Ano XX - EDIÇÃO 1113

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DO LEITOR

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CARA OU COROA

Escolhas fazem parte da vida do homem. Desde os tempos mais remotos temos notícias dessas encruzilhadas que conduziram a Humanidade, bem ou mal, até os nossos dias. E nem sempre o senso de justiça ou de equivalência tem preponderado nessas decisões. Afinal, o que move o homem na hora de tomar as suas decisões? Algumas vezes, raramente hoje, é aquele espírito altruísta, de querer apenas se dedicar a uma causa, de ajudar as pessoas por uma abnegação motivada por experiências pessoais, religiosas ou até existenciais, resultantes de contatos com a natureza ou da observação de fenômenos estelares. Existem inúmeros motivos. Outras decisões são tomadas por imposição de terceiros, resultantes de ordem, de estrutura hierárquica, onde o subalterno deve obedecer a seu superior e, por isso, toma decisões amparado, muitas vezes, naquilo que não está escrito, mas desenhado na aura de uma ideia, de um conceito. Ainda há aquelas decisões que atendem a grupos – econômicos ou políticos – e pretendem, sempre, preservar um status, amealhado, muitas vezes, de maneira duvidosa ou ilícita. E não menos importantes são aquelas, pessoais, motivadas pelo sentimento, pela expressão do amor passional e, cujas decisões têm proporcionado verdadeiras revoluções na caminhada do homem.
Entretanto, temos observado, nestas últimas décadas, que, cada vez mais, o foco de decisões e, por consequência, as atitudes das pessoas têm como chama propulsora a ambição pela riqueza ou, numa escala menor, pelo menos uma vantagem e, com isso, auferir uma posição de poder entre seus pares. Prevalece como nunca a máxima: manda quem pode e obedece quem precisa. Formou-se um núcleo de poder e de concentração de riqueza que se protege e se autoampara, afrontando a sociedade com escárnio. Movem-se como hienas que se sustentam das carcaças dos outros, daqueles menos afortunados, que sangram todos os dias embalados pelo sonho de conquistas por dias melhores.
A democracia, contraditoriamente, traz em seu bojo essa realidade, ou seja, a de expor todos a um ambiente aberto e livre, meritocrático, desde que se submetam às decisões daqueles que, emblematicamente, detêm a verdade e o controle. Somos livres para fazermos o que quisermos. Mas somente até onde a ditadura do Capitalismo o permitir. Daí que falar em igualdade de oportunidades é tão hipócrita quanto dizer que “todo poder emana do povo...”.
As eleições estão aí, de novo, e como para nós o voto é um direito ‘obrigatório’, cabe-nos, mais uma vez, refletir sobre essa realidade e ver quem são os que, nesta época, vêm ao nosso encontro com um sorriso de propaganda de creme dental e com o indelével “estou contando com o teu voto!”. E quem é aquele, embora pequeno e sem grandes possibilidades de se eleger, que olha em nossos olhos e traz uma proposta, ainda que singela, mas, exequível e que pode transformar a nossa vida?
Ao fazermos a nossa escolha, a nossa opção de voto, não joguemos com a nossa vida e com a de nossa família. Não façamos disso apenas um gesto banal como o fazem os jogadores de futebol, diante do juiz e no meio do campo, ao iniciar o jogo, em que a escolha é pela ‘cara’ ou pela ‘coroa’ da moeda lançada ao alto, transferindo para a sorte o lado em que iremos jogar. Lembremo-nos: ainda que joguemos o primeiro tempo com o sol no rosto, no segundo com certeza o teremos às nossas costas. Não nos iludamos, nunca conseguiremos jogar sempre na sombra. Aliás, dependendo de nossas escolhas, poderemos, sim, ter o sol sempre a nossa frente. De qualquer forma, a sombra e a luz excessiva distorcem a realidade. A nossa escolha deve ter o equilíbrio do sol a pino.

Franz Roedel
Administrador

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