Ano XX - EDIÇÃO 1113

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JOÃO SENO BACH

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À GUISA DE COMENTÁRIO – FALTA DE APOIO – Larguei de mão, me disse, há dias, um triticultor. Já falei que chega, já xinguei que chega e não adianta nada. Este o desolado depoimento de um produtor de trigo. Por que isso? Fácil. O produtor rural, que precisa de alavanca, que precisa de apoio, não o tem na hora certa. As políticas agrícolas deste nosso País não estão afinadas. Os preços do trigo são aviltantes. Por quê? Porque é fácil importar trigo, que é de melhor qualidade que o nosso – e o preço é acessível. Claro que os moinhos vão preferir trigo importado. E o nosso produto não tem proteção. Fosse nos Estados Unidos, seriam levantadas barreiras, para proteger o produto deles. Desse jeito, a nossa cultura de trigo se termina. Sempre foi uma opção como cultura de inverno na falta de outra mais compatível. O arroz já está seguindo o mesmo caminho: preços aviltantes, porque é permitida a entrada de arroz de vários países do Mercosul. Aí vem a grita, vêm as manifestações, vêm os protestos. Mas tudo acaba em água de barrela. Não está na hora de dar um basta nisso?
A NOTÍCIA É A DE QUE O TRIGO PODE FICAR SEM PREÇO MÍNIMO. Ruim. E O GOVERNO LIBERA DINHEIRO PARA COMPRA DE ARROZ. Menos mal.
CATILINÁRIA
– O arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, fez uma verdadeira catilinária em sua coluna A Voz do Pastor contra a imprensa que insiste em acusar a Igreja Católica de pedófila.”Por que se combate a pedofilia, mas se promove o aborto, o divórcio, a homossexualidade, a corrupção?”, desancou o antístite. “Por que se quer tirar os crucifixos das repartições públicas, acabando com uma tradição milenar?”, insistiu o religioso. E dou inteira razão àquela autoridade eclesial, porque não é crível que acusem a instituição, ao invés de condenar os que infringem a moral. Finalmente, alguém levantou uma bandeira em defesa dos interesses eclesiásticos. Liquidados os princípios religiosos, o resto facilmente cai por terra. Foi assim na Rússia, na China, em Cuba.
MANIPULAÇÃO – Não importa que sejam caros a cerveja, o uísque, o vinho, os perfumes e o escambau, desde que sejam baratos o leite, o pão, o feijão, o arroz e a carne de frango. Na antiga Roma, os ânimos do povo exaltado, eram dominados com pão e circo. Os governos de apelo popular atraem a simpatia do povo com preços acessíveis da comida. Então, ninguém se admire dos preços aviltantes do trigo, do arroz, do milho, do leite, enfim. Dali sai a comida básica do brasileiro. A partir daí faz-se a manipulação de preços. Não importa que a batatinha seja cara, a cebola, o alho sejam caros, a carne de primeira seja cara. A produção de alimentos até pode ser subsidiada, mas os recursos vêm de receita arrecadada de quem paga altos tributos.
NÃO ADIANTA O PRESIDENTE DA CBF XINGAR O TREINADOR, A COMISSÃO TÉCNICA E OS ATLETAS DA SELEÇÃO CANARINHO, SE A NOSSA LEGISLAÇÃO NÃO AJUDA. QUE TAL A CBF MEXER NA LEI PELÉ?
RECORDE E RETORNO
– As páginas dos jornais ultimamente vêm prenhes de notícias alardeando o recorde de arrecadação federal, neste primeiro semestre, para enaltecer o crescimento do PIB e desfazer a ideia de que o Brasil esteja vivendo uma crise, esta mesma que afeta Estados Unidos e Europa. No entanto, a resposta nos cofres municipais não reflete a realidade da Receita Federal. No caso de Três de Maio, são quase R$ 300 mil a menos de retorno de FPM do que o previsto, no mês de julho. Somados a uma redução de quase R$ 100 mil de ICMS, o furo é de cerca de R$ 400 mil. E os compromissos dos cofres municipais são os mesmos em todos os meses do ano.
TORCIDA – É forte a torcida do secretário da Fazenda que a receita se recupere, no mês de agosto, para que a municipalidade possa saldar pontualmente seus compromissos assumidos. Ademais disso, que a primeira parcela do 13° salário foi antecipada para o mês de julho, depositada, no dia 20 deste mês. Segundo o secretário, “é preciso fazer uma ginástica muito grande para manter as contas em dia, mesmo porque existem esses imprevistos da queda da receita dos principais ingredientes do nosso orçamento”.
AEROPORTOS – Parece que o presidente da CBF tinha razão, quando disse, ainda em território africano, que os problemas do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 eram três: aeroportos primeiro, aeroportos segundo e aeroportos terceiro. Não é que, terminada a Copa da África do Sul, há 15 dias, o governo federal destinou verba de mais R$ 5,5 bilhões para infraestrutura em aeroportos. Serão investidos mais de R$ 6 bilhões em 16 aeroportos nas 12 cidades-sede da Copa de 2014. Agora, só agora se percebe que está faltando infraestrutura para todo lado. Talvez, o maior gargalo esteja situado nas estradas e ruas das regiões metropolitanas.
CONTRA O PATERNALISMO – “É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar nada para alguém que não tira de outro alguém”. Em vista disso, sou contra o paternalismo: dar de mão beijada é paternalismo, e o paternalismo faz mal. Pode se praticar a caridade, o que significa doar algo para alguém que precisa de coração, mas dar o governo sistematicamente é contraproducente e só visa ajudar a quem dá, porque não é de coração.
A FAVOR E CONTRA – Em quase tudo, há aqueles que são a favor e aqueles que são contra. Sobretudo, na política e no futebol é assim. Em questões ideológicas sempre existem os dois lados. Mesmo estando em jogo um belo projeto de interesse da comunidade, as ideias favoráveis e contrárias vêm à tona. Há os que são contra o incremento à bacia leiteira. Mas há aqueles que veem a alavancagem com simpatia, aderem, e tiram vantagens. Há que respeitar o sentimento das pessoas.

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