Pouca participação popular
e muita polêmica
Entre os pontos
mais polêmicos do novo Plano Direitor está o
recuo obrigatório de dois metros nas novas construções
no centro da cidade
Uma
lei municipal elaborada com a participação
de toda a sociedade e que organiza o funcionamento e
o crescimento do município. Este é o propósito
do Plano Diretor Participativo de Três de Maio.
Apesar da importância do projeto, a primeira audiência
para discussão do plano, realizada na quarta-feira,
na Câmara de Vereadores, teve a participação
de menos de 50 pessoas. Além de integrantes da
Administração Municipal, a maioria dos
presentes representa de alguma maneira o setor de construção
civil (engenheiros, arquitetos, empresários locais,
e outros).
Segundo o presidente da Comissão Especial do Plano Diretor Participativo,
vereador Alexandre Classmann (PTB), apesar da pouca participação,
a discussão foi muito proveitosa. “A aprovação é urgente,
pois vários outros projetos dependem dele para terem início ou
continuidade.”
Conforme o secretário de Indústria e Comércio, Guido Cassol,
o Plano Diretor, que deveria ter sido aprovado há quatro anos, é obrigatório
pela legislação federal, para municípios com mais de 20
mil habitantes, e deve ser revisado a cada dez anos. O projeto em vigor é de
1996.
A próxima audiência deverá ocorrer em junho.
OS
PONTOS MAIS POLÊMICOS
As Áreas de Preservação
Permanente
O
geólogo Alcione Tomasi apresentou um estudo sobre
as Áreas de Preservação Permanente
na área urbana do município. Segundo ele,
no plano vigente, há um grande número de áreas
de banhado, onde não podem ser feitas novas construções,
inviabilizando uma parte significativa da cidade. “Tivemos
o trabalho de refazer a delimitação dessas áreas
de banhado, que foram diminuídas em 60% do que
estava previsto”.
Para Tomasi, é inviável tentar recuperar
as áreas de banhado que hoje estão ocupadas,
mas preservar o que existe e ainda não foi ocupado. “Não
podemos voltar no tempo, tirar as pessoas das moradias
e fazer casas em outros locais”, ponderou.
Recuo
frontal de dois metros
Muitas
pessoas que participaram da audiência manifestaram
indignação sobre as novas regras na questão
dos recuos frontais das construções no
centro da cidade.
O empresário Geraldo Kochhann é contra o
recuo frontal de dois metros. Para ele, a sugestão é que
se mantenha recuo frontal zero, somente o afastamento do
passeio.
A mesma opinião é compartilhada pelo engenheiro
civil Ademar Kreher. Para ele, o novo plano não
pode modificar o que já está consolidado.
Outra crítica é com relação
ao recuo lateral dos prédios. Porém, Kreher
admite que o novo plano irá melhorar em vários
setores, como na questão dos loteamentos, que terão
lotes mais largos.
Já a arquiteta e urbanista Martina Matz, contratada
para auxiliar na revisão do plano, não vê como
uma desvantagem o recuo de dois metros. “Mantendo
esse recuo, sem avançar com sacada, quem ganha são
todos os moradores e não somente os do Centro”,
afirma. O arquiteto e urbanista Matheus Schopf concorda. “Não
podemos mais admitir construção de sacadas
e balanço em cima do passeio público”.
Os presentes também levantaram a problemática
da falta de estacionamento e a questão do trânsito
no Centro. Entre as sugestões, foram apontadas a
transferência de entidades públicas para outros
locais e a mudança de local da estação
rodoviária. Conforme Cassol, a mudança de
endereço da rodoviária é uma ideia
que está contemplada no Plano de Mobilidade e Acessibilidade
Urbana, que é um projeto de planejamento do município
para os próximos 20 anos.