Ano XX - EDIÇÃO 1112

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PROTAGONISTA DA HISTÓRIA: O PROFESSOR

A cultura docente existente na organização das escolas parece ainda desencorajar um conhecimento profissional coletivo e partilhado pelos professores, dificultando o investimento das experiências significativas nos movimentos de formação. Tem-se também presente na cultura docente o individualismo, as ações solitárias. Sente-se um mal-estar frente à profissão e aos desafios que ela traz. Percebe-se um limitado profissionalismo quanto às responsabilidades éticas de uma professoralidade. Vive-se em um cenário onde as paisagens são: a competição, o autoritarismo, a intolerância, a indiferença e a ausência de afetos com as coisas e com as pessoas, em que se acaba por naturalizar a ideia de que “sempre foi assim” e de que nada se pode fazer para mudar. Pois o ser humano não nasce democrático e traz consigo resquícios autoritários que são difíceis de tirar da corporeidade e isso acarreta na vida profissional.
Nesse sentido, urge que se pense a formação contextualizada em cada período histórico, sendo transpassada pelas mudanças inerentes a cada época e sendo influenciada, por um lado, de forma mais abrangente, ampla, pelos valores, crenças, estruturas sociais, relações de poder, sistemas políticos; por outro lado, sendo influenciada, de maneira mais restrita e localizada, pela estrutura que rodeia o professor: a instituição escolar na qual exerce a docência, a cultura que permeia essa comunidade escolar, as representações do social em que está inserido o professor, enfim tudo aquilo com que está enredado o processo da aprendizagem (BARASUOL, 2005, p. 25).
É preciso recuperar o professor como sujeito histórico, alguém que vem trilhando a história em silêncio. Fazendo perceber-se como ser inacabado, que tem a necessidade de transformar-se constantemente, para que se sinta capaz de abrir caminhos para o novo, para o diferente.
Pois os estudantes têm direito a um espaço mais igualitário, que respeita as diferenças, e que o faz ser sujeito na construção de seus saberes. Um lugar onde os conflitos sejam discutidos de maneira crítica e construtiva, com oportunidades iguais para todos, construindo uma sociedade mais solidária e cidadã, e este trabalho para se concretizar necessita do comprometimento de um personagem importante, o professor.
Este contexto social atual exige atitudes de mudança, e para que a democratização do ensino aconteça, é preciso um conjunto de mudanças que implicam nas políticas públicas sociais, na sociedade, na escola, na comunidade, e nas pessoas que fazem parte do processo educacional. Que na medida em que se transformam, vão provocando mudanças no ambiente onde vivem, onde trabalham, e aos poucos, coletivamente, se formam novos paradigmas, criando novas estruturas organizacionais. Todo este movimento de transformação é necessário para que se concretizem as iniciativas e manifestações de democratização na educação, com qualidade de ensino em uma escola para todos, respeitando as diferenças na busca de uma escola mais cidadã e igualitária, que valorize cada estudante nas suas diferenças e particularidades.
Para tanto, se faz necessário a reafirmação do professor como sujeito da sua prática, precisando para isso romper barreiras, abrir-se para o novo, mesmo que isso cause medo. O medo faz parte da definição que a profissão exige. Pois, como enfatiza Barasuol (2005 p. 21), “a formação é transpassada pelo social, permeada por valores, crenças, em que o outro é uma constante, isto é a formação acontece com e através do outro”. Para tanto, é preciso respeitar o educando e suas possibilidades, sua realidade, é preciso construir no professor a autonomia, para então construir com o educando a sua autonomia. A autonomia de descobrir, de perguntar, de criticar, de criar e possibilitar o processo de aprendizagem.
BARASUOL, Evandir Bueno. Burnout e DOCÊNCIA – sofrimento na inclusão. Três de Maio – SETREM, 2005.

Juliane Andréia Maier
Pedagoga, especialista em Educação Infantil e Alfabetização

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