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À GUISA
DE COMENTÁRIO – FALTA DE APOIO – Larguei de
mão, me disse, há dias, um triticultor. Já falei
que chega, já xinguei que chega e não adianta nada.
Este o desolado depoimento de um produtor de trigo. Por que isso?
Fácil. O produtor rural, que precisa de alavanca, que
precisa de apoio, não o tem na hora certa. As políticas
agrícolas deste nosso País não estão
afinadas. Os preços do trigo são aviltantes. Por
quê? Porque é fácil importar trigo, que é de
melhor qualidade que o nosso – e o preço é acessível.
Claro que os moinhos vão preferir trigo importado. E o
nosso produto não tem proteção. Fosse nos
Estados Unidos, seriam levantadas barreiras, para proteger o
produto deles. Desse jeito, a nossa cultura de trigo se termina.
Sempre foi uma opção como cultura de inverno na
falta de outra mais compatível. O arroz já está seguindo
o mesmo caminho: preços aviltantes, porque é permitida
a entrada de arroz de vários países do Mercosul.
Aí vem a grita, vêm as manifestações,
vêm os protestos. Mas tudo acaba em água de barrela.
Não está na hora de dar um basta nisso?
A NOTÍCIA É A DE QUE O TRIGO PODE FICAR SEM PREÇO
MÍNIMO. Ruim. E O GOVERNO LIBERA DINHEIRO PARA COMPRA DE
ARROZ. Menos mal.
CATILINÁRIA – O arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus
Grings, fez uma verdadeira catilinária em sua coluna A Voz
do Pastor contra a imprensa que insiste em acusar a Igreja Católica
de pedófila.”Por que se combate a pedofilia, mas se
promove o aborto, o divórcio, a homossexualidade, a corrupção?”,
desancou o antístite. “Por que se quer tirar os crucifixos
das repartições públicas, acabando com uma
tradição milenar?”, insistiu o religioso. E
dou inteira razão àquela autoridade eclesial, porque
não é crível que acusem a instituição,
ao invés de condenar os que infringem a moral. Finalmente,
alguém levantou uma bandeira em defesa dos interesses eclesiásticos.
Liquidados os princípios religiosos, o resto facilmente
cai por terra. Foi assim na Rússia, na China, em Cuba.
MANIPULAÇÃO – Não importa que sejam
caros a cerveja, o uísque, o vinho, os perfumes e o escambau,
desde que sejam baratos o leite, o pão, o feijão,
o arroz e a carne de frango. Na antiga Roma, os ânimos do
povo exaltado, eram dominados com pão e circo. Os governos
de apelo popular atraem a simpatia do povo com preços acessíveis
da comida. Então, ninguém se admire dos preços
aviltantes do trigo, do arroz, do milho, do leite, enfim. Dali
sai a comida básica do brasileiro. A partir daí faz-se
a manipulação de preços. Não importa
que a batatinha seja cara, a cebola, o alho sejam caros, a carne
de primeira seja cara. A produção de alimentos até pode
ser subsidiada, mas os recursos vêm de receita arrecadada
de quem paga altos tributos.
NÃO ADIANTA O PRESIDENTE DA CBF XINGAR O TREINADOR, A COMISSÃO
TÉCNICA E OS ATLETAS DA SELEÇÃO CANARINHO,
SE A NOSSA LEGISLAÇÃO NÃO AJUDA. QUE TAL A
CBF MEXER NA LEI PELÉ?
RECORDE E RETORNO – As páginas dos jornais ultimamente
vêm prenhes de notícias alardeando o recorde de arrecadação
federal, neste primeiro semestre, para enaltecer o crescimento
do PIB e desfazer a ideia de que o Brasil esteja vivendo uma crise,
esta mesma que afeta Estados Unidos e Europa. No entanto, a resposta
nos cofres municipais não reflete a realidade da Receita
Federal. No caso de Três de Maio, são quase R$ 300
mil a menos de retorno de FPM do que o previsto, no mês de
julho. Somados a uma redução de quase R$ 100 mil
de ICMS, o furo é de cerca de R$ 400 mil. E os compromissos
dos cofres municipais são os mesmos em todos os meses do
ano.
TORCIDA – É forte a torcida do secretário da
Fazenda que a receita se recupere, no mês de agosto, para
que a municipalidade possa saldar pontualmente seus compromissos
assumidos. Ademais disso, que a primeira parcela do 13° salário
foi antecipada para o mês de julho, depositada, no dia 20
deste mês. Segundo o secretário, “é preciso
fazer uma ginástica muito grande para manter as contas em
dia, mesmo porque existem esses imprevistos da queda da receita
dos principais ingredientes do nosso orçamento”.
AEROPORTOS – Parece que o presidente da CBF tinha razão,
quando disse, ainda em território africano, que os problemas
do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 eram três: aeroportos
primeiro, aeroportos segundo e aeroportos terceiro. Não é que,
terminada a Copa da África do Sul, há 15 dias, o
governo federal destinou verba de mais R$ 5,5 bilhões para
infraestrutura em aeroportos. Serão investidos mais de R$
6 bilhões em 16 aeroportos nas 12 cidades-sede da Copa de
2014. Agora, só agora se percebe que está faltando
infraestrutura para todo lado. Talvez, o maior gargalo esteja situado
nas estradas e ruas das regiões metropolitanas.
CONTRA O PATERNALISMO – “É impossível
levar o pobre à prosperidade através de legislações
que punem os ricos pela prosperidade. Para cada pessoa que recebe
sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo
não pode dar nada para alguém que não tira
de outro alguém”. Em vista disso, sou contra o paternalismo:
dar de mão beijada é paternalismo, e o paternalismo
faz mal. Pode se praticar a caridade, o que significa doar algo
para alguém que precisa de coração, mas dar
o governo sistematicamente é contraproducente e só visa
ajudar a quem dá, porque não é de coração.
A FAVOR E CONTRA – Em quase tudo, há aqueles que são
a favor e aqueles que são contra. Sobretudo, na política
e no futebol é assim. Em questões ideológicas
sempre existem os dois lados. Mesmo estando em jogo um belo projeto
de interesse da comunidade, as ideias favoráveis e contrárias
vêm à tona. Há os que são contra o incremento à bacia
leiteira. Mas há aqueles que veem a alavancagem com simpatia,
aderem, e tiram vantagens. Há que respeitar o sentimento
das pessoas.
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