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Produção
de leite limpo e sadio com menos BIOCIDAS
Nestes últimos
anos, os 45 escritórios municipais da Emater da região
Noroeste do RS têm recebido treinamentos e realizado ações
para melhorar a produção e qualidade do leite nas
18.347 propriedades, envolvendo 223.161 vacas, com produção
de 1,4 milhões de litros diários e que gera mais
de R$ 250 milhões ao ano.
Partindo de problemas identificados no cotidiano e confirmados
por testes práticos de campos e exames laboratoriais como
- mastite, células somáticas, leite ácido,
alterações físico-químicas, resistência
de vetores e micróbios aos biocidas (usados de forma abusiva
e indiscriminadamente sem orientação adequada), contaminações
por diferentes micróbios (identificados em 1.787 vacas testadas,
e resíduos químicos no leite evidenciados em leite
e derivados como queijos, nata) -, está se fazendo um trabalho
educativo e resolutivo, para os problemas apresentados.
Este trabalho, consta de diferentes ações integradas,
em diferentes aspectos da produção e ambiental, como
pastoreio rotacionado em mais de 7 mil propriedades rurais, sombra, água,
manejo como fatores de bem-estar animal necessários para
produzir um leite de qualidade, diminuir a dependência tecnológica
da agricultura familiar, especialmente os produtos químicos
(venenos), que podem estar associados nos graves quadros de depressão,
câncer, e suicídios que ronda a todos, e tem alta
incidência na região.
Os agricultores recebem informações e trocam experiências
de higiene da ordenha, equipamentos, construções
adequadas de salas de ordenhas, cuidados com o leite ordenhado,
armazenado, transportado, sanidade dos animais, grupalização
de agricultores para a coleta de leite à granel em tanques
de expansão comunitário ( existem mais de 150 grupos/
2.500 agricultores), além de tecnologias de limpeza e capricho.
Aproveitando-se o conhecimento já existente, estamos introduzindo
com efetividade, ações tecnológicas limpas
como homeopatias, armadilhas caseiras para moscas feitas com tubos
plásticos.
Outra tecnologia adotada por milhares de agricultores familiares é a
do controle do carrapato, de forma simples, prática e com
grande poder resolutivo (na diminuição de biocidas
como clorpirifós, fipronil, e piretróides), e que
consiste em retirar de cima do animal, a fêmea engorgitada
(parece um grão de mamona ou feijão), manualmente
ou com pequenos equipamentos, queimando ou enterrando a mesma.
Desta forma não haverá a colocação
de ovos e larvas na pastagem, e como conseqüência acaba
ou diminui o ciclo do carrapato, pois, apenas uma fêmea,
tem o potencial de provocar, no período de um ano, a geração
de 27 milhões de outros carrapatos. Mais de 5 mil pessoas
controlam o carrapato desta forma.
Neste trabalho, também são efetivadas ações
de limpeza do ambiente, como um fator primordial para impedir as
contaminações e diminuir o uso dos químicos,
em ações como: melhoria da qualidade da água,
controle de estercos, conhecimento da vida dos vetores, lixos dos
arredores da casa, construções de fossas sépticas,
caixas de gordura, poços negros, fontes protegidas.
Também estamos trabalhando com remédios caseiros, feitos a partir
de mais de 200 ervas e plantas medicinais, usadas na forma seca ou verde, além
de compor formulações de produtos caseiros como chás, tinturas,
infusões, pomadas, detergentes, sabões, desinfetantes, cinzas,
minerais.
Estas formulações e receitas básicas são (re)distribuídas
aos agricultores, após efetivação na prática ou com
busca da validação científica. Para isto, existe nos Escritórios
municipais da Emater, uma apostila com mais de mil recomendações à base
de plantas medicinais, que os agricultores podem acessar e que mais de 15.000
agricultores já as detém e usam no seu dia a dia da propriedade
Estas alternativas curativas e preventivas, são para mais de 50 problemas,
incluindo-se controle de mastites, células somáticas, leite ácido,
bernes, carrapatos, vermes, problemas infecciosos, digestivos, respiratórios
e reprodutivos, além de controle de vetores, como as diferentes moscas.
Ervas e plantas medicinais já conhecidas pelos agricultores, a exemplo
da cobrina, carqueja, boldo, malva, tansagem, espinheira santa, confrei, picão,
camomila, alcachofra, cinamomo, santos-filhos, goiabeira, pitangueira, calêndula,
babosa, capuchinha, marcela, sete-sangrias, alecrim, sálvia, entre outras
mais, são usadas com bom resultado.
No setor da agroindústria caseira, as mulheres estão sendo treinadas
para produzir um leite de qualidade, com curso específicos de utilização
deste leite de qualidade, para fazer diferentes tipos de queijos, nata, iogurte,
doces, a partir da pasteurização caseira, e com isto, agregando
valor à produção.
Este trabalho educativo já chegou a mais de 20 mil agricultores, através
de reuniões, visitas, dias de campo, excursões, palestras, cursos,
demonstrações, feiras, exposições municipais, com
envolvimento de entidades como Cooperativas, STR, prefeituras, igrejas...
Ontem, dia 2 de junho aconteceu o FÓRUM PELA VIDA em Cândido Godoi
com participação de mais de 800 pessoas de mais de 25 municípios
da região e hoje dia 3 de junho, haverá Dia de Campo em Três
de Maio para mais de 500 pessoas, onde o assunto PLANTAS MEDICINAIS EM ANIMAIS
será discutido com os agricultores, conforme programação
em anexo.
Médico
Veterinário Jorge João Lunardi
Lisete Primaz Pohl
Médico Veterinário e ATR BES
Emater Regional de Santa Rosa
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