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PROTAGONISTA
DA HISTÓRIA: O PROFESSOR
A
cultura docente existente na organização das escolas
parece ainda desencorajar um conhecimento profissional coletivo
e partilhado pelos professores, dificultando o investimento das
experiências significativas nos movimentos de formação.
Tem-se também presente na cultura docente o individualismo,
as ações solitárias. Sente-se um mal-estar
frente à profissão e aos desafios que ela traz. Percebe-se
um limitado profissionalismo quanto às responsabilidades éticas
de uma professoralidade. Vive-se em um cenário onde as paisagens
são: a competição, o autoritarismo, a intolerância,
a indiferença e a ausência de afetos com as coisas
e com as pessoas, em que se acaba por naturalizar a ideia de que “sempre
foi assim” e de que nada se pode fazer para mudar. Pois o
ser humano não nasce democrático e traz consigo resquícios
autoritários que são difíceis de tirar da
corporeidade e isso acarreta na vida profissional.
Nesse sentido, urge que se pense a formação contextualizada
em cada período histórico, sendo transpassada pelas
mudanças inerentes a cada época e sendo influenciada,
por um lado, de forma mais abrangente, ampla, pelos valores, crenças,
estruturas sociais, relações de poder, sistemas políticos;
por outro lado, sendo influenciada, de maneira mais restrita e
localizada, pela estrutura que rodeia o professor: a instituição
escolar na qual exerce a docência, a cultura que permeia
essa comunidade escolar, as representações do social
em que está inserido o professor, enfim tudo aquilo com
que está enredado o processo da aprendizagem (BARASUOL,
2005, p. 25).
É
preciso recuperar o professor como sujeito histórico, alguém
que vem trilhando a história em silêncio. Fazendo
perceber-se como ser inacabado, que tem a necessidade de transformar-se
constantemente, para que se sinta capaz de abrir caminhos para
o novo, para o diferente.
Pois os estudantes têm direito a um espaço mais igualitário,
que respeita as diferenças, e que o faz ser sujeito na construção
de seus saberes. Um lugar onde os conflitos sejam discutidos de
maneira crítica e construtiva, com oportunidades iguais
para todos, construindo uma sociedade mais solidária e cidadã,
e este trabalho para se concretizar necessita do comprometimento
de um personagem importante, o professor.
Este contexto social atual exige atitudes de mudança, e
para que a democratização do ensino aconteça, é preciso
um conjunto de mudanças que implicam nas políticas
públicas sociais, na sociedade, na escola, na comunidade,
e nas pessoas que fazem parte do processo educacional. Que na medida
em que se transformam, vão provocando mudanças no
ambiente onde vivem, onde trabalham, e aos poucos, coletivamente,
se formam novos paradigmas, criando novas estruturas organizacionais.
Todo este movimento de transformação é necessário
para que se concretizem as iniciativas e manifestações
de democratização na educação, com
qualidade de ensino em uma escola para todos, respeitando as diferenças
na busca de uma escola mais cidadã e igualitária,
que valorize cada estudante nas suas diferenças e particularidades.
Para tanto, se faz necessário a reafirmação
do professor como sujeito da sua prática, precisando para
isso romper barreiras, abrir-se para o novo, mesmo que isso cause
medo. O medo faz parte da definição que a profissão
exige. Pois, como enfatiza Barasuol (2005 p. 21), “a formação é transpassada
pelo social, permeada por valores, crenças, em que o outro é uma
constante, isto é a formação acontece com
e através do outro”. Para tanto, é preciso
respeitar o educando e suas possibilidades, sua realidade, é preciso
construir no professor a autonomia, para então construir
com o educando a sua autonomia. A autonomia de descobrir, de perguntar,
de criticar, de criar e possibilitar o processo de aprendizagem.
BARASUOL, Evandir Bueno. Burnout e DOCÊNCIA – sofrimento
na inclusão. Três de Maio – SETREM, 2005.
Juliane
Andréia Maier
Pedagoga, especialista em Educação Infantil e Alfabetização
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