Ano XX - EDIÇÃO 1106

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DO LEITOR

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Produção de leite limpo e sadio com menos BIOCIDAS

Nestes últimos anos, os 45 escritórios municipais da Emater da região Noroeste do RS têm recebido treinamentos e realizado ações para melhorar a produção e qualidade do leite nas 18.347 propriedades, envolvendo 223.161 vacas, com produção de 1,4 milhões de litros diários e que gera mais de R$ 250 milhões ao ano.
Partindo de problemas identificados no cotidiano e confirmados por testes práticos de campos e exames laboratoriais como - mastite, células somáticas, leite ácido, alterações físico-químicas, resistência de vetores e micróbios aos biocidas (usados de forma abusiva e indiscriminadamente sem orientação adequada), contaminações por diferentes micróbios (identificados em 1.787 vacas testadas, e resíduos químicos no leite evidenciados em leite e derivados como queijos, nata) -, está se fazendo um trabalho educativo e resolutivo, para os problemas apresentados.
Este trabalho, consta de diferentes ações integradas, em diferentes aspectos da produção e ambiental, como pastoreio rotacionado em mais de 7 mil propriedades rurais, sombra, água, manejo como fatores de bem-estar animal necessários para produzir um leite de qualidade, diminuir a dependência tecnológica da agricultura familiar, especialmente os produtos químicos (venenos), que podem estar associados nos graves quadros de depressão, câncer, e suicídios que ronda a todos, e tem alta incidência na região.
Os agricultores recebem informações e trocam experiências de higiene da ordenha, equipamentos, construções adequadas de salas de ordenhas, cuidados com o leite ordenhado, armazenado, transportado, sanidade dos animais, grupalização de agricultores para a coleta de leite à granel em tanques de expansão comunitário ( existem mais de 150 grupos/ 2.500 agricultores), além de tecnologias de limpeza e capricho.
Aproveitando-se o conhecimento já existente, estamos introduzindo com efetividade, ações tecnológicas limpas como homeopatias, armadilhas caseiras para moscas feitas com tubos plásticos.
Outra tecnologia adotada por milhares de agricultores familiares é a do controle do carrapato, de forma simples, prática e com grande poder resolutivo (na diminuição de biocidas como clorpirifós, fipronil, e piretróides), e que consiste em retirar de cima do animal, a fêmea engorgitada (parece um grão de mamona ou feijão), manualmente ou com pequenos equipamentos, queimando ou enterrando a mesma. Desta forma não haverá a colocação de ovos e larvas na pastagem, e como conseqüência acaba ou diminui o ciclo do carrapato, pois, apenas uma fêmea, tem o potencial de provocar, no período de um ano, a geração de 27 milhões de outros carrapatos. Mais de 5 mil pessoas controlam o carrapato desta forma.
Neste trabalho, também são efetivadas ações de limpeza do ambiente, como um fator primordial para impedir as contaminações e diminuir o uso dos químicos, em ações como: melhoria da qualidade da água, controle de estercos, conhecimento da vida dos vetores, lixos dos arredores da casa, construções de fossas sépticas, caixas de gordura, poços negros, fontes protegidas.
Também estamos trabalhando com remédios caseiros, feitos a partir de mais de 200 ervas e plantas medicinais, usadas na forma seca ou verde, além de compor formulações de produtos caseiros como chás, tinturas, infusões, pomadas, detergentes, sabões, desinfetantes, cinzas, minerais.
Estas formulações e receitas básicas são (re)distribuídas aos agricultores, após efetivação na prática ou com busca da validação científica. Para isto, existe nos Escritórios municipais da Emater, uma apostila com mais de mil recomendações à base de plantas medicinais, que os agricultores podem acessar e que mais de 15.000 agricultores já as detém e usam no seu dia a dia da propriedade
Estas alternativas curativas e preventivas, são para mais de 50 problemas, incluindo-se controle de mastites, células somáticas, leite ácido, bernes, carrapatos, vermes, problemas infecciosos, digestivos, respiratórios e reprodutivos, além de controle de vetores, como as diferentes moscas.
Ervas e plantas medicinais já conhecidas pelos agricultores, a exemplo da cobrina, carqueja, boldo, malva, tansagem, espinheira santa, confrei, picão, camomila, alcachofra, cinamomo, santos-filhos, goiabeira, pitangueira, calêndula, babosa, capuchinha, marcela, sete-sangrias, alecrim, sálvia, entre outras mais, são usadas com bom resultado.
No setor da agroindústria caseira, as mulheres estão sendo treinadas para produzir um leite de qualidade, com curso específicos de utilização deste leite de qualidade, para fazer diferentes tipos de queijos, nata, iogurte, doces, a partir da pasteurização caseira, e com isto, agregando valor à produção.
Este trabalho educativo já chegou a mais de 20 mil agricultores, através de reuniões, visitas, dias de campo, excursões, palestras, cursos, demonstrações, feiras, exposições municipais, com envolvimento de entidades como Cooperativas, STR, prefeituras, igrejas...
Ontem, dia 2 de junho aconteceu o FÓRUM PELA VIDA em Cândido Godoi com participação de mais de 800 pessoas de mais de 25 municípios da região e hoje dia 3 de junho, haverá Dia de Campo em Três de Maio para mais de 500 pessoas, onde o assunto PLANTAS MEDICINAIS EM ANIMAIS será discutido com os agricultores, conforme programação em anexo.

Médico Veterinário Jorge João Lunardi
Lisete Primaz Pohl
Médico Veterinário e ATR BES
Emater Regional de Santa Rosa

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