer concurso público estão bombando. Todos querem o emprego fácil, que garante estabilidade e oferece mordomias. Às vezes, a recompensa financeira nem é tão significativa, mas nem sempre necessita de qualificação, que quase sempre tem que ser buscada no desempenho do cargo.
QUALIFICAÇÃO – A qualificação da mão de obra é importante e alavanca a economia. Vejam, por exemplo, uma empresa de fora tinha interesse em se estabelecer em Três de Maio, desde que houvesse mão de obra qualificada disponível, ou seja, pelo menos, 50 costureiras industriais com prática. Talvez, não se tenha aqui este contingente, então a instalação da empresa se inviabiliza. Quem perde é o Município e quem perde é a comunidade.
DESPERDÍCIOS – Nós somos campeões de desperdícios neste País. Temos muitos exemplos de elefantes brancos. Com vistas à Copa do Mundo de 2014, vamos ter muitos outros exemplos. Num estado pobre como Pernambuco, onde há três estádios na capital, Recife, será erguida a Arena Recife, um investimento de R$ 450 milhões, tudo dinheiro público. Um elefante branco que, depois da Copa, vai ficar às moscas. Não seria mais lógico reformar um dos três estádios existentes? Mas este não vai ser o único caso.
SUPERVALORIZAÇÃO – A moeda brasileira está sobrevalorizada em cerca de 30% em relação ao dólar. Isso significa que uma taxa de câmbio efetiva deveria ser de R$ 2,27 por dólar. Essa sobrevalorização é absolutamente prejudicial ao setor exportador, especialmente de manufaturados e de grãos. Em face disso, a balança comercial tem registrado constantes déficits. Isso é prejudicial para nossa indústria voltada para a exportação e é prejudicial para o setor primário. Quem ganha com isso são os importadores e turistas.
EDUCAÇÃO FINANCEIRA – Fazia falta o estudante aprender a gastar bem o salário ou a mesada, ajudar a organizar as despesas da família e evitar gastança desnecessária. Um projeto piloto de educação financeira começa a fazer parte de 450 escolas públicas do País. Serão dicas simples de como gastar o dinheiro. Logicamente, os professores nas aulas de Matemática, ao invés de massacrar os alunos com teoremas, poderiam dar algumas lições com dicas simples de como usar bem o dinheiro.

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