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CARA
OU COROA
Escolhas
fazem parte da vida do homem. Desde os tempos mais remotos temos
notícias dessas encruzilhadas que conduziram a Humanidade,
bem ou mal, até os nossos dias. E nem sempre o senso de
justiça ou de equivalência tem preponderado nessas
decisões. Afinal, o que move o homem na hora de tomar as
suas decisões? Algumas vezes, raramente hoje, é aquele
espírito altruísta, de querer apenas se dedicar a
uma causa, de ajudar as pessoas por uma abnegação
motivada por experiências pessoais, religiosas ou até existenciais,
resultantes de contatos com a natureza ou da observação
de fenômenos estelares. Existem inúmeros motivos.
Outras decisões são tomadas por imposição
de terceiros, resultantes de ordem, de estrutura hierárquica,
onde o subalterno deve obedecer a seu superior e, por isso, toma
decisões amparado, muitas vezes, naquilo que não
está escrito, mas desenhado na aura de uma ideia, de um
conceito. Ainda há aquelas decisões que atendem a
grupos – econômicos ou políticos – e pretendem,
sempre, preservar um status, amealhado, muitas vezes, de maneira
duvidosa ou ilícita. E não menos importantes são
aquelas, pessoais, motivadas pelo sentimento, pela expressão
do amor passional e, cujas decisões têm proporcionado
verdadeiras revoluções na caminhada do homem.
Entretanto, temos observado, nestas últimas décadas,
que, cada vez mais, o foco de decisões e, por consequência,
as atitudes das pessoas têm como chama propulsora a ambição
pela riqueza ou, numa escala menor, pelo menos uma vantagem e,
com isso, auferir uma posição de poder entre seus
pares. Prevalece como nunca a máxima: manda quem pode e
obedece quem precisa. Formou-se um núcleo de poder e de
concentração de riqueza que se protege e se autoampara,
afrontando a sociedade com escárnio. Movem-se como hienas
que se sustentam das carcaças dos outros, daqueles menos
afortunados, que sangram todos os dias embalados pelo sonho de
conquistas por dias melhores.
A democracia, contraditoriamente, traz em seu bojo essa realidade,
ou seja, a de expor todos a um ambiente aberto e livre, meritocrático,
desde que se submetam às decisões daqueles que, emblematicamente,
detêm a verdade e o controle. Somos livres para fazermos
o que quisermos. Mas somente até onde a ditadura do Capitalismo
o permitir. Daí que falar em igualdade de oportunidades é tão
hipócrita quanto dizer que “todo poder emana do povo...”.
As eleições estão aí, de novo, e como
para nós o voto é um direito ‘obrigatório’,
cabe-nos, mais uma vez, refletir sobre essa realidade e ver quem
são os que, nesta época, vêm ao nosso encontro
com um sorriso de propaganda de creme dental e com o indelével “estou
contando com o teu voto!”. E quem é aquele, embora
pequeno e sem grandes possibilidades de se eleger, que olha em
nossos olhos e traz uma proposta, ainda que singela, mas, exequível
e que pode transformar a nossa vida?
Ao fazermos a nossa escolha, a nossa opção de voto, não
joguemos com a nossa vida e com a de nossa família. Não façamos
disso apenas um gesto banal como o fazem os jogadores de futebol, diante do juiz
e no meio do campo, ao iniciar o jogo, em que a escolha é pela ‘cara’ ou
pela ‘coroa’ da moeda lançada ao alto, transferindo para a
sorte o lado em que iremos jogar. Lembremo-nos: ainda que joguemos o primeiro
tempo com o sol no rosto, no segundo com certeza o teremos às nossas costas.
Não nos iludamos, nunca conseguiremos jogar sempre na sombra. Aliás,
dependendo de nossas escolhas, poderemos, sim, ter o sol sempre a nossa frente.
De qualquer forma, a sombra e a luz excessiva distorcem a realidade. A nossa
escolha deve ter o equilíbrio do sol a pino.
Franz
Roedel
Administrador
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