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À GUISA
DE COMENTÁRIO – O MUNDO É UMA BOLA – Tem
fogo dentro da bola, ardendo não sei há quantos
milhões de anos e o combustível não se acaba.
Por fora da bola há convulsões. Há terremotos,
tsunamis, erupções vulcânicas, maremotos,
enchentes, temporais, tornados, ciclones extratropicais. Há fome
por toda parte. Há violência de todos os gêneros.
Há falta de justiça e sobra desrespeito às
leis. Falta segurança e grassa o medo por toda parte.
Falta moradia e sobra ousadia. A bola gira com uma velocidade
incrível, mas parece que não sai do lugar. Mas
tudo calculado milimetricamente. Quem cuida dessa engenharia
deve ser um crânio. Ninguém sabe ou ninguém
quer declinar o nome dele. Não é Galileu Galilei,
não. Às vezes, nós humanos ficamos com medo
que essa bola vai se espatifar. Outras vezes achamos que esta
bola vai pegar fogo. Nada sabemos sobre de como esta bola nos
vai levar ao último destino. É uma incerteza vertical
que nos deixa todos apavorados. O jeito é rodar junto
e aguentar tudo o que vem pela frente.
A VACA RAQUEL – Pois é, dias atrás, 12, 13
e 14 de maio, fiz uma incursão à serra gaúcha – na
verdade, foi a segunda incursão em companhia do divertidíssimo
Pato Roberto – para conhecer melhor a lição
sobre a produção racional e tecnológica do
leite. Em Farroupilha, na localidade de Linha Paese, fomos conhecer
a Granja Tang, onde vi com estes meus olhos a vaca Raquel, multicampeã morfológica.
Além da vaca Raquel, outra vaca da granja já produziu
100 mil litros de leite. Vi e ouvi belezas sobre a produção
de lei da boca do professor Itamar – o proprietário
da Granja Tang. Aquela propriedade nada sofisticada, totalmente
convencional, produz por dia 1.100 litros de leite. Produto de
30 vacas holandesas. Façam a conta: mais de 35 litros média
vaca/dia. Um prodígio. Comercializa o leite a R$ 0,79. Nova
conta para apurar o resultado financeiro do mês. E a conclusão
vem: dá para viver do leite, quando bem trabalhado.
NOVA PETRÓPOLIS TAMBÉM DÁ LEITE – Quem
diria, um município voltado para o turismo produzindo leite. É Nova
Petrópolis, vizinha de Gramado, onde prosseguiu a nossa
incursão serrana. Nova Petrópolis é um caso
isolado no Estado: mistura de turismo com produção
primária, com alta diversificação. Ali se
produz, além do leite, também, de forma racional
e o uso da tecnologia, frutas, aves, suínos e há muitas
lavouras bonitas – bota bonito nisso! – de milho. Há quem
também produza hortigranjeiros e batatas. Resultado: todos
vivem bonito e não há submoradias ou favelas.
UMA VISITA À COOPERATIVA PIÁ – A direção
da Cooperativa Agropecuária Nova Petrópolis Piá Ltda.
nos recebeu com cortesia. O seu presidente, Vítor Affonso
Grings, foi muito gentil e nos deu aulas de cultura leiteira. Aquela
cooperativa, fundada em 1967, tem atualmente três mil associados
e coleta e industrializa 500 mil litros de leite diariamente na
unidade industrial, sediada na área urbana de Nova Petrópolis,
dos quais 300 mil litros são produzidos pelos associados,
que recebem assistência permanente, conforme nos relatou
o veterinário Osmar Knye, também muito fértil
em explicações e dados. A média de produção
dos associados atinge 18 litros leite/dia e 5.400 litros de leite/vaca/ano.
A cooperativa tem um raio de ação em 80 municípios.
Um modelo, sem dúvida.
ELA NÃO SABIA NADA SOBRE LEITE E VACAS – A direção
da Cooperativa Piá nos indicou para visitar a Granja Pottratz,
na localidade de Linha Brasil, tocada pela família: Flávio,
Simoni e o velho pai Silvino. Tudo começou com três
vacas. Hoje, são 46 animais, dos quais 18 vacas lactantes,
que produzem entre 600 e 650 litros a cada dois dias, conforme
Flávio nos mostrou as anotações do leiteiro.
Isso significa cerca de 18 litros vaca/dia. Recebem, no momento,
R$ 0,65 pelo litro do produto. “Nós vivemos do leite,
pagamos as prestações de um trator, de um resfriador
de 1.000 litros e o colégio de duas filhas”, lembrou
Flávio entusiasmado. A esposa do Flávio, dona Simoni,
também contou sua história: “Eu não
sabia nada sobre vacas, me criei na cidade, mas, hoje, sei tudo
de vaca e leite, porque fiz muitos cursos”, falou orgulhosa.
Tem jeito de quem sabe administrar.
UMA SIGLA PARA DAR CERTO – Lá na serra gaúcha – deve
ter sido em Nova Petrópolis – aprendi uma sigla e
o Pato Roberto não me deixa mentir: CIA. C - significa Conhecimento;
I – Interesse e A – Adoção. Esta sigla
tem que ser aplicada, quando alguém quer se dedicar à produção
de leite. Quem não conhece nada sobre leite e vacas não
pode se meter. Precisa o produtor ter todo interesse possível
do mundo na sua atividade. E, por último, adoção
quer dizer prática, uso das técnicas e dos conhecimentos
na atividade leiteira. Quem tem estes três predicados pode
ser candidato a produtor de leite.
AQUI E AGORA – Aqui temos o Programa Produtividade e Qualidade
do Setor Lácteo 2010-2020. Os objetivos são os mesmos
praticados na serra gaúcha. Mas tudo está começando
praticamente do nada, como deve ser. Temos 10 anos para chegar
lá onde os outros já estão. Vejam bem, ninguém
tem um programa como nós temos. Basta pô-lo em prática.
Nova Petrópolis e Farroupilha podem servir de exemplo: lá continuam
sendo praticadas outras culturas a par da produção
do leite. Farroupilha não produz kiwi, uvas e maçãs?
Nova Petrópolis, bem, já mostrei acima o que se produz
em solo petropolense. Cheguei à conclusão: produzir
leite é para quem gosta e quer ganhar mais dinheiro.
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