Ano XX - EDIÇÃO 1102

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SINTOMAS DE ANSIEDADE NA INFÂNCIA

A ansiedade é um dos quadros psicopatológicos mais prevalentes (10% a 20% das crianças) durante a infância, principalmente entre aquelas que estão em idade escolar. Além disso, estudos indicam uma alta comorbidade psiquiátrica entre as crianças ansiosas, ou seja, a presença de mais um quadro psicológico associado à ansiedade, sendo que 8% destas requerem tratamento psicológico. A ansiedade está associada à presença de eventos estressores e às situações de medo. Crianças e adolescentes ansiosos apresentam preocupações excessivas e não realísticas sobre eventos passados e futuros, bem como sobre seu desempenho; inquietação e insônia; queixas psicossomáticas (incluindo dores abdominais, dores de cabeça); fadiga; dificuldade de concentração; dificuldade de lidar com situações de separação dos pais; pesadelos; roer unhas (onicofagia) e arrancar cabelos (tricotilomania). Vários fatores contribuem para o desenvolvimento dos transtornos de ansiedade na infância, entre eles, pais com histórico de ansiedade, ambiente familiar controlador, que não permite a autonomia dos filhos; pais muito críticos e que exigem um alto desempenho dos filhos e a exposição a eventos estressores (perda de um ente querido, provas escolares, mudança de residência, perda do animal de estimação, violência, entre outros).
Ressalta-se que é importante separarmos os quadros psicopatológicos de ansiedade dos medos esperados em determinadas faixas etárias do desenvolvimento infantil. Por exemplo, é esperado que crianças pequenas tenham eventualmente medo de escuro, medo de estranhos e medo de ficar longe dos pais. No entanto, estes medos tendem a desaparecer com o crescimento. Já, os transtornos de ansiedade envolvem a presença de sintomas persistentes, com elevada intensidade e que causam dificuldades no dia a dia da criança (por exemplo, entrar na escola e não conseguir se adaptar). O Transtorno de Ansiedade de Separação é esperado em torno de 4% das crianças na faixa etária dos 6-8 anos, sendo muito frequente justamente neste momento de separação dos pais e de entrada na escola. Este quadro é caracterizado por ansiedade exagerada em relação ao afastamento dos pais ou de seus substitutos, em desacordo ao nível de desenvolvimento, com duração superior a quatro semanas. A ansiedade de separação na infância é um fator de risco para o desenvolvimento de diversos transtornos de ansiedade na vida adulta, como o transtorno do pânico, e transtornos do humor.
Nestas situações, torna-se importante que os pais possam transmitir segurança à criança. Combinações de horários e quem irá buscar a criança na escola são informações que devem ser passadas à criança com clareza e segurança. É importante os pais conhecerem a escola, a direção e a professora, a fim de eles também estarem seguros em deixar seus filhos neste ambiente. Além disso, a fase de adaptação à escola é um período muito importante para a criança, a qual é vivenciada de forma mais positiva com a presença dos pais e através de uma separação gradual destes.
É necessário que os transtornos de ansiedade possam ser diagnosticados e tratados na infância, a fim de que não se tornem crônicos na vida adulta, interferindo na qualidade de vida. A procura por um especialista é importante quando pais e professores percebem que o nível de sofrimento psicológico da criança diante das situações de separação e de medos esteja interferindo no desenvolvimento dela, bem como impedindo que ela permaneça tranquila no ambiente escolar, após a fase inicial de adaptação. É necessário o envolvimento da família e da escola no tratamento psicológico, para que haja sucesso ou minimização dos sintomas de ansiedade, o que potencializa um melhor prognóstico do quadro nas demais etapas do desenvolvimento. O tratamento, de um modo geral, busca trabalhar a segurança interna da criança, possibilitando-lhe superar seus medos.

Jeane Lessinger Borges *
Sara Eduarda Pires**
* Psicóloga e professora do curso de Psicologia da
Faculdade Três de Maio
** Acadêmica do curso de Psicologia da Faculdade Três de Maio e estagiária de Psicologia na EMEI Santa Rita

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