Ano XX - EDIÇÃO 1106

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VIOLÊNCIA NAS ESTRADAS
Acidente na RS 342 mata três jovens universitários
A colisão de um Vectra com um Logus ocorreu entre Três de Maio e Horizontina quando os jovens voltavam da aula para suas casas


O Logus ficou totalmente destruído com a colisão


No Vectra estavam os dois jovens com destino a Horizontina.
O caroneiro, Claudicir, morreu no local

A noite de quinta-feira, dia 27 de maio, não será apagada da memória das famílias e dos amigos dos três jovens universitários que perderam a vida entre a saída da faculdade e a volta para casa.
O saldo trágico de uma colisão frontal entre um Logus e um Vectra, na RS 342, aconteceu por volta das 23 horas, na localidade do Km 6, no trecho que liga Três de Maio a Horizontina.
O Logus, ocupado por quatro estudantes de Engenharia Mecânica da Fahor, retornava para Três de Maio, quando colidiu com um Vectra, que fazia o trajeto contrário e era ocupado por dois jovens, um deles acadêmico de Sistemas de Informação da Setrem.
O caroneiro do Logus, Róbson Wollmutt, de 22 anos, e do Vectra, Claudicir Stiegelmaier, de 28 anos, morreram na hora. O motorista do Logus, Martinho Binicheski, de 24 anos, também não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã de sexta-feira.
Os outros dois caroneiros do Logus, Felipe Sehn da Silva e Giovane Junior Merchiori, após internação, tiveram alta nesta semana, assim como o motorista do Vectra, Anderson Jardel Toebe.
De acordo com o delegado de polícia de Três de Maio, João Vittorio Barbato, as causas do acidente ainda estão sendo investigadas. “Conforme as apurações iniciais e pelos danos físicos e materiais, há indícios de que pelo menos um dos veículos, se não os dois, estavam trafegando em alta velocidade”, revela.
Barbato afirma que as circunstâncias concretas de como aconteceu o acidente só serão obtidas no fim do inquérito policial. “Precisamos da perícia dos veículos, que ainda não foi realizada, dos depoimentos dos sobreviventes do acidente e ainda, o resultado na necropsia, que revelará se os jovens haviam consumido bebida alcoólica, já que em um dos carros foi encontrada uma garrafa de cerveja”, diz.
Uma ultrapassagem malsucedida, que poderia ser o motivo do acidente, é para Barbato, apenas uma das hipóteses. “Não temos notícia de que um terceiro veículo estaria envolvido, logo, não haveria ultrapassagem. Os condutores poderiam ter se perdido na pista e aí colidido”.

Um sonho interrompido na volta da faculdade

“Os bons morrem jovens”, dizia o poeta. Difícil é encarar e aceitar quando estes jovens têm sonhos, planos, projetos e um objetivo em especial: fazer aqueles que os amam felizes e orgulhosos do sucesso que os espera. Assim podemos descrever a história de Róbson, traçada até quinta-feira. Um jovem cheio de sonhos, com grandes projetos, mas que foram interrompidos na volta da faculdade.
Há pouco mais de um ano para a tão sonhada formatura em Engenharia Mecânica, almejada desde criança, o jovem ainda tinha outros sonhos. Planos com a namorada, pilotar motocross e fazer um intercâmbio no Canadá, para aperfeiçoar o inglês, eram algumas das metas que Róbson desejava traçar e que agora dão lugar a dor da perda e a sensação de vazio para o pai Jonas e a irmã Camila.
Segundo o pai de Róbson, Jonas Wollmutt, eram cinco os colegas que iam para Horizontina todas as noites com destino para a faculdade. “Eles se revezavam diariamente. Cada noite um ia de carro”. Neste dia, porém, quatro estudantes ocupavam o veículo.
A notícia do acidente foi dada para a família do jovem, pela namorada dele, Andressa Justen, que também retornava da faculdade, de Santo Ângelo, e se deparou com o acidente. “Quando falaram que estavam envolvidos acadêmicos da Fahor no acidente, Andressa ligou para Róbson, mas ele não atendia. Foi aí que ela me ligou, e ao procurar pelo meu filho no quarto e não o encontrar, me apavorei”, conta o pai do jovem. Neste momento, Jonas e Camila se deslocaram até o hospital. “Ao chegarmos lá, o Róbson foi o único que não estava no hospital. Já havia morrido”.
O pai relembra que a luta do filho era de ser alguém na vida, queria ser um dos melhores. “Em uma formatura ele viu um aluno homenageado por ter a melhor nota da turma. Ele nos dizia que também iria em busca dessa vitória, para homenagear e orgulhar Camila e eu.”
O pai e a irmã, buscam no exemplo e nos sonhos de Róbson para deixar um recado aos jovens. “Que todos estudem, para ter um futuro melhor. E a escolha da profissão, seja uma que realmente amem. Para os colegas do Róbson, ao se formarem na faculdade, lembrem-se de que, lá de cima, ele vai estar olhando por todos e batendo palmas por estarem lutando pelos sonhos”.
O último pedido que fazem é mais prudência no trânsito, para que outras famílias não sintam a dor de perder pessoas queridas. “Ao sabermos da perda de filhos de outras pessoas, não tínhamos a dimensão deste tipo de dor. O vazio da perda de uma pessoa batalhadora, que tinha uma força de vontade imensa de vencer na vida não tem explicação”.

Um dos sobreviventes ainda não
sabe que os amigos morreram

O Semanal também conversou com a mãe de Geovani Merchiori, Odete Merchiori, de Doutor Maurício Cardoso.
Segundo Odete, o jovem, que teve alta nesta semana, não lembra de nada. “Os médicos afirmam que é normal ele não se lembrar do acidente. A batida foi muito forte, por isso ele não se recorda”. Mesmo após a alta, Geovani está tendo acompanhamento médico em casa.
Segundo a mãe, Geovani, que está em estado de choque, ainda não sabe que dois dos colegas morreram no acidente. “Ainda não contamos porque ele não tem condições de assimilar isso. Ele está muito abalado”. Geovani, 21 anos, cursa o quinto semestre de Engenharia Mecânica na Fahor.

Em Santa Rosa mais uma morte após acidente entre Logus e uma carreta

No domingo, dia 30 de maio, uma colisão entre um Logus e uma carreta resultou na morte de Alexandre Bortoli, 32 anos, condutor do Logus.
O acidente aconteceu na Avenida Tuparendi, no Bairro Glória, em Santa Rosa. Segundo o Corpo de Bombeiros, devido ao choque, o automóvel foi parar dentro de um estabelecimento comercial.

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